ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019

Artigo Original Preditores de Desfecho Desfavorável em Crianças e Adolescentes Submetidos à Valvoplastia Mitral Cirúrgica Secundária a Cardiopatia Reumática Crônica Predictors of Unfavourable Outcomes in Children and Adolescents Submitted to Surgical Mitral Valvuloplasty Secondary to Chronic Rheumatic Heart Disease Renata Cristina Castro Cruz, 1 Bruna Silva Cordeiro, 2 Felipe de Souza Santos, 3 Caroline Rodrigues Fernandes, 3 Julia Maria Alves Gama, 1 Ana Marice Teixeira Ladeia 1 Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, 1 Salvador, BA – Brasil Faculdade de Tecnologia e ciências, 2 Salvador, BA – Brasil Universidade Federal da Bahia, 3 Salvador, BA – Brasil Correspondência: Renata Cristina Castro Cruz • Rua Waldemar Falcão, 1695, apt. 1501 - Norte. CEP 40295-010, Horto Florestal, BA – Brasil E-mail: rennatacruz@yahoo.com.br , rennatacruz@gmail.com Artigo recebido em 30/05/2018, revisado em 19/12/2018, aceito em 23/01/2019 DOI: 10.5935/abc.20190184 Resumo Fundamento: A plastia da valva mitral, em pacientes pediátricos com cardiopatia reumática crônica, é superior à troca valvar e vem sendo utilizada com bons resultados. Objetivo: Identificar variáveis preditoras de desfecho desfavorável em crianças e adolescentes submetidos à valvoplastia mitral cirúrgica secundária à cardiopatia reumática. Métodos: Estudo retrospectivo em 54 pacientes menores de 16 anos, operados em um hospital pediátrico terciário entre março de 2011 e janeiro de 2017. As variáveis preditoras de risco para desfecho desfavorável foram: idade, fração de ejeção, grau de insuficiência mitral, grau de hipertensão pulmonar, presença de insuficiência tricúspide, dilatação de câmaras esquerdas, classe funcional no pré-operatório, tempo de circulação extracorpórea, tempo de anóxia, presença de fibrilação atrial e tempo de uso de droga vasoativa. Os desfechos avaliados foram: morte, insuficiência cardíaca congestiva, reoperação, insuficiência mitral residual, estenose mitral residual, acidente vascular cerebral, sangramento e troca valvar. Para todas as análises foi estabelecido valor de p < 0,05 como significante. Resultados: Dos pacientes avaliados, 29 (53,7%) eram do sexo feminino, com média de idade de 10,5 ± 3,2 anos. A classe funcional de 13 pacientes (25%) foi 4. Não houve morte na amostra estudada. O tempo médio de circulação extracorpórea foi de 62,7 ± 17,8 minutos e de anóxia 50 ± 15,7 minutos. O tempo de uso de droga vasoativa no pós-operatório imediato teve mediana de 1 dia (intervalo interquartil 1–2 dias). O modelo de regressão logística foi utilizado para avaliar as variáveis preditoras para o desfecho desfavorável. O tempo de uso de droga vasoativa foi o único preditor independente para os desfechos estudados (p = 0,007). A insuficiência mitral residual foi associada à reoperação (p = 0,044), enquanto a insuficiência tricúspide (p = 0,012) e a hipertensão pulmonar (p = 0,012) se associaram à presença de desfechos desfavoráveis. Conclusão: O tempo de uso de droga vasoativa é um preditor independente para desfechos desfavoráveis no pós‑operatório imediato e tardio, enquanto insuficiência mitral residual se associou à reoperação e tanto a insuficiência tricúspide quanto a hipertensão pulmonar foram associadas a desfechos desfavoráveis. (Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):748-756) Palavras-chave: Cardiopatias Congênitas, Insuficiência da Valva Mitral/cirurgia, Hipertensão Pulmonar, Reoperação, Insuficiência da Valva Tricúspide/cirurgia, Cardiopatia Reumática. 748

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