ABC | Volume 114, Nº3, Março 2020

Artigo Original Silva et al. Terapia com varfarina em pacientes com FANV no Brasil Arq Bras Cardiol. 2020; 114(3):457-466 de sensibilidade em outros limiares específicos de TTR (por exemplo, 60% ou 70%). A estabilidade da RNI ao longo do tempo não foi avaliada. Somente custos médicos diretos estavam disponíveis; estes se referiam aos custos de todas as causas incorridos por cada paciente, desconsiderando o motivo da utilização e, consequentemente, podem ter sido superestimados. A utilização de recursos de saúde e subgrupos de pacientes não foram avaliados. De acordo com as normas brasileiras para códigos de procedimento (Apêndice A), a RNI não possui código individual, mas está incluída no código "Teste de coagulação". Como não foi possível segregar, a medida da RNI foi considerada como teste de coagulação completo, e não como uma porcentagem, para todos os pacientes. Verificou-se que uma parcela significativa dos pacientes em uso de varfarina (11%) apresentou escore CHA 2 DS 2 ‑VAS C igual a zero, superior à porcentagemrelatada emoutros estudos (6,1%). 36 A avaliação do CHA 2 DS 2 -VAS C está sujeita à documentação clínica do histórico dos pacientes, considerando que detalhes das condições pré-existentes podem ter sido subnotificados. O programa de monitoramento por telefone foi oferecido a pacientes de uma companhia de seguros de saúde específica e, quando o contrato de um paciente foi rescindido, o acompanhamento não foi possível. Finalmente, algumas das limitações do estudo são inerentes a um desenho de estudo observacional retrospectivo. Isso inclui possíveis erros de codificação e dados ausentes, os quais podem ter introduzido vieses no estudo e afetado o número de pacientes excluídos, e o fato de os dados avaliados não terem sido originalmente coletados para fins de pesquisa clínica. Conclusões Este estudo examinou o perfil dos pacientes, a qualidade da anticoagulação e os desfechos clínicos/econômicos em pacientes tratados comvarfarina para FANV emuma companhia privada de seguros de saúde no Brasil. É representativo de uma coorte grande e relativamente jovemde pacientes tratados com varfarina. A qualidade geral do manejo da anti‑coagulação ficou abaixo do ideal. Os pacientes recebendo varfarina ficaram dentro da faixa terapêutica por pouco mais da metade do tempo. Até dois terços apresentaram controle abaixo do ideal (TTR < 65%) e isto estava associado a mais eventos de sangramento e custos maiores. Essa análise destaca a importância, em termos de resultados e custos, de um rígido controle de anticoagulação para pacientes com FANV tratados com varfarina, e a dificuldade em manter um TTR adequado, mesmo com um programa bem projetado e executado. Pesquisas adicionais são necessárias, à medida que mais dados do mundo real se tornam disponíveis, para avaliar mais profundamente o uso de varfarina, bem como a adoção de Novos Anticoagulantes Orais (NOACS) versus varfarina. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa e Análise e interpretação dos dados: SilvaPGMB, SznejderH, Vasconcellos R, CharlesGM, Mendonca-FilhoHTF, Mardekian J, Nascimento R, Dukacz S, Di Fusco M; Obtenção de dados: Sznejder H; Análise estatística: Mardekian J, Di Fusco M; Obtenção de financiamento: Silva PGMB, Sznejder H, Vasconcellos R, Charles GM, Mendonca-Filho HTF, Di Fusco M; Redação do manuscrito: Silva PGMB, Sznejder H, Vasconcellos R, Charles GM, Dukacz S; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Silva PGMB, Sznejder H, Vasconcellos R, Charles GM, Mendonca-Filho HTF, Mardekian J, Nascimento R, Dukacz S, Di Fusco M. Potencial conflito de interesses Silva PGMB declara ter recebido honorários e bolsas de pesquisa da Pfizer; Mardekian J, Nascimento R e Di Fusco M declaram ser funcionários da Pfizer. Fontes de financiamento O presente estudo foi financiado pela Pfizer. Vinculação acadêmica Nãohá vinculaçãodesteestudoaprogramas depós-graduação. Aprovação ética e consentimento informado Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Pró-Cardíaco sob o número de protocolo 1.835.148. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. 1. Gillis AM. Atrial fibrillation and ventricular arrhythmias: sex differences in electrophysiology, epidemiology, clinical presentation, and clinical outcomes. Circulation. 2017;135(6):593-608. 2. Kirchhof P, Benussi S, Kotecha D, Ahlsson A, Atar D, Casadei B, et al . 2016 ESC Guidelines for the management of atrial fibrillation developed in collaboration with EACTS. 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