ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020

Artigo Original Vieira et al. Avaliação de isquemia miocárdica com iFR Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):256-264 Figura 5 – Curva ROC correspondente ao iFR (instantaneous Wave-Free Ratio. Para o ponto de corte de 0.87 no iFR, obtido através da árvore de classificação, observa-se sensibilidade = 0,57 e 1-especificidade = 0,88. AUC: área sobre a Curva ROC. 1,00 1,00 0,75 0,75 0,50 0,50 0,25 0,25 0,00 0,00 1 - Especificidade Sensibilidade AUC = 0,7933 A discordância entre o FFR e o iFR ocorre em 20% dos casos, e está relacionada com a velocidade do fluxo coronariano hiperêmico, 27 ressaltando-se que quando havia FFR (+) e iFR (-), o fluxo observado foi semelhante ao demonstrado nos vasos não estenóticos das angiografias. Provavelmente essa divergência está relacionada com os mecanismos fisiopatológicos das mensurações. Grandes modificações da pressão através de uma estenose, entre o repouso e a hiperemia indicam um grande aumento de fluxo, semelhante aos valores medidos diretamente da Reserva de Fluxo Coronariano (RFC) > 2,0. Nesse contexto, a presença de iFR > 0,90 e FFR < 0,80 se associou com RFC não limitada por fluxo. 28 No presente estudo o iFR > 0,70 foi observado nas lesões moderadas, enquanto a variabilidade foi maior nas lesões consideradas graves (0,61 a 1,00), o que determinou em sua maioria a colocação dos stents. Essa variabilidade observada nas lesões graves provavelmente reflete alterações de fluxo associadas a colaterais supridas por microcirculação, que são mais frequentes nas lesões crônicas e em vasos onde a área irrigada não é significativa. No presente estudo, 23 lesões ocorreram em sub-ramos diagonais e marginais, descendente posterior e ventricular posterior, corroborando a hipótese anterior. Recentemente, tem sido sugerido que a avaliação funcional guiada pelo emprego do iFR/FFR poderia auxiliar nas revascularizações cirúrgicas completas das anastomoses das lesões de 3 vasos, enxertos venosos, e enxertos no sistema circunflexo. 29 O uso dos modelos de regressão logística e das árvores de classificação permitiu identificar as variáveis mais frequentemente implicadas na reserva de fluxo coronariano. Observou-se que o diabetes mellitus, a dislipidemia, e a presença de lesão moderada e iFR inferior a 0,87 foram preditores do implante de stents nas lesões moderadas e severas dos pacientes portadores de DAC, nos quais os exames complementares não invasivos discordaram da análise anatômica realizada pela angiografia coronariana. No entanto, quanto o modelo foi construído somente com as variáveis significativas, permaneceram apenas o iFR < 0,87 e a presença de lesões moderadas, sinalizando a importância da avaliação funcional nesse grupo de pacientes. A principal limitação do estudo é a falta de seguimento de curto e longo prazo, para que se possa observar a presença de melhora dos desfechos clínicos. A estimativa visual da lesão realizada neste estudo é um conhecido limitante pela variabilidade que ocorre interobservador, porém traduz o mundo real por ser a mais utilizada na prática clínica diária. O objetivo proposto para a experiência inicial do grupo com a avaliação do iFR foi atingido, concluindo-se que houve contribuição aditiva do método para a tomada de decisão 262

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