ABC | Volume 114, Nº1, Janeiro 2020
Minieditorial O Impacto do Exercício Físico na Inflamação, Stress Oxidativo e na Remodelação do Músculo Cardíaco The Impact Of Exercise On Inflammation, Oxidative Stress And Remodelling In Cardiac Muscle Fernando Mendes 1,2,3, 4 e Diana Martins 1, 5 Politécnico de Coimbra - Departamento de Ciências Biomédicas Laboratoriais ESTeSC, 1 Coimbra – Portugal Consórcio CNC.IBILI/ Centro de Biomedicina Inovadora e Biotecnologia (CIBB), Universidade de Coimbra, 2 Coimbra – Portugal Instituto de Biofísica e Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR) área de Meio Ambiente Genética e Oncobiologia (CIMAGO), Faculdade de Medicina, Universidade de Coimbra, 3 Coimbra – Portugal European Association for Professions in Biomedical Sciences, 4 Bruxelas – Bélgica I3S, Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto, 5 Porto – Portugal Minieditorial referente ao artigo: Efeitos do Treinamento Físico sobre o Miocárdio de Camundongos LDLr Knockout Ovariectomizadas: MMP-2 e -9, Colágeno I/III, Inflamação e Estresse Oxidativo Correspondência: Fernando Mendes • Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra - Departamento de Ciências Biomédicas Laboratoriais, Gabinete 1.9 - Rua 5 de Outubro - SM Bispo - Apartado 7006. Código Postal 3046-854 Coimbra – Portugal E-mail: fjmendes@estescoimbra.pt Palavras-chave Doença da Artéria Coronária; Exercício; Menopausa; Dislipidemia; Atividade Física; Colágeno; Estresse Oxidativo; Inflamação; Camundongos. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20190735 O envelhecimento está naturalmente associado à diminuição de algumas, senão todas, as funções fisiológicas, nomeadamente perda da densidade da massa óssea (DMO) e força, relacionada à perda de massa muscular. 1-3 Essa perda de massa muscular acontece principalmente devido a um desequilíbrio entre a síntese de proteína muscular e o colapso da proteína muscular. O aumento de fatores catabólicos, tais como o estresse oxidativo e a inflamação, contribui significativamente para o processo acima mencionado. Todavia, o enfraquecimento da força e perda muscular não é linear, ocorrendo de maneira distinta em ambos os sexos. Outros fatores, como a queda dos níveis hormonais como consequência do fenômeno da menopausa, também são considerados responsáveis por esse processo. 1 De fato, alguns autores propuseram que, entre as mulheres, uma perda acelerada de massa muscular e força surge mais cedo em relação aos homens, próximo à época da menopausa. 1 Um conjunto de evidências sustenta que a diminuição da massa muscular pode estar relacionada com a diminuição de estrogênio que caracteriza os anos da menopausa. 3 O presente estudo publicado na Arquivos Brasileiros de Cardiologia por Brianezi et al., 4 propôs investigar os efeitos do treinamento físico aeróbico sobre o ventrículo esquerdo de camundongos ovariectomizadas, com knockout de lipoproteínas de baixa densidade (LDL knockout ), simulando os efeitos da menopausa, do exercício e seus efeitos sobre os músculos dos camundongos. Sabe-se que a diminuição de estrogênio contribui para a perda da DMO, bem como para a redistribuição de gordura subcutânea para a área visceral, e está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, afetando a qualidade de vida das mulheres. Para piorar o impacto indesejado da menopausa sobre a saúde das mulheres, a diminuição dos níveis de estrogênio também pode ter um efeito direto sobre o tecido muscular. 1,3 A fim de melhor compreender os efeitos mencionados acima, Brianezi et al., 4 elaboraram o seguinte experimento: um grupo de trinta animais foi dividido em 6 grupos, cada um com 5 camundongos, controle sedentário não ovariectomizado, controle sedentário ovariectomizado, controle treinado ovariectomizado, sedentário LDL‑ knockout não ovariectomizado, sedentário LDL- knockout ovariectomizado e treinado LDL- knockout ovariectomizado. Os animais foram ovariectomizados aos 9 meses de acordo com o protocolo descrito. Em seguida, os animais foram expostos a dois testes diferentes: um teste de treinamento máximo e um de treinamento de exercícios. Depois, os animais foram eutanaziados e parâmetros, tais como densidade volumétrica das fibras colágenas dos tipos I e III, mertaloproteinases da matriz (MMP) 2 e 9, além do estresse oxidativo, foram avaliados. Os resultados revelaram que o protocolo de exercício alterou o volume de fibras colágenas do tipo I e os parâmetros de remodelamento do colágeno (MMP-2), e ainda reduziu o parâmetro de estresse oxidativo do 8-hidroxi-2’-deoxiganosina (8-OhdG). Nas mulheres, o envelhecimento do sistema vascular apenas ocorre devido à diminuição da função dos ovários, em conjunto com a diminuição dos hormônios circulantes associados, em particular o estrogênio. 5 Embora os fatores de risco, idade e deficiência de estrogênio estejam bem caracterizados, o mecanismo de ação do estrogênio na vasculatura comprometida pelo envelhecimento não está bem esclarecido. A inflamação está associada com o envelhecimento do sistema vascular, principalmente devido aos níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias, como o fator de necrose do tumoral (TNF), que também induz a MMP. Por exemplo, a MMP2 pode clivar especificamente a big endothelin-1, indicando a função desta enzima proteolítica na parede vascular. Além disso, um estudo interessante encontrou um aumento na atividade de MMP2 nas artérias mesentéricas de animais idosos/deficientes em estrogênio, que foi restabelecida quando os animais foram tratados 106
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=