ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Artigo Original Gonçalves et al. Previsão do TECP em pacientes com IC e FA Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):209-218 contínuas quando a normalidade foi verificada e como mediana e intervalo interquartil quando a normalidade não foi verificada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. O teste t de Student para amostras independentes ou o teste de Mann- Whitney, quando a normalidade não foi verificada, foram utilizados para a análise das variáveis. Os modelos de riscos proporcionais de Cox univariado e multivariado foramaplicados, sendo os valores de P para análises de tempo até o evento baseados em testes de log-rank e razões de risco para efeitos do tratamento e intervalos de confiança de 95% apresentados para estudar o endpoint combinado, considerando os tempo de seguimento de 12 meses. Para selecionar pacientes que se beneficiariam da seleção precoce para TC ou suporte circulatório mecânico, o endpoint primário foi analisado por vários parâmetros do TECP para a maior área sob a curva (AUC) nos 12 meses de seguimento. O teste de Hanley & McNeil foi utilizado para comparar duas curvas de características operacionais do receptor (ROC) correlacionadas. 11 O valor de corte recomendado pela diretriz de pVO 2 (pVO 2 ≤ 12 mL/kg/min ou ≤ 14 mL/kg/min sem betabloqueadores) e da inclinação VE/VCO 2 (inclinação VE / VCO 2 > 35 com um QR < 1,05) para a seleção de TC 7 foi analisado (e comparados para o valor preditivo positivo e negativo (VPP e VPN), respectivamente) em nossa população de pacientes com FA e RS. Diferenças estatísticas com valor de p < 0,05 foram consideradas significativas. Resultados Visão geral dos grupos FA e RS Um total de 274 pacientes foram incluídos no estudo, com 51 pacientes no grupo FA e 223 no grupo RS. As características basais dos grupos RS e FA são apresentadas e comparadas na Tabela 1. Em relação aos dados clínicos, os pacientes com FA eram mais velhos (57,96 ± 8,61 vs. 52,61 ± 12,53, p < 0,001) e havia menor porcentagem de mulheres. Os medicamentos com inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA), betabloqueadores (BB) e antagonistas dos receptores de mineralocorticoides (MRAs) foram semelhantes e altamente prevalentes em ambos os grupos, e não foram encontradas diferenças em relação ao cardioversor-desfibrilador implantável (CDI) e terapia de ressincronização cardíaca (TRC) entre os dois grupos. Não houve diferenças significativas para sódio e NT-proBNP, mas os valores da taxa de filtração glomerular (TFG) foram menores no grupo FA (65,03 ± 29,05 vs. 76,84 ± 30,20, p = 0,012). Uma porcentagem maior de disfunção ventricular direita (40,0% VS 13,0%, p <0,001) e menores valores de FEVE (24,96 ± 7,44 vs. 27,91 ± 7,23, p = 0,010) revelaram pior função biventricular no grupo FA. Os dados do TECP não mostraram diferenças em relação aos parâmetros da frequência cardíaca, mas o grupo FA apresentou menor pressão arterial basal e pressão arterial sistólica (PAS) máxima. Diferenças significativas entre os dois grupos também foram observadas com medidas prognósticas do TECP, com pior status no grupo FA, demonstrado pela menor duração do TECP, pVO 2 , inclinação da eficiência do consumo de oxigênio (OUES), tempo para o limiar anaeróbio (LA), pVO 2 no LA e uma inclinação VE / VCO 2 mais alta (Tabela 1). Endpoints primário e secundário Em 1 ano, o endpoint primário (morte cardíaca ou TC urgente) ocorreu em 27 (9,9%) pacientes, conforme mostrado na Tabela 2. Nenhum paciente necessitou de suporte circulatório mecânico. O grupo FA teve mais eventos em relação ao desfecho combinado (17,6% vs. 8,1%, p = 0,038), commortalidade cardíaca isolada mostrando uma tendência para pior prognóstico no grupo FA (11,8% vs. 5,4%, p = 0,097), sem diferença estatisticamente significante em relação à TC urgente (5,9% vs. 2,7%, p = 0,249). Os endpoints secundários mostraram maior mortalidade por todas as causas (17,6% vs. 6,3%, p = 0,008) e maior morte súbita cardíaca (7,8% vs. 2,2%, p = 0,043) no grupo FA, sem diferença quanto à morte por piora da IC (3,9 % vs. 3,1%, p = 0,777). Os dados completos da análise univariada de Cox para predição do endpoint primário são apresentados na Tabela 3 e na Tabela 4. O HFSS, Sódio, NTproBNP, disfunção ventricular direita, FEVE, duração do TECP, recuperação da frequência cardíaca no primeiro minuto após o término do TECP (RFC1) e PAS inicial e máxima durante o TECP foram preditores do endpoint primário em ambos os grupos, Com exceção do RFC1, os parâmetros de frequência cardíaca (FC) durante o TECP foram preditores apenas do endpoint primário no grupo FA, visto com valores mais baixos de FC máxima, valores mais baixos de FC máxima (%), valores mais baixos da FC máxima prevista (%) e uma variação menor da FC durante o exercício, para pacientes com FA para os quais o endpoint primário ocorreu e para aqueles em quem o mesmo não ocorreu, respectivamente (Tabela 4), Por outro lado, o uso de BB foi um preditor apenas do endpoint primário no grupo RS (Tabela 3), Relação entre os parâmetros prognósticos do TECP e desfecho primário O poder de prever o resultado primário pelos parâmetros do TECP está representado no índice suplementar. A análise univariada de Cox mostra que pVO 2 , pVO 2 (%) previsto, pVO 2 no LA, VE/VCO 2 e OUES são preditores do desfecho primário em ambos os grupos (p < 0,05 para todos). Além da análise de Cox, esses parâmetros do TECP foram analisados para obter a maior AUC no período de seguimento de 12 meses, No grupo RS, a inclinação VE/VCO 2 apresentou o maior valor de AUC (0,906), seguido pelo pVO 2 previsto (%) (0,903), com OUES apresentando o menor valor de AUC (0,798), Apesar dessas diferenças numéricas, não foi encontrada diferença estatisticamente significante quando o teste de Hanley&McNeil foi aplicado para comparar os diferentes valores da AUC dos parâmetros do TECP. 211
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