ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020

Minieditorial Salemi et al. Diástole na valvopatia aórtica pela ressonância magnética Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):293-294 importante limitação do estudo, tal ausência impossibilita a estimativa de acurácia, sensibilidade, especificidade e valores preditivos dessa metodologia. Outrossim, a falta de avaliação da concordância interobservadores e de validação interna e externa, associada ao fato de o grupo-caso ser composto por uma população significativamente heterogênea (estenose e insuficiência valvar), exige que tais resultados sejam interpretados comextrema cautela, não podendo ser extrapolados para outras amostras oudistintas cardiomiopatias antes de seremclinicamente validados. Outro dado relevante é ser consensualmente aceito que pacientes com valvopatia aórtica grave, seja estenose ou insuficiência, já com alteração morfológica e da complacência ventricular, encontram-se sintomáticos. Os pacientes com valvopatia aórtica avançada apresentammaior massa ventricular e redução da fração de ejeção, quando comparados com o grupo saudável. Nesse contexto, é esperado que medidas de função sistólica e diastólica estejam diferentes em relação ao grupo-controle saudável. Como sugestão para futuros trabalhos, a inclusão de outras variáveis facilmente obtidas nas sequências básicas de RMC, como volume do átrio esquerdo (um marcador crônico de disfunção diastólica e de risco cardiovascular) ou a presença de realce tardio do VE (indicador de fibrose como potencial substrato para comprometimento miocárdico), certamente enriqueceria o debate sobre o papel da RMC na disfunção diastólica do VE. Além disso, seria interessante a sua validação por métodos clinicamente utilizados, como medidas invasivas da constante de Tau, ou por parâmetros ecocardiográficos, que são medidas já validadas para análise da função diastólica em diferentes cardiopatias. 1. Bai X. Calculation of left ventricular relaxation time constant-Tau in humans by continuous-wave Doppler. Open Cardiovasc Med J. 2008;2:9-11. 2. Nagueh SF, Abraham TP, Aurigemma GP, Bax JJ, Beladan C, Browning A, et al. for Diastolic Function Assessment Collaborators. Interobserver variability in applying American Society of Echocardiography/ European Association of Cardiovascular Imaging 2016 Guidelines for estimation of left ventricular filling pressure. Circ Cardiovasc Imaging. 2019;12(1):e008122. 3. Parikh KS, Sharma K, Fiuzat M, Surks HK, George JT, Honarpour N, et al. Heart failure with preserved ejection fraction expert panel report: current controversies and implications for clinical trials. JACC Heart Fail. 2018;6(8):619-32. 4. Almeida JG, Fontes-Carvalho R, Sampaio F, Ribeiro J, Bettencourt P, Flachskampf FA, et al. Impact of the 2016 ASE/EACVI recommendations on the prevalence of diastolic dysfunction in the general population. Eur Heart J Cardiovasc Imaging. 2018;19(4):380-6. 5. NaguehSF,SmisethOA,AppletonCP ,ByrdBF3rd,DokainisahH,Edvardsen T, et al. Recommendations for the evaluation of left ventricular diastolic function by echocardiography: an update from the American Society of Echocardiography and the European Association of Cardiovascular Imaging. J Am Soc Echocardiogr. 2016;29(4):277-314. 6. Ribeiro SM, Azevedo Filho CFd, Sampaio R, Tarasoutchi F, GrinbergM, Kalil Filho R, et al. Longitudinal shortening of the left ventricle by cine-CMR for assessment of diastolic function in patients with aortic valve disease. Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):284-292. 7. Chamsi-PashaMA, Zhan Y, Debs D, ShahDJ. CMR in the evaluation of diastolic dysfunctionandphenotypingofHFpEF:currentroleand futureperspectives. JACC Cardiovascular Imaging. 2019 Jun 8. pii: S1936-878X(19)30373-0. 8. Kurita A, Kono K, Morita H. Diastolic cardiac function is synonymous with long-axis systolic function: a novel concept in cardiac function. Echocardiography. 2012;29(4):397-402. 9. DuschMN, Thadani SR, Dhillon GS, HopeMD. Diastolic function assessed by cardiac MRI using longitudinal left ventricular fractional shortening. Clinical Imaging. 2014;38(5):666-8. 10. Saba SG, Chung S, Bhagavatula S, Donnino R, Srichai MB, Saric M, et al. A novel and practical cardiovascular magnetic resonance method to quantify mitral annular excursion and recoil applied to hypertrophic cardiomyopathy. J Cardiovasc Magn Reson. 2014 May 20;16:35. Referências Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da licença de atribuição pelo Creative Commons 294

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