ABC | Volume 114, Nº4, Abril 2020
Artigo Original Linhares et al. Hidroterapia reduz rigidez arterial em gestantes Arq Bras Cardiol. 2020; 114(4):647-654 Figura 2 – Variações da frequência cardíaca (A) e da pressão arterial sistólica braquial, periférica, (B) antes e após sessão de hidroterapia, nos grupos controle (GC) e hipertensas (GH). Frequência cardíaca (bpm) Pressão arterial sistólica (mm Hg) 120 110 100 A B 90 80 70 60 160 140 120 100 80 60 Antes Após Antes Após Controle Hipertensas Controle Hipertensas p < 0,001 p < 0,001 p = 0,404 p = 0,050 Discussão Este estudo avaliou o impacto de uma sessão de hidroterapia sobre a RA de gestantes hipertensas crônicas, consideradas de alto risco, comparadas às gestantes de risco habitual, evidência ainda não descrita na literatura. Embora exista preocupação quanto à segurança da realização de exercícios aquáticos em gestantes, em nosso estudo, o procedimento revelou-se seguro para as gestantes hipertensas e controles no terceiro trimestre de gestação. Barakat et al., 26 também demonstraram a segurança da prática de exercícios entre gestantes. Estes autores compararam os efeitos dos exercícios em grávidas, concluindo que, embora exercícios de solo fossem mais eficazes na prevenção do ganho de peso materno, programas aquáticos ou combinados, envolvendo solo e água, foram mais efetivos na prevenção do diabetes gestacional. 26 Bacchi et al., 27 avaliando 100 gestantes saudáveis, concluíram que três sessões semanais de atividades aquáticas, durante a gravidez, previnemo excesso de peso materno e preservam o peso do concepto ao nascer. Uma metanálise concluiu que uma única sessão isolada de exercício aeróbio, com duração de 10 a 50 minutos, de diferentes intensidades, é capaz de reduzir a PAS em 5 a 7mmHg, cujo efeito é mantido por até 24 horas após o treino. 28 A magnitude dessa redução da PAS é comparável ao efeito da maioria dos fármacos anti-hipertensivos preferenciais, 29 o que pressupõe uma redução no risco cardiovascular da ordem de 20 a 30%, 30 segundo concluiu o posicionamento da American College of Sports Medicine sobre exercícios e hipertensão. 31 Em nosso estudo, observamos que a hidroterapia promoveu uma redução de 6% da PAS (139,6 ± 12,1 mmHg/ 130,1 ± 12,6 mmHg, p = 0,050) no GH, percentual semelhante ao descrito para outras modalidades aeróbias, sem contudo atingir nível de significância, provavelmente devido ao tamanho reduzido da amostra. Deduziu-se que a variação da PA no meio líquido é afetada predominantemente por três componentes: temperatura, profundidade de imersão e exercícios durante a hidroterapia. 32,33-35 Pequenas mudanças na temperatura da água têm efeitos significativos na perda ou retenção de calor pela paciente imersa porque a água tem condutividade térmica 25 vezes maior que o ar. 35 Além disso, já estão bem estabelecidos os efeitos vasodilatadores do contato com a água aquecida. 36 A temperatura da água exerce influência significativa sobre a hemodinâmica materno-fetal, tendo inclusive sido demonstrado que temperaturas acima de 38,9 o C podem até causar efeitos deletérios embrionários ou fetais. 37 Apesar de utilizarem diferentes parâmetros quanto a temperatura da água, duração e nível de imersão, há relatos de diminuição da PA induzida pela imersão. 38-40 A imersão provoca ajustes cardiovasculares reflexos, como redistribuição de fluidos corporais devido à pressão hidrostática, o que leva a aumento do volume sanguíneo central, diminuição da FC, elevação do volume sistólico, do débito cardíaco e da natriurese. 35 Finkelstein et al. 41 verificaram redução significativa da FC e da PA de gestantes imersas na profundidade do processo xifoide, como utilizado em nosso estudo. Os autores sugerem que essa diminuição pode estar relacionada com a redução da atividade da renina plasmática e aumento da concentração do peptídeo natriurético atrial, em resposta à expansão do volume sanguíneo na água. Elvan-Taşpınar et al., 42 compararam o efeito da simples imersão em água a 35°C, por 3 horas, sobre a hemodinâmica central e periférica de uma pequena amostra de 3 grupos: gestantes de risco habitual, gestantes com pré-eclâmpsia e não gestantes. Observaram redução transitória da FC, da PAD e da resistência periférica total. 42 651
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