ABC | Volume 114, Nº2, Fevereiro 2020
Artigo Original Ribeiro et al. Avaliação simplificada da função diastólica por RM Arq Bras Cardiol. 2020; 114(2):284-292 Análise da JAV Foram calculados as médias e os desvios padrões de cada variável da movimentação da JAV (DM, VMID, IVD e IVD/ VMID) dos pacientes com DVA e controles normais. Os dados da JAV foram comparados entre pacientes e controles. Encontramos diferenças estatisticamente significativas no DM, e nos três parâmetros da RMC relacionados à função do VE (VMID, IVD e IVD/VMID) em pacientes com DVA em comparação aos controles normais, como observado na Tabela 3 e na Figura 3. Os pacientes com DVA mostraram menor DM na JAV em comparação aos voluntários sadios. A JAV dos pacientes com DVA recuou a uma velocidade máxima (s -1 ) significativamente menor em início da diástole em comparação a voluntários sadios. Por outro lado, durante a diástase, o deslocamento da JAV ocorreu em velocidades significativamente maiores em pacientes com DVA. Encontramos uma razão IVD/VMID 17 vezes maior em pacientes com DVA em comparação aos voluntários sadios (Figuras 3 e 4, Tabela 3). A análise de Bland-Altman (Figura 5) para o DM revelou um viés de -2,81 e IC (interval de confiança) de 95% de -3,66 a -1,95 para os controles (p < 0,001), e um viés de -2.97 e IC 95% de -4,11 a -1,83 para os pacientes comDVA (p < 0,001). A comparação da função diastólica baseada nos parâmetros da JAV entre pacientes com estenose predominante e pacientes com regurgitação predominante apresentou diferenças significativas em todos os parâmetros da função diastólica medidos por RMC (Tabela 4). Distúrbios da função diastólica foram maiores em pacientes com regurgitação aórtica em comparação com pacientes com estenose. Tabela 2 – Parâmetros da ressonância magnética cardíaca em pacientes com doença aórtica valvar e indivíduos controles Regurgitação aórtica Estenose aórtica Controles p n (%) 11(42,3) 15 (57,7) 19 VDFVE, ml 299,6 ± 68,5 179,99 ± 42,1 129,5 ± 24,7 < 0,001 VSFVE, ml 148,9 ± 60,4 82,0 ± 28,7 45,5 ± 9,4 < 0,001 FEVE, % 51,7 ± 11,4 55,1 ± 9,1 64,7±5,3 < 0,001 Massa do VE, g 264,2 ± 42,4 272,8 ± 45,5 118,1±40,5 < 0,001 Hipertrofia excêntrica, n (%) 10(90,9) 1(6,7) - Hipertrofia concêntrica, n (%) 1(9,1) 14(93,3) - < 0,001 VDFVE: volume diastólico final do ventrículo esquerdo; VSFVE: volume sistólico final do ventrículo esquerdo; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; VE: ventrículo esquerdo. Critérios de definição de hipertrofia concêntrica foi razão entre massa do ventrículo esquerdo e VDFVE > 1,16 g/ml. Tabela 3 – Comparação das variáveis do deslocamento da junção atrioventricular entre pacientes com doença valvar aórtica e voluntários sadios Controle DVA p DM (cm) –0,169 ± 0,034 –0,115 ± 0,035 < 0,0001 VMID (s -1 ) 1,439 ± 0,388 0,65 ± 0,413 < 0,0001 IVD (s -1 ) 0,029 ± 0,069 0,224 ± 0,232 < 0,0001 IVD/VMID 0,021 ± 0,051 0,352 ± 0,292 < 0,0001 DM: deslocamento máximo; VMID: velocidade máxima em início de diástole; IVD: inclinação da melhor linha de ajuste da velocidade da junção atrioventricular na diástase Parâmetros da função diastólica, da estrutura do VE e parâmetros clínicos Resultados da análise univariada e da análise de regressão linear múltipla incluindo massa, volume e função do VE, bem como características dos pacientes tais como idade, sexo, frequência cardíaca e pressão arterial estão apresentadas na Tabela 5. Em análise univariada, o DM e o VMID correlacionaram significativamente com volume do VE, fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), e massa do VE. O VMID também se correlacionou com pressão arterial sistólica (PAS). IVD/VMID correlacionou-se commassa do VE, FEVE e frequência cardíaca (FC). A IVD mostrou correlação somente com a massa do VE e com a FC (Tabela 5). Em um modelo de regressão linear multivariado, somente a massa do VE foi preditora de DM e VMID. Todos os demais parâmetros do VE – estrutura, volume e função – não forampreditores de DMe VMID nesta abordagem multivariada. A variável sexo e a massa do VE foram preditores independentes da IVD, e a razão IVD/VMID foi prevista pela massa do VE e pela FEVE. Em resumo, esses resultados indicam que a massa do VE mantém uma correlação com os quatro parâmetros de função diastólica medidos na regressão univariada e na regressão linear múltipla (seleção pelo método forward stepwise ). Além disso, sexo e FEVE mantiveram correlação significativa com IVD e IVD/VMID, respectivamente. As demais variáveis não se correlacionaram de maneira independente com os parâmetros da função diastólica derivados das medidas lineares. Portanto, o tamanho corporal (índice de massa corporal), a FC e a pressão arterial não tiveram influência significativa sobre parâmetros da função diastólica lineares medidos por RMC. 288
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