ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019

Atualização Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):787-891 de eventos no estudo REDUCE-IT está de acordo com os resultados do The Japan EPA Lipid Intervention Study (JELIS), no qual 1,8 g/dia de EPA também levaram a redução significativa de eventos CV em indivíduos em uso prévio de baixas doses de estatinas. 227 Entretanto os resultados desse último estudo são limitados pelo seu desenho aberto e ausência de grupo placebo. Os dados desses estudos sugerem que doses elevadas de EPA (4 g) podem ser usadas em pacientes com DCV prévia e que persistem com TG elevados, apesar do uso de estatinas com vistas a prevenção da DCV. Contudo, não há evidências para uso de doses mais baixas e de outras formulações de ômega-3 visando a prevenção CV tanto na prevenção primária como na prevenção secundária. É importante salientar, contudo, que há ainda diversos estudos testando doses moderadas a elevadas de EPA e EPA + DHA em indivíduos de alto risco para DCV que persistem com TG moderadamente elevados. 6.11. Ômega-3 na Insuficiência Cardíaca O estudo GISSI-HF ( GISSI-Heart Failure ) avaliou o papel do ômega-3 na IC. 235 Esse estudo randomizou pacientes com IC crônica classe funcional II-IV de diferentes etiologias para receber 1 g de ômega-3 (EPA + DHA) por dia (n = 3.494) ou placebo (n = 3.481). 235 O desfecho primário foi tempo para morte e tempo para morte ou internação hospitalar por causas CV. Durante mediana de seguimento de 3,9 anos, ocorreu menor taxa de mortalidade no grupo ômega-3 (27 versus 29%, HR 091, intervalo de confiança 95% 0,83-0,99, p = 0,041, com NNT = 56) e também menor incidência do desfecho primário no grupo ômega-3 (57 versus 59%, HR 0,92, intervalo de confiança 95% 0,84-0,99, p = 0,009, com NNT = 44). 235 Os dados desse estudo, contudo, merecem ser confirmados. 6.12. Acidos Graxos Poliinsaturados Omega-3 de Origem Vegetal O ALA tem demonstrado efeitos inconsistentes sobre os niveis lipidicos. 236,237 Em uma revisao sistematica e metanalise de 14 ensaios randomizados e controlados com suplementaço com ALA, nao se observou influência significativa sobre CT, LDL-c ou TG, encontrando-se um efeito mínimo sobre o HDL-c (reduço de 0,4 mg/dL). 238 Especificamente, os efeitos da linhaca em animais de experimentaço variam de nulo a discreta reduço lipidica, e uma revisao sugeriu um efeito redutor de TG pelo consumo de grandes quantidades de oleo de linhaca em humanos. 238 Estudos observacionais sugeremuma modesta reduço no risco de DCV com o consumo de ALA. 238 Dados do estudo Alpha- omega mostraram ausencia de beneficios da suplementaço do ALA para prevenço da DCV em individuos que haviam apresentado DCV previa. Dados mais recentes da metanálise do grupo Cochrane sugerem que aumentar a ingestão de ALA provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença na mortalidade por todas as causas, mortalidade CV e pouca ou nenhuma diferença em eventos coronários. 232 Os efeitos no AVC não são claros. Entretanto os autores reconhecem a baixa qualidade da maioria dos estudos e, assim, ha a necessidade de mais estudos com a suplementação de ALA visando provar ou não a prevenço da DCV. Podemos concluir que no momento não há evidências para se recomendar a suplementaço com ALA para a prevenço da doenca CV. As recomendaçes para o consumo e suplementaço de ALA encontram-se na Tabela 6.3. Tabela 6.2 – Recomendações para consumo e ou suplementação de produtos ricos em ácidos graxos omega-3 Recomendação Classe de recomendação Nível de evidência Referência Suplementação com ômega-3 marinho 2-4 g por dia ou até em doses mais elevadas deve ser recomendada para hipertrigliceridemia grave (> 500 mg/dL na ausência de quilomicronemia familiar), com risco de pancreatite, refratária a medidas não-farmacológicas e tratamento medicamentoso I A 235 Pelo menos 2 refeições a base de peixe por semana, como parte de uma dieta saudável, devem ser recomendadas para diminuir o risco cardiovascular. Tal recomendação e particularmente dirigida para indivíduos de alto risco, como os que ja apresentaram infarto do miocárdio I B 32 Suplementação de ômega 3 na forma de EPA em dose de 4 gramas por dia pode ser feita em pacientes de prevenção secundária, em uso de estatinas e TG entre 150-499 mg/dL II B 227 Suplementação de ômega 3 em dose de 1 grama por dia (EPA + DHA) pode ser feita em pacientes portadores de IC classe funcional II a IV II B 235 Não se recomenda a suplementação de EPA + DHA para indivíduos de prevenção primária, utilizando-se ou não tratamentos preventivos baseados em evidência III A 231 DHA: ácido docosahexaenóico; EPA: ácido eicosapentaenoico, IC: insuficiência cardíaca; TG: triglicérides. 821

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