ABC | Volume 114, Nº1, Janeiro 2020
Artigo Original Leite et al. Espessura carotídea em pacientes infectados pelo HIV Arq Bras Cardiol. 2020; 114(1):90-97 Tabela 4 – Associação dos fatores de risco relacionados à espessura da camada íntima-média da artéria carótida, análise multivariada estratificada de acordo com o status de infecção pelo HIV Marcadores inflamatórios ‡ HIV+ HIV- EIMC > 0,61 mm OR (IC 95%)* Valor de p EIMC > 0,61 mm OR (IC 95%) † Valor de p PCR US 1, 17 (0,45–2,98) 0,747 0,31 (0,02–5,31) 0,425 VCAM-1(x10 -3 ) 0, 54 (0,21–1,38) 0,197 1,08 (0,07–17,4) 0,954 IFN 1, 76 (0,69–4,51) 0,238 - - IL-1 10,4 (0,71–151,2) 0,087 6,14 (0,24–156) 0,272 TNF-α 31,2 (2,70–361) 0,006 3,06 (0,12–79,3) 0,500 *Ajustado por idade e tabagismo. † Ajustado por idade e colesterol total. ‡ Análise considerando o valor mediano dos marcadores. EIMC: espessura da camada íntima-média de artéria carótida; OR: odds ratio. Ao avaliar a associação entre marcadores inflamatórios e EMIC, observou-se associação significativa com TNF- α na análise multivariada, pois o aumento dos níveis de IL1- β apresentou maior chance de aterosclerose com valor de p próximo à significância. Ssinabulya et al. 18 encontraram altos níveis de PCR-us não associados à EMIC. Entretanto, em outros estudos, a maior EMIC foi associada a níveis mais altos de IL‑2, IL-6, TNF- α , PCR-us e sVCAM-1 2,3 . Tanto nossos estudos quanto os outros citados têm pequeno tamanho amostral, sendo necessárias mais investigações para confirmar com maior precisão a relação entre marcadores inflamatórios e a ocorrência de aterosclerose carotídea. Nosso resultado pode ser explicado pela seleção cuidadosa de nossos pacientes. Ambos são atendidos em um centro de referência para tratamento do HIV, com bom acompanhamento médico. Nossa amostra avalia um paciente “ideal”, com carga viral indetectável por provavelmente um longo período de tempo, já que o tempo de TARV é superior a cinco anos em 63% deles e não houve uso prévio ou atual de inibidores de protease. Além disso, o cálculo do ERF para doenças cardiovasculares é baixo. Esses dados apontam para a importância da conscientização dos pacientes entre os profissionais de saúde, orientando-os e controlando fatores de risco como tabagismo, diabetes, hipertensão e dislipidemia. Conclusão Indivíduos HIV-positivos com carga viral indetectável de RNA HIV-1, com baixo risco de doença cardiovascular, utilizando NRTI e NNRTI apresentaram espessura carotídea semelhante em comparação com pessoas não-infectadas. Os marcadores inflamatórios IL-6, hs-PCR, sVCAM-1 e sICAM-1 apresentaram níveis semelhantes nos grupos estudados e IFN- γ , IL-1 e TNF- α apresentaram níveis mais baixos na população com HIV. Ao avaliar a associação entre marcadores inflamatórios e EMIC na análise multivariada, TNF- α e IL1- β mostraram-se associados a uma maior chance de espessamento da carótida. Nosso estudo demonstra que indivíduos HIV-positivos com carga viral indetectável em TARV sem inibidores de protease e com baixo risco cardiovascular não apresentam diferenças na espessura da carótida em relação aos indivíduos não-infectados. O controle da carga viral com NRTIs e NNRTIs, além da manutenção de parâmetros de risco cardiovascular sob controle – como tabagismo, diabetes e dislipidemia – possivelmente resultam em pacientes com HIV com menor risco de ocorrência de aterosclerose subclínica. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa, Análise estatística e Redação do manuscrito: Leite KME; Obtenção de dados: Leite KME, Santos Júnior GG, Godoi ETAM, Vasconcelos AF, Lorena VMB, Araújo PSR, Lacerda HR; Análise e interpretação dos dados: Leite KME, Lacerda HR; Obtenção de financiamento: Lacerda HR; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Godoi ETAM, Lima KO, Lacerda HR. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento O presente estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de DesenvolvimentoCientífico e Tecnológico. Vinculação acadêmica Este artigo é parte de dissertação de Mestrado de Kaliene Maria Estevão Leite pela Universidade Federal de Pernambuco. Aprovação ética e consentimento informado Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Pernambuco sob o número de protocolo 307087. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo. 96
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