ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020

Artigo Original Stefani et al. Dano em DNA e insuficiência cardíaca Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):234-242 Tabela 1 – Massa corporal, características morfométricas cardíacas, área infartada e congestão pulmonar e hepática de ratos de cirurgia placebo e ratos com disfunção ventricular esquerda Variáveis Placebo ICC Massa Corporal Inicial (g) 330,25 ± 17,24 328,29 ± 18,12 Massa Corporal Final (g) 400,50 ± 29,61 356,38 ± 32,23 Área Infartada (%) --- 36,39 ± 8,11 MM/BM (mg/g) 2,56 ± 0,08 3,29 ± 0,46* LV/BM (mg/g) 1,88 ± 0,21 2,36 ± 0,47* RV/BM (mg/g) 0,58 ± 0,12 1,40 ± 1,01* Congestão Pulmonar (%) 65,67 ± 9,34 87,31 ± 3,36* Congestão hepática (%) 70,46 ± 1,05 71,43 ± 1,07 Os valores são apresentados emmédia ± DP; n = 6 para todos os grupos. Placebo: ratos de cirurgia placebo; ICC: ratos com insuficiência cardíaca crônica; MM/MC: Relação massa miocárdica/massa corporal; VE/MC: relação massa ventricular esquerda/massa corporal; VD/MC: relação massa ventricular direita/massa corporal. * P < 0,05 comparado ao grupo placebo. Tabela 2 – Pressão arterial média, diastólica e sistólica, pressão diastólica final do ventrículo esquerdo, pressão sistólica do ventrículo esquerdo e alteração máxima/mínima do ventrículo esquerdo ao longo do tempo de ratos de cirurgia placebo e ratos com disfunção ventricular esquerda Variáveis Placebo ICC PAM (mmHg) 93,01 ± 14,70 76,78 ± 5,83* PAD (mmHg) 73,54 ± 16,28 67,54 ± 7,15 PAS (mmHg) 99,75 ± 20,91 85,93 ± 5,51 Frequência cardíaca (bpm) 253,56 ± 70,84 245,19 ± 57,69 PDFVE (mmHg) 5,40 ± 2,26 32,55 ± 5,32* PSVE (mmHg) 104,24 ± 6,03 89,15 ± 3,15* + dP/dt max (mmHg/s) 6.264,33 ± 1.566,47 4.281,63 ± 708,75* - dP/dt max (mmHg/s) 5.209,63 ± 1.274,09 2.823,80 ± 540,65* Os valores são apresentados em média ± DP; n = 6 para todos os grupos. Placebo: ratos de cirurgia placebo; ICC: ratos com insuficiência cardíaca crônica; PAM: pressão arterial média; PAD: pressão arterial diastólica; PAS: pressão arterial sistólica; PDFVE: pressão diastólica final do ventrículo esquerdo; PSVE: pressão sistólica do ventrículo esquerdo; +dP/dt max: derivada positiva máxima da pressão ventricular; -dP/dt max: derivada negatica máxima da pressão ventricular. * P < 0,05 comparado ao grupo placebo. Parâmetros de dano ao DNA Valores mais elevados de dano ao DNA foram observados em todas as variáveis (% de DNA da cauda, momento da cauda e momento da cauda de Olive) no grupo ICC, em todos os tecidos analisados (Tabela 3). O dano ao DNA pode ser observado na formação e frequência de cometas nas células do ventrículo esquerdo, do pulmão, do diafragma, do gastrocnêmio e do sóleo (Figura 1). Apesar de o dano no DNA ser notavelmente maior em ratos com ICC em todos os tecidos, quando comparado a outros tecidos na mesma condição patológica, observou‑se maior dano no sóleo em relação ao gastrocnêmio e ao ventrículo esquerdo no grupo com ICC. A diferença entre o dano tecidual ao DNA em animais placebo e os de ICC pode ser observada na Figura 2. Discussão Embora existam algumas investigações usando o ensaio cometa na ICC, até onde sabemos, este é o primeiro estudo a relatar a extensão total do dano ao DNA em diferentes tecidos em ummodelo experimental de ICC. O principal achado dessa investigação é a reprodutibilidade e aplicabilidade da SCGE no modelo experimental de IM. Animais com ICC demonstraram maior extensão de dano ao DNA do que o grupo controle no coração, pulmões, diafragma e músculos esqueléticos. Esse achado apoia a principal hipótese de que a ICC afeta a estabilidade do DNA, não localmente, mas sistemicamente. Considerando que a ICC é uma síndrome complexa, é essencial investigar a extensão dos danos que a hipoperfusão pode promover. Foi apresentado um modelo in vivo de ICC cujo dano era de duas a seis vezes maior do que na ausência de insuficiência cardíaca. Os animais deste estudo demonstraram alterações tradicionais observáveis na ligadura do modelo de insuficiência cardíaca da artéria coronária esquerda em ratos. 22,23 Observou-se PDFVE média acima de 30 mmHg, caracterizando disfunção ventricular. 14 Além disso, alterações hemodinâmicas tradicionais foram observadas em animais com ICC, como menor PSVE e derivados máximos positivos e negativos da pressão ventricular. Os parâmetros morfológicos também mostraram alterações significativas na hipertrofia ventricular esquerda e direita, bem como congestão pulmonar. Todos esses parâmetros (hemodinâmicos e morfológicos) caracterizam a presença de ICC. 12,24,25 237

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