ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019
Atualização Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):787-891 5. Avalie de perto o risco de sintomas psiquiátricos durante o tratamento. A ideação suicida e o suicídio podem ocorrer, o que deve ser monitorado e tratado. 6. Não recomende o uso de cigarros eletrônicos. Os malefícios são semelhantes. 7. Se o fumo passivo não puder ser eliminado, acorde medidas que minimizem a exposição. Nas escolas médicas: Em todos os níveis de ensino-aprendizagem e para todos os profissionais da saúde, deve haver treinamento sobre cessação de tabagismo. A prevenção do tabagismo ativo e passivo, além das formas de intervenção na cessação do tabagismo deve fazer parte do currículo de programas de residência de pediatria e medicina de família, pela grande importância do abuso na saúde da população em geral (Grau de Recomendação I, Nível de Evidência C). 11.5. Obesidade na Infância e na Adolescência Entre 1975 e 2016, a prevalência da obesidade entre 5 e 19 anos aumentou, emmédia, de 0,7% a 5,6% emmeninas e de 0,8% a 7,8% em meninos, em todas as regiões geográficas do mundo. O estudo estimou que em 2016 havia 50 milhões de meninas e 74 milhões de meninos obesos no mundo. 577 No Brasil, a Pesquisa de Saúde Nacional do Escolar de 2015 identificou uma prevalência de excesso de peso e de obesidade, respectivamente, em 23,3% e 8,5% em escolares de 13 a 17 anos. 578 11.5.1. Diagnóstico O IMC é utilizado como a medida padrão do sobrepeso e obesidade em crianças a partir dos dois anos de idade, 579 utilizando-se as curvas de referência da OMS (https://www.who . int/childgrowth/standards/bmi_for_age/en/). Define-se excesso de peso entre o 85 o e 94 o percentil de IMC; a obesidade, acima do 95 o percentil; obesidade grave, quando IMC maior ou igual a 120% do 95 o percentil ou IMC igual ou acima de 35 kg/m 2 (Grau de Recomendação IIa, Nível de Evidência C). 11.5.2. Consequências A obesidade infantil associa-se à dislipidemia (elevados níveis de triglicerídeos e baixos níveis de colesterol-HDL), HA, hiperglicemia, hiperinsulinemia, inflamação e estresse oxidativo, favorecendo a evolução das estrias gordurosas na aorta e artérias coronárias, bem como de outras lesões ateroscleróticas. 580 Em torno de 50% das crianças obesas com 6 anos de idade e um dos pais obeso terá obesidade na vida adulta; em adolescentes obesos nessa condição, 80% será um obeso adulto. 580 11.5.3. Etiologia É o resultado da interação entre fatores genéticos e fatores ambientais; dentre os últimos destacam-se estilo de vida sedentário e consumo calórico excessivo, foco das estratégias de tratamento. 580,581 As causas secundárias da obesidade na infância estão descritas no Quadro 11.1. 11.5.4. Tratamento A abordagem terapêutica do excesso de peso em crianças e adolescentes deve ser múltipla e gradual, com avaliação progressiva dos resultados obtidos e envolvem melhor qualidade da dieta, redução da ingestão de calorias, aumento da atividade física e substituição de refeições. A farmacoterapia (apenas o Orlistat é atualmente aprovado para uso em adolescentes) e a cirurgia bariátrica têm sido utilizados apenas em adolescentes com obesidade grave, quando as estratégias relativas à dieta e atividade física não são eficazes no controle do peso 580,581 (Grau de Recomendação IIa, Nível de Evidência B). 11.6. Hipertensão Arterial Sistêmica na Infância e na Adolescência Dados de rastreamento da PA na infância e na adolescência mostram prevalência de HAS de até 8,2%, 582,583 que diminui para aproximadamente 3,5% quando as medidas são repetidas no acompanhamento clínico. A PH é observada em aproximadamente 2,2 a 3,5% da população; em adolescentes com sobrepeso e obesidade, pode atingir 24,8%. Está associada também a distúrbios do sono (3,6 a 14%), DRC (até 50%), DM (9,5%); coarctação da Aorta (17 a 77%), alterações endócrinas (0,05 a 6%) e prematuridade 7,3%. 584 Embora em crianças a HAS seja mais frequentemente de causa secundária, com etiologia definida, a HAS primária é cada vez mais diagnosticada, principalmente em crianças maiores e adolescentes, quando outros fatores de risco são associados, como o sobrepeso e a obesidade. Considera-se obrigatória a medida da PA a partir dos três anos de idade, anualmente, ou antes dessa idade quando a criança apresenta antecedentes neonatais, história de prematuridade, antecedente de coarctação aórtica, doenças Quadro 11.1 – Causas de obesidade secundária na infância e na adolescência Tipo de causas Exemplos Medicamentos Drogas psicoativas (olanzapina, risperidona), drogas antiepiléticas, corticosteróides Doenças endócrinas Excesso de cortisol, hipotireoidismo, deficiência do hormônio de crescimento, pseudohipoparatireoidismo, obesidade hipotalâmica Síndromes genéticas Prader-Willi, Bardet-Biedl, mutação do receptor da melanocortina ou leptina Programming Alterações epigenéticas em fases vulneráveis da gestação e da infância Outras Microbioma intestinal, resposta individual a vírus e toxinas 860
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