ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019
Atualização Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):787-891 Tabela 11.1 – Classificação da pressão arterial em crianças e adolescentes 563 Até 13 anos de idade Percentil de pressão arterial sistólica ou diastólica Normal (1-13 anos) < 90 Pressão elevada ≥ 90 a < 95 ou PA 120 x 80 mmHg a < 95 (a que seja mais baixa) HAS estágio 1 ≥ 95 a <95 + 12 mmHg ou 130 x 80 mmHg a 139 x 89 mmHg (a que seja mais baixa) HAS estágio 2 ≥ 95 + 12 mmHg ou ≥ 140 x 90 mmHg (a que seja mais baixa) Quadro 11.2 – Anti-hipertensivos mais frequentemente utilizados no tratamento da HAS na criança e no adolescente no Brasil Medicamento Dose Captopril 0,5-6 mg/kg/dia Enalapril 0,08-0,6 mg/kg/dia Losartana (> 6 anos) 0,7-1,4 mg/kg/dia (máximo 100 mg/dia) Anlodipino (1-5 anos) (> 6 anos) 0,1-0,6 mg/kg/dia ( máximo 5 mg/dia) 2,5-10 mg/dia Hidroclorotiazida 1-2 mg/kg/dia (máximo 37,5 mg/dia) renais, DM ou está em uso de mediação que pode aumentar a PA. A HAS é definida pelo percentil da PA em relação à idade, sexo e estatura. As tabelas com os percentis de sexo, idade e altura (https://pediatrics.aappublications . org/content/pediatrics/140/3/e2017) foram redefinidas na Diretriz Americana Clinical Practice Guideline for Screening and Management of High Blood Pressure in Children and Adolescents , facilitando a adoção de uma tabela única onde constam os três parâmetros utilizados e o percentil assignado. Como não temos tabelas específicas para a população brasileira, este critério é utilizado para a nossa população. A primeira medida da PA pode ser realizada pelo método oscilométrico no braço direito, utilizando manguito apropriado. Se o resultado desta medida é maior ou igual ao 90 o percentil, uma nova medida deve ser realizada; se a média destas duas medidas ainda é ≥ ao 90 o percentil, duas medidas pelo método auscultatório deverão ser realizadas. A Tabela 11.1 mostra os níveis de PA em crianças e adolescentes normais e hipertensos (Grau de recomendação I; Nível de Evidência B). Para crianças e adolescentes com idade > 13 anos, a PA é considerada normal quando: < 120/80 mmHg; elevada quando entre 120/< 80 e 129/< 80 mmHg, HAS estágio 1 quando entre 130/80 e 139/89 mmHg e estágio 2, quando ≥ 140/90 mmHg (Grau de recomendação I; Nível de Evidência B). Quando a PA se mantém persistentemente igual ou acima do 90 o percentil, com medida após 6 e 12 meses do diagnóstico inicial, a avaliação inicial deve tentar identificar a etiologia, quando existente, mediante dados sobre hábitos de sono, história familiar, de fatores de risco, dieta, tabagismo e ingestão alcoólica. É importante que na investigação, a PA seja medida nos dois membros superiores e em um membro inferior. O estudo complementar inicial deve incluir: hemograma, dosagem de uréia, creatinina, sódio, potássio, cálcio, ácido úrico, perfil lipídico, sumário de urina, ultrassonografia renal quando < 6 anos de idade ou com função renal alterada. Para crianças com percentil de IMC superior ao 95 o devem ser pedidos também HbA1c, enzimas hepáticas, glicemia e perfil lipídico em jejum 584,585 (Grau de recomendação IIa; Nível de Evidência C). Quando a PA indique HAS estágios 1 ou 2 em crianças assintomáticas, deve ser confirmada em três medidas e solicitada a MAPA. Medidas não medicamentosas devem ser iniciadas e, se necessário, iniciar tratamento medicamentoso. Se a criança está sintomática ou a PA está 30 mmHg acima do 95 o percentil ou > 180 x 120 mmHg em adolescentes, o paciente deve ser encaminhado a um serviço para tratamento de urgência 584,585 (Grau de recomendação IIa; Nível de Evidência B). A MAPA está indicada em crianças acima de 5 anos de idade quando o diagnóstico de PA elevada se mantiver após um ano do diagnóstico inicial ou após três medidas nos pacientes com HAS estágio 1, sendo muito importante para investigar a HAS do avental branco ou a mascarada, bem como para diagnóstico em pacientes obesos. Exames complementares adicionais são necessários quando existe suspeita de uma doença que curse com a elevação da PA e incluem: polissonografia, dosagem da renina ou da atividade da renina no plasma; cintilografia renal com administração de captopril; dosagem de catecolaminas plasmáticas e urinárias; dosagem de esteróides no plasma e na urina; ressonância nuclear magnética; angiografia digital e arteriografia renal. O ecocardiograma deve ser realizado quando há indicação de tratamento medicamentoso para avaliação de lesão de órgão-alvo 586 (Grau de recomendação IIa; Nível de Evidência B). O tratamento medicamentoso da HAS na infância e na adolescência guarda semelhança à do adulto. Pela facilidade de oferta no SUS no Brasil, as drogas mais utilizadas dentre estes grupos estão descritas no Quadro 11.2. O tratamento deve ser iniciado emmonoterapia com um dos medicamentos citados e quando necessário um segundo medicamento, a hidroclorotiazida é preferencialmente utilizada 586 (Grau de recomendação I; Nível de Evidência B). 11.7. Dislipidemia na Infância e na Adolescência A dislipidemia é sabidamente um dos fatores de risco CV de maior impacto na aceleração da progressão da aterosclerose. Se considerarmos todas as frações lipídicas, a prevalência de dislipidemia na infância e na adolescência tem-se mantido entre 30-40%. 587 Segundo o Estudo ERICA, que avaliou 38 mil adolescentes no Brasil, a prevalência de dislipidemia neste grupo foi a seguinte: 46% apresentaram concentrações de HDL-colesterol menores que 45 mg/dL, 20,1%, concetrações de CT maiores que 170 mg/dL, 7,8% concentrações de TG 861
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