ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020

Artigo Original Fleury et al. Efeitos da epinefrina e felipressina Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):295-303 Resposta Hipotensiva Mínima A Figura 3 mostra as curvas de resposta hipotensiva mínima à epinefrina. O fumo reduziu significativamente a resposta hipotensiva em ratos normotensos (p < 0,05). Houve uma redução significativa na resposta ao vasodilatador no grupo 1K1C tratado com atenolol após a administração de epinefrina. A felipressina, como esperado, não apresentou resposta hipotensiva significativa nos três grupos estudados (Figura 3B). Frequência Cardíaca A epinefrina causou um aumento significativo da frequência cardíaca em ratos normotensos e hipertensos 1K1C quando comparados aos valores basais de cada grupo, mas o fumo não alterou esse efeito (Figura 4A). Os ratos 1K1C tratados com atenolol não apresentaram alterações nesse parâmetro, provavelmente devido ao efeito antagonista do atenolol nos receptores β 1. A felipressina mostrou redução significativa da frequência cardíaca em ratos normotensos não fumantes quando comparados com os valores basais (Figura 4B). O fumo aumentou significativamente a frequência cardíaca apenas em doses de 1 e 2 mUI de felipressina, quando comparado ao controle normotenso não fumante. Duração da Resposta A duração da resposta está descrita na Tabela 2. A felipressina apresentou uma duração significativamente maior das respostas de pressão arterial do que a epinefrina em todos os grupos estudados. Comparação entre Epinefrina e Felipressina Ao comparar as respostas da felipressina à epinefrina em cada grupo, a felipressina apresentou efeito hipertensivo reduzido nos ratos fumantes normotensos, ratos fumantes 1K1C tratados com atenolol e em não-fumantes 1K1C tratados com atenolol (Figura 5). Nos ratos hipertensos fumantes e não fumantes, não houve diferença significativa entre os dois vasoconstritores. Em ratos normotensos não fumantes, a felipressina resultou em maior efeito hipertensivo em comparação com a epinefrina. Discussão Associamos o fumo à hipertensão e ao tratamento com atenolol na tentativa de reproduzir uma doença multifatorial. Com o objetivo de fornecer informações de segurança sobre o uso isolado de vasoconstritores administrados por via intravascular, os quais não podem ser testados em seres humanos, nosso estudo teve como finalidade testar se a epinefrina é contraindicada na população de fumantes e hipertensos e fornecer uma alternativa segura através da análise de efeitos sistêmicos. A epinefrina foi utilizada como vasoconstritor de escolha em pacientes hipertensos, segundo a American Heart Association (AHA), 9 em comparação à felipressina, menos estudada e não relacionada ao sistema nervoso autônomo simpático. 12 Nossos dados mostramque a epinefrina manteve as mesmas respostas à pressão arterial, em ratos fumantes hipertensos ou não-fumantes hipertensos sem tratamento com atenolol (Figuras 2A e 3), mas aumentou significativamente a frequência cardíaca (Figura 4A). Contudo, em ratos não-fumantes tratados com atenolol, a resposta da pressão arterial foi mais elevada em comparação com os fumantes. Considerando todos os dados sobre segurança da epinefrina em combinação com anestésico local na população hipertensa, 13 nossos resultados sugerem que a resposta hipertensiva à epinefrina em ratos fumantes e não-fumantes hipertensos sem tratamento com atenolol permanece inalterada. Por outro lado, os ratos hipertensos, fumantes e tratados com atenolol, apresentaram medidas da pressão arterial significativamente maiores em comparação aos animais não tratados. Ainda não está claro se o tabagismo aumenta os valores da pressão arterial, pois alguns estudos indicaram que o fumo pode potencializar um histórico familiar e aumentar os valores da pressão arterial sistólica, diastólica e média arterial. 6 Em nosso estudo, os grupos de fumantes não apresentaram valores basais da pressão arterial aumentados em comparação com Figura 3 – Curvas de resposta hipotensiva mínima após injeção intravenosa em bolus de adrenalina em ratos controle não-fumantes e fumantes normotensos, 1K1C hipertensos não-fumantes e 1K1C hipertensos fumantes, 1K1C não fumantes tratados com atenolol e 1K1C fumantes tratados com atenolol. n = 6 Média ± desvio padrão. *p < 0,05 vs. grupos não fumantes. Ratos normotensos Ratos normotensos fumantes Epinefrina (ng) Ratos hipertensos Ratos hipertensos fumantes Ratos tratados com atenolol Ratos fumantes tratadoscomatenolol Epinefrina (ng) Epinefrina (ng) Δ Pressão (mmHg) 299

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