ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Minieditorial Tendências da Insuficiência Cardíaca na Paraíba: Diagnóstico mais Precoce ou Melhor Tratamento? Eis uma das Questões Heart Failure Trends in Paraíba: Earlier Diagnosis or Better Treatment? – That is One of the Questions Ana Teresa Timóteo 1, 2 Santa Marta Hospital, Centro Hospitalar Lisboa Central, 1 Lisboa – Portugal NOVA Medical School, Lisboa, 2 Lisboa – Portugal Minieditorial referente ao artigo: Insuficiência Cardíaca no Brasil Subdesenvolvido: Análise de Tendência de Dez Anos Correspondência: Ana Teresa Timóteo • Hospital Santa Marta, Departamento de Cardiologia, Rua Santa Marta, 1110, Lisboa – Portugal E-mail: ana_timoteo@yahoo.com Palavras-chave Insuficiência Cardíaca/fisiopatologia, Insuficiência Cardíaca/mortalidade, Insuficiência Cardíaca/epidemiologia, Comorbidade, Insuficiência Cardíaca/tendências, Hospitalização, Custos de Cuidados de Saúde. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20190898 A Insuficiência Cardíaca (IC) é uma síndrome clínica com alta prevalência, morbidade e mortalidade no mundo todo 1-7 . É também uma das principais causas de internações hospitalares, com custos diretos e indiretos elevados. 1-7 É esperado que a prevalência de IC aumente devido ao aumento dos fatores de risco cardiovascular na população em geral e aumento da expectativa de vida. Pacientes idosos são mais propensos ao desenvolvimento de IC, bem como de internações por IC. Por esse motivo, espera-se um aumento no ônus econômico da IC nas próximas décadas. 1-7 Dados publicados anteriormente mostraram, entretanto, algumas diferenças epidemiológicas de acordo com a região do mundo, quando países em desenvolvimento e desenvolvidos foram comparados. Dados recentemente publicados do Heart Failure Long-term Registry da Sociedade Europeia de Cardiologia, um registro que incluiu um amplo espectro de países com antecedentes socioeconômicos muito diferentes, do sul, oeste, norte e leste da Europa, além do Oriente Médio e Norte da África, mostrou diferenças significativas entre as regiões em relação às características basais, características clínicas e também tratamento e desfechos em pacientes com IC aguda e crônica. 8 O Brasil é um país muito grande, com enormes disparidades entre regiões e, portanto, era importante realizar um estudo regional. O artigo de Fernandes et al., 9 publicado nesta revista, é um estudo retrospectivo sobre dados epidemiológicos obtidos entre 2008 e 2017, com base no banco de dados do DATASUS, um banco de dados populacional. 9 Eles estudaram dados especificamente do estado da Paraíba, uma região considerada pelos autores como um estado em desenvolvimento, em comparação com outras partes do Brasil e colocaram os resultados em perspectiva, comparando-os com dados de todo o país. A insuficiência cardíaca foi a primeira causa cardiovascular de internações hospitalares, tanto na Paraíba (29,4%) quanto no Brasil (21%). Houve uma redução significativa de 62% nas internações e 37,5% nos números absolutos de mortalidade hospitalar por insuficiência cardíaca na Paraíba, de 2008 a 2017. No entanto, as taxas de mortalidade intra-hospitalar aumentaram em 65,1%, de 6,6% para 10,9%. Também foi observado um aumento no tempo de hospitalização de 44%. Em valores absolutos, os autores encontraram uma redução não significativa na morte por insuficiência cardíaca, que, no entanto, foi significativa na análise da taxa de mortalidade, com declínio de 10,7%, sendo de 14,0 / 100.000 habitantes. As mesmas tendências também foram observadas nos dados gerais do Brasil, mas a magnitude da alteração foi muito maior na Paraíba. Este artigo levanta muitas questões importantes, que devem ser abordadas em estudos subsequentes. A redução nas internações pode ser a principal explicação para a redução da mortalidade hospitalar em valores absolutos. No entanto, o aumento da taxa de mortalidade hospitalar é um sinal indireto de que os pacientes admitidos estavam provavelmente em piores condições clínicas. Amaior taxa demelhora neste estado, em comparação com o Brasil, pode ser explicada por uma melhora mais sustentada das condições de vida no estado da Paraíba na última década, em comparação com outros estados mais desenvolvidos e provavelmente não melhoraram muito nos últimos anos porque o potencial para melhoras é mais alto nos estados em desenvolvimento. Os autores não mostraram esses dados específicos - houve um aumento mais significativo no produto interno bruto da Paraíba em comparação com outros estados? O estudo europeu mostrou que, no norte da África, a proporção de mulheres é maior quando comparada a outros grupos, com pacientes mais jovens, com menos hipertensão, mas com mais diabetes e fumantes. 8 A etiologia isquêmica foi muito menos frequente, a fração de ejeção foi mais preservada e os pacientes foram menos tratados. 8 Nesse registro, amortalidade por todas as causas em1 ano foi de 23,6% para pacientes com IC aguda e 6,4% para pacientes com IC crônica e as taxas de hospitalização em1 ano foramde 18,7% e 9,9%, respectivamente. No norte da África, observou‑se maior mortalidade por todas as causas (15,6%) e menores taxas de hospitalização (10%) no grupo de IC crônica. Ser do norte da África foi um preditor independente de mortalidade por todas as causas no grupo com IC aguda de até 2,7 vezes em comparação com o sul da Europa. As taxas de mortalidade mais altas observadas foram parcialmente atribuídas ao uso muito menos frequente de terapias médicas recomendadas nas diretrizes para IC com fração de ejeção reduzida, um problema compartilhado por outros países e regiões de baixa 232
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