ABC | Volume 114, Nº1, Janeiro 2020

Minieditorial Mendes e Martins Efeitos do treinamento físico na remodelação, inflamação e stress oxidativo Arq Bras Cardiol. 2020; 114(1):106-108 com um agente antiinflamatório inibidor de TNF. 6 Além disso, uma fonte importante de MMP-9 são os leucócitos, que desempenham um papel fundamental no processo inflamatório, indicando que as MMPs são moduladoras críticas de doença cardiovascular em ummodelo de envelhecimento/ deficiência de estrogênio. Embora a reposição de estrogênio tenha sido proposta para o controle dos riscos associados ao envelhecimento nas mulheres, sua eficácia é controversa. A atividade física parece ser uma alternativa eficaz para a suplementação de estrogênio para as mulheres na pós-menopausa, melhorando a capacidade aeróbica e as adaptações fisiológicas do sistema cardiovascular. 7-9 Curiosamente, há evidências relacionadas à perda de estrogênio nos camundongos, o que indica uma função nas propriedades contráteis do músculo. Wohlers et al., 10 estudaram as propriedades contráteis do músculo de camundongos ovariectomizadas e demonstraram baixa capacidade de fosforilação em monofosfato-adenosina proteína quinase ativada (AMP-Q). 10 Essa proteína é importante para a captação de glicose e oxidação lipídica no músculo, tendo implicações na geração de energia, necessária para produzir as contrações musculares. 1,11,12 Associada à atividade física está a produção de espécies reativas de oxigênio (EROS), que pode causar danos às proteínas e lipídios das membranas celulares, assim como ao DNA mitocondrial e nuclear, em caso de estresse oxidativo, podendo resultar em lesão celular grave ou irreversível. 13,14 Novais et al., 15 relataram que, após oito semanas de treinamento de exercício realizado pelo grupo de mulheres hipertensas na menopausa, foi verificado o aumento das enzimas superóxido dismutase (SOD) e catalase (CAT), agentes antioxidantes, que desempenham um papel fundamental na modulação do estresse oxidativo. Também em estudos com animais, Claudio et al ., 16 demonstraram que os programas de treinamento intervalado de oito semanas aumentaram significativamente a expressão da SOD e CAT, contribuindo para a redução da geração de superóxido cardíaco em camundongos ovariectomizadas, nesse caso, com hipertensão, o que pode prevenir a doença coronária nas mulheres hipertensas na pós-menopausa. 1,7,14 Brianezi et al ., 4 concluem que o treinamento aeróbico de intensidade moderada age sobre o volume das fibras colágenas e sobre o remodelamento do colágeno, com redução do estresse oxidativo nos ventrículos esquerdos dos camundongos LDLr Knockout ovariectomizadas. Sabe-se que, depois da menopausa, diferentes fatores contribuem para a redução da massa muscular. 16 A combinação de inatividade física e a ingestão de proteínas seguramente contribuem para o aumento desse processo, 16 associadas ao aumento do estresse oxidativo, caracterizado pelo desequilíbrio entre a produção e a remoção de radicais livres, geralmente em decorrência de um sistema antioxidante inadequado. 16,17 O estresse oxidativo está relacionado com uma produção elevada de EROs a partir das mitocôndrias, que pode induzir a apoptose celular. 18 Isso significa que o DNA mitocondrial pode ser danificado devido ao estresse oxidativo, afetando a capacidade das mitocôndrias de gerar energia, contribuindo para uma maior susceptibilidade à apoptose que, por fim, acelera a atrofia ou a morte das fibras musculares e diminui a massa muscular. 1 Vistos em conjunto, os resultados de Brianeziet al ., 4 concluem que o exercício físico contribui positivamente para influenciar os grupos controle e dislipidêmico no parâmetro de densidade e volume de fibras colágenas do tipo I e o grupo controle em relação ao estresse oxidativo. Os mecanismos subjacentes à fisiopatologia das alterações provocadas pela menopausa são complexos e envolvem a desregulação estrogênio-MMP-metabólica com as alterações vasculares ocasionadas pelo envelhecimento. Agradecimentos Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), Portugal (Projetos estratégicos UID/NEU/04539/2013 e UID/ NEU/04539/2019), e COMPETE-FEDER (POCI-01-0145- FEDER-007440). 1. MaltaisML, Desroches J,Donne IJ. Changes inmusclemass and strength after enopause. J Musculoskelet Neuronal Interact. 2009;9(4):, 186–97. 2. Carter CS, Justice JN,Thompson L. Lipotoxicity, aging, and muscle contractility: does fiber type matter? GeroScience.2019;41(3);297-308. 3. Calmels P, Vico L, Alexandre C, Minaire P. Cross-sectional study of muscle strength and bone mineral density in a population of 106 women between the ages of 44 and 87 years: relationshipwith age andmenopause. Eur J Appl Physiol Occup Physiol.1995;70(2):180-6. 4. Brianezi L, Ornelas E, Gehrke FS, Fonseca LA, Alves BC, Sousa VA, et al. Efeitos do treinamento físico sobre o miocárdio de camundongos LDLr Knockut ovariectomizadas: MMP -2c-9, Colageno I/II, inflamação e estresse oxidativo. Arq Bras Cardiol. 2020; 114(1):100-105. 5. Lurbe E, Cifkova R, Cruickshank JK, Dillon MJ, Ferreira I, Invitti C, et al. Management of high blood pressure in children and adolescents: recommendations of the European Society of Hypertension. J. Hypertens.2009;27(2):1719-42. Referências 107

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