ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Artigo Original Lacerda et al. Mortalidade na resposta cardioinibitória à MSC Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):245-253 teste de inclinação. 1,6 Em 2006, na primeira fase do presente estudo, dispositivos utilizados para aferição da PA, batimento a batimento, não estavam disponíveis em nenhum dos hospitais públicos da cidade do Rio de Janeiro, e a utilização do teste de inclinação ainda encontrava-se restrita a poucos centros. Assim, a resposta vasodepressora foi avaliada na posição supina pelo esfigmomanômetro. Estemétodo tembaixa acurácia na aferição da resposta vasodepressora 1,6 e, por este motivo, decidiu-se apresentar apenas o componente cardioinibitório do reflexo. História de síncope foi relatada emapenas 7 dos 52 portadores de RCI e emnenhumdeles a perda da consciência era recorrente. Assim, a população deste estudo envolveu predominantemente pacientes comHSC, e não com SSC. A determinação da história natural da SSC é uma tarefa difícil porque amaioria dos pacientes com síncope e RCI é submetida a implante de marca-passo. Nestes indivíduos, o implante de marca-passo objetiva reduzir a recorrência dos episódios sincopais. 1 De acordo com alguns autores, este tratamento também poderia modificar a história natural e a mortalidade de pacientes com SSC. 5,7 Como visto, o implante de marca-passo também se justifica com base no temor de que um episódio prolongado de assistolia possa provocar a morte. 5,7 Os resultados do presente estudo sugerem que este temor é excessivo. Apesar disso, destaca-se que as mais recentes diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Europeia de Cardiologia recomendam implante de marca-passo nos indivíduos com episódios recorrentes de síncope associados a RCI àMSC. 1,2 Ressalta‑se que é fundamental a confirmação da relação entre a bradicardia e os sintomas, pois pausas ou bradicardia sem significado clínico podem ser facilmente induzidas pela MSC de pacientes idosos, sobretudo quando estes fazemuso de substãncias cronotrópicas negativas. 1,2 Conclusão No presente estudo, demonstra-se que, após um seguimento máximo de 11,6 anos, 55,8% dos pacientes de uma coorte de portadores de RCI à MSC faleceram. Esta alta taxa de mortalidade foi semelhante àquela encontrada em uma coorte sem RCI. A mortalidade por doenças do sistema circulatório, a mortalidade por doença isquêmica do coração e a mortalidade atribuída a causas traumáticas também foi semelhante nas duas coortes. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa: LacerdaGC, Lacerda RG, Pedrosa RC; Obtenção de dados: Lacerda GC, Guimarães AEC; Análise e interpretação dos dados: Lacerda GC, Lorenzo AR, Tura BR, Santos MC, Guimarães AEC, Lacerda RG, Pedrosa RC; Análise estatística: Lacerda GC, Lorenzo AR, Tura BR; Redação do manuscrito: Lacerda GC, Lorenzo AR, Santos MC, Lacerda RG, Pedrosa RC; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Lacerda GC, Lorenzo AR, Tura BR, Santos MC. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento Opresente estudo não teve fontes de financiamento externas. Vinculação acadêmica Este artigo é parte de tese de Doutorado de Gustavo de Castro Lacerda pela Faculdade de Medicina da UFRJ – Instituto do Coração Edson Saad. Aprovação ética e consentimento informado Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Geral de Bonsucesso sob o número de protocolo 2.383.341. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. 1. BrignoleM , Moya A, de Lange F , Deharo JC , Elliott PM , Fanciulli A et al. 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope. Eur Heart J. 2018;39(21):1883-948. 2. Martinelli Filho M, Zimerman LI, Lorga AM, Vasconcelos JTM, Rassi Jr. A. Guidelines for Implantable Electronic Cardiac Devices of the Brazilian Society of Cardiology. Arq Bras Cardiol. 2007;89(6):e210-38. 3. Kerr SR, Pearce MS, Brayne C, Davis RJ, Kenny RA. Carotid sinus hypersensitivity in asymptomatic older persons implications for diagnosis of syncope and falls. Arch Intern Med. 2006;166(5):515-20. 4. Freitas J, Santos R, Azevedo E, Carvalho M. Prevalência e perfil clínico da hipersensibilidade do seio carotídeo numa população com síncope inexplicada. Rev Port Cardiol. 2004;23(6):835-40. 5. Peretz D, Abdulla A. 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