ABC | Volume 114, Nº3, Março 2020
Artigo Original Kurmus et al. Discordância entre lipoproteínas e gravidade da DAC Arq Bras Cardiol. 2020; 114(3):469-475 Tabela 1 – Características baseline da população estudada Características Características clínicas Sexo masculino (%) 57,5 Idade em anos (média ± desvio-padrão) 61,1 ± 11,4 Tabagismo (%) 32,1 Hipertensão (%) 49,6 Diabetes (%) 30,1 IMC (kg/m 2 ) (média ± desvio-padrão) 28,8 ± 4,1 Uso de estatina na admissão (%) 33,3 Análise bioquímica (média ± desvio-padrão) Colesterol total (mg/dl) 198,5 ± 49,1 LDL (mg/dl) 117,4 ± 38,2 HDL (mg/dl) 41,8 ± 11,3 Triglicérides (mg/dl) 163,2 ± 84,2 Não-HDL (mg/dl) 156,7 ± 46,8 Glucose em jejum (mg/dl) 114,6 ± 40,9 Creatinina (mg/dl) 0,95 ± 0,48 Gravidade da DAC Escore Gensini médio 25,3 ± 39,6 Escore Gensini mediano (intervalo interquartil) 12 (31,1) Escore SYNTAX médio 7,1±10,2 Escore SYNTAX mediano (intervalo interquartil) 4 (11,0) DAC: doença arterial coronariana; LDL: colesterol de lipoproteína de baixa densidade; HDL: colesterol de lipoproteína de alta densidade; Não‑HDL: colesterol de lipoproteína de densidade não-alta; IMC: índice de massa corporal. As diferenças entre as características baseline dos pacientes nessas categorias foram analisadas por meio do teste do qui-quadrado para comparar variáveis categóricas e o one-way ANOVA para comparar médias de medidas contínuas. O teste de Fisher Least Significant Difference (LSD) foi utilizado para comparações binárias. A correlação de Pearson foi usada para examinar a correlação entre variáveis contínuas, incluindo os escores de colesterol LDL, não-HDL, Gensini e SYNTAX na amostra. A correlação de Spearman foi usada para examinar as correlações desses parâmetros entre grupos concordantes e discordantes. A análise dos dados foi realizada no software SPSS for Windows, versão 22.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, Estados Unidos). Valor de p < 0,05 foi aceito como estatisticamente significativo. Resultados A idade média da população estudada foi 61,1 ± 11,4 anos e 57,5% dos 574 pacientes eram do sexo masculino. As características baseline são apresentadas na Tabela 1. Quase 50% dos pacientes tinham hipertensão, 30% diabetes mellitus, 32% histórico de tabagismo e um terço dos pacientes estavam em tratamento com estatina. O nível de colesterol LDL médio foi de 117,4 ± 38,3 mg/dl e o não-HDL foi 156,7 ± 46,8 mg/dl. A diferença média entre colesterol não-HDL e LDL foi de 39,2 ± 23,6 mg/dl. Pacientes com grande diferença entre os grupos não-HDL e LDL eram do sexo feminino, estavam em terapia com estatinas em menor proporção e tinham mais diabetes mellitus e altos níveis de triglicerídeos. O escore Gensini médio foi 25,3 ± 39,6, e a mediana foi 12 (0-191); o escore SYNTAX médio foi 7,1± 11,2 e a mediana foi 4 (0-53). Os níveis de LDL estiveram forte e positivamente correlacionados comos níveis denão-HDL (r=0,865, p<0,001), mas houve discordância entre ambos. Essa discordância foi encontrada em15%dos pacientes. Amagnitude da discordância e distribuição dos níveis de colesterol LDL e não-HDL de acordo com as medianas são mostradas na Figura 1. O colesterol não‑HDL foi correlacionado como triglicerídeo (TG) (r =0,431, p<0,001). OescoreGensini foi fortemente correlacionado com o escore SYNTAX (r = 0,927, p < 0,001). Porém, nem o escore Gensini nem o SYNTAX foram correlacionados com colesterol LDL (p = 0,9 e p = 0,9, respectivamente). Os escores também não foram correlacionados com o colesterol não-HDL (p = 0,4 e p = 0,4, respectivamente). Para avaliar melhor as características dos pacientes com discordância e concordância entre colesterol LDL e não-HDL, classificamos os pacientes em 4 subgrupos. Grupo 1: LDL < mediana e não-HDL < mediana, grupo 2: LDL < mediana e não-HDL ≥ mediana, grupo 3: LDL ≥ mediana e não-HDL < mediana, grupo 4: LDL ≥ mediana e não-HDL ≥mediana. Os grupos 2 e 3 foram grupos discordantes (Tabela 2). As variáveis idade, IMC, históricode tabagismoeporcentagem de pacientes com hipertensão não foram diferentes entre os grupos. As porcentagens de pacientes com diabetes mellitus e em tratamento com estatina foram significativamente diferentes entre os grupos (p = 0,004 e p < 0,001, respectivamente). O grupo 2 (LDL < mediana e não-HDL ≥ mediana) teve a maior prevalência de diabetes mellitus e a menor de tratamento em andamento com estatina. A porcentagem mais alta de pacientes em tratamento com estatina foi do grupo 1 (LDL < mediana e não-HDL < mediana). O sexo foi significativamente diferente de um grupo a outro (p = 0,036). O grupo 1 teve a menor porcentagem de mulheres (LDL < mediana e não-HDL < mediana), enquanto o grupo 4 teve a maior (LDL ≥mediana e não‑HDL ≥ mediana). O colesterol total e o LDL estiveram presentes em altas proporções nos grupos com LDL ≥mediana e não‑HDL ≥mediana, mas os níveis de triglicerídeos foram os mais altos no grupo comLDL<mediana e não‑HDL≥mediana (p < 0,001, p < 0,001 e p < 0,001, respectivamente). A porcentagem de pacientes com escore Gensini ou SYNTAX igual a zero não diferiu entre os grupos (p = 0,837 e p = 0,821, respectivamente). Os escores Gensini e SYNTAX médios, a porcentagemde pacientes comescoreGensini ≥20 e SYNTAX > 22 também não diferiram entre grupos (p = 0,635, p = 0,733, p = 0,799 e p = 0,891, respectivamente). Também não houve correlação estatisticamente significativa entre o colesterol LDL e o escore Gensini ou SYNTAX em nenhum dos quatro subgrupos. Também não foi encontrada correlação entre colesterol não-HDL e os escores Gensini ou SYNTAX nos subgrupos (Tabela 3). 471
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