ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019
Artigo Original O Uso do Strain Bidimensional Obtido pelo Speckle Tracking na Identificação da Disfunção Ventricular Incipiente em Pacientes Infectados pelo HIV em Uso de Terapia Antirretroviral, Pacientes HIV não Tratados e Controles Saudáveis The Use of Two-Dimensional Strain Measured by Speckle Tracking in the Identification of Incipient Ventricular Dysfunction in HIV-Infected Patients on Antiretroviral Therapy, Untreated HIV Patients and Healthy Controls Ronaldo Campos Rodrigues, Katia Martins Lopes de Azevedo, Samuel Datum Moscavitch, Sergio Setubal, Claudio Tinoco Mesquita Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ – Brasil Correspondência: Ronaldo Campos Rodrigues • Rua Tenente Ronaldo Santoro, 208, Apt. 101. CEP: 23080-270, Campo Grande, RJ – Brasil. E-mail: contato@cursodeecocardiografia.com Artigo recebido em 04/02/2018, revisado em 07/03/2019, aceito em 12/03/2019. DOI: 10.5935/abc.20190169 Resumo Fundamento: A maior parte das alterações cardiovasculares dos pacientes infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) tem sido associada ao dano miocárdico causado diretamente pelo vírus. Alguns casos, porém, podem estar associados a efeitos adversos da terapia antirretroviral (TARV). Novas técnicas de avaliação da função ventricular são capazes de detectar modificações precoces na função cardíaca do paciente infectado pelo HIV em uso ou não de TARV. A utilidade dessas técnicas tem sido pouco empregada nesses pacientes. Objetivos: Investigar possível influênciada terapia antirretroviral (TARV) na ocorrênciadedisfunção sistólica ventricular esquerda subclínica avaliada pela análise da taxa de deformação miocárdica ( strain ) por meio do speckle tracking ao ecocardiograma bidimensional (E2D) em pacientes portadores do HIV tratados, comparados com pacientes não tratados e indivíduos saudáveis. Métodos: Sessenta e oito pacientes infectados pelo HIV assintomáticos do ponto de vista cardiovascular, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo (VE) normal (>0,55 pelo E2D) foram divididos em três grupos: 11 pacientes sem tratamento antirretroviral (ST), 24 em uso de inibidor de protease (IP) e 33 em uso de inibidor de transcriptase reversa não nucleosídeo (ITRNN). Foramestudados também30 indivíduosnormaisnão infectadospeloHIV(Ctrl). Foramcoletadosdadosdemográficos, clínicos, bioquímicos e antropométricos. A ecocardiografia transtorácica foi realizada incluindo no estudo inicial o estudo da deformação miocárdica pela técnica bidimensional ( speckle tracking ). Estudamos o strain e a sua taxa de deformação ( strain rate ) nos dezessete segmentos miocárdicos do ventrículo esquerdo (VE) nos eixos longitudinal, circunferencial e radial. A análise estatística dos dados foi feita com o programa IBM SPSS – versão 20 para Windows. Depois de analisados os dados, nomeadamente a normalidade das variáveis independentes nos diferentes grupos e a homogeneidade das variâncias entre os grupos, decidiu-se utilizar o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis seguido dos testes de comparações múltiplas pelo procedimento de Dunn, para testar a significância das diferenças entre os valores medidos nos grupos em estudo. Foi considerado o nível de significância de 5% para a tomada de decisão nos testes estatísticos realizados. Resultados: A média das idades dos pacientes com HIV foi de 40 ± 8,65 anos e a idade média dos controles foi de 50 ± 11,6 anos (p < 0,001). Os valores medianos do strain longitudinal global do VE (SLG) dos pacientes ST (–17.70%), dos pacientes IP (–18.27%) e ITRNN (–18.47%) foram significativamente menores do que o grupo Ctrl (-20,77%; p = 0,001). Não houve diferença significante nos valores médios do SLG entre os pacientes tratados (IP, ITRNN) e não tratados (ST). Não foram observadas diferenças significantes nos valores médios do strain circunferencial e radial, nem nas taxas de deformação circunferencial e radial entre os grupos ST, IP, ITRNN e Ctrl. Conclusão: Os dados sugerem que pacientes com HIV apresentam, à análise da deformação miocárdica ao speckle tracking , sinais de disfunção sistólica incipiente do VE que parece não ter relação com a presença de TARV. O significado prognóstico dessa alteração nesses pacientes merece estudos futuros. (Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):737-745) Palavras-chave: Síndrome de Imunodeficiência Adquirida; HIV; Disfunção Ventricular Esquerda; Diagnóstico por Imagem; Ecocardiografia Doppler; Terapia de Antirretroviral de Alta Atividade; Strain; Speckle Tracking. 737
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