ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Minieditorial Timóteo Tendências da insuficiência cardíaca na Paraíba Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):232-233 e média renda ou por diferenças nos critérios de admissão hospitalar, também relatados recentemente. 8,10,11 No Brasil, diferenças substanciais são esperadas entre as regiões em relação às características demográficas, características clínicas e tratamento, quando comparamos regiões desenvolvidas e em desenvolvimento, o que pode explicar alguns dos resultados obtidos nas taxas de mortalidade e hospitalização. Por essa razão, os resultados apresentados para o estado da Paraíba requerem informações adicionais para melhor interpretação, o que em alguns casos contradiz as projeções de dados mundiais. 1,2 Poucos estudos avaliaram as diferentes tendências da IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr) e fração de ejeção preservada (HFpEF), mas a IC com fração de ejeção preservada (ICFEp) pode ser dominante nos próximos anos, porque nos últimos 20 anos, foram relatadas tendências de proporção crescente de pacientes com ICFEp e taxas relativamente estáveis/decrescentes de ICFEr. 2 De fato, o aumento na prevalência de IC pode não estar relacionado a um aumento na incidência. O envelhecimento da população, juntamente com a melhora da sobrevida na IC, principalmente na ICFEr, devido aos avanços no tratamento, é uma explicação provável. 2 Além disso, os programas de prevenção podem estar reduzindo a incidência, com menor gravidade e melhor tratamento da cardiopatia isquêmica. 2 Entretanto, os fatores de risco para doença arterial coronariana ainda estão aumentando. Assim, espera-se uma redução na ICFEr, bem como um aumento na ICFEp com consequentemente mais casos de admissão por IC devido à ICFEp, com menor mortalidade em comparação à ICFEr. 2 A redução de internações também deve ser esclarecida. Informações sobre a disponibilidade do programa de tratamento de doenças da IC ou o uso de dispositivos implantáveis (incluindo as características dos pacientes, mas também a disponibilidade de recursos e a estrutura de reembolso) podem explicar essa redução. 1,3 Outra explicação possível é que os pacientes com IC podem ser detectados mais cedo no curso da doença e, com isso, as internações prematuras podem ser evitadas. Se eles forem tratados de acordo com as diretrizes, isso também pode adiar e reduzir as internações e a mortalidade. 1 O diagnóstico precoce e o tratamento otimizado são importantes indicadores de qualidade para o tratamento da IC, e essa também é uma questão a ser abordada. A assistência médica na Paraíba é significativamente diferente daquela no resto do país? Trata-se principalmente de consultas particulares ou de um sistema público de assistência médica? Como é a acessibilidade dos pacientes aos cuidados de saúde e quais foram as melhorias obtidas (se houver) nos últimos anos? Se possível, todas essas perguntas sobre condições socioeconômicas e dados de saúde devem ser analisadas de 2008 a 2017 para verificar qual é a tendência e melhor identificar as principais especificidades que requerem investimento. 1. Ponikowsky P, Anker SD, AlHabib KF, Cowle MR, Force TL, Hu S, et al. Heart Failure: preventing disease and death worldwide. ESC Heart Fail.2014;1(1):4-25. 2. Savarese G, Lund LH. Global public health burden of heart failure. Cardiac Fail Rev. 2017;3(1):7-11. 3. Chen J, Ross JS, CarlsonMD, Lin Z, Normand SL, BernheimSM, et al. Skilled nursing facility referral and hospital readmission rates after heart failure or myocardial infarction. Am J Med. 2012;125(1):100e1-9. 4. Cook C, ColeG, Asaria P, Jabbour R, Francis DP. The annual global economic burden of heart failure. Int J Cardiol. 2014;171(3):368-76. 5. Fonseca C, Brás D, Araújo I, Ceia F. insuficiência cardíaca em números: estimativasparaoséculoXXIemPortugal.RevPortCardiol.2018;37(2):97-104. 6. Gouveia M, Ascenção R, Fiorentino F, Costa J, Caldeira D, Broeiro-Gonves P, et al. The current and future burden of heart failure in Portugal. ESCHeart Fail.2016;6(2):254-61. 7. Lee WC, Chavez YE, Baker T, Luce BR. Economic burden of heart failure: a summary of recent literature. Heart and Lung; J Critical Care. 2004;33(6):362-71. 8. Crespo-LeiroMG, Anker SD, Maggioni AP, Coats AJ, Filipatos G, Ruschitzka F, et al. European Society of Cardiology Heart Failure Long-Term Registry (ESC-HF-LT): 1-year follow-up outcomes and differences across regions. Eur J Heart Fail. 2016;1(6):613-25. 9. Fernandes ADF, Fernandes GC, MazzaMR, Knijnik LM, Fernandes GS, Vilela AT. Insuficiência cardíaca no Brasil subdesenvolvido: análise e tendência de dez anos. Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):222-23. 10. Callender T,WoodwardM, RothG, Farzadfar F, LeMarie JC, Glicquel S, et al. Heart failure care in low- andmiddle-income countries: a systematic review and meta-analysis. PLoS Med. 2014;11():e1001699. 11. McMurray JJ, O´Connor C. Lessons from the TOPCAT trial. N Engl J Med 2014 Apr 10; 370:1453-4. Referências Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da licença de atribuição pelo Creative Commons 233
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