ABC | Volume 113, Nº4, Outubro 2019
Atualização Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(4):787-891 11. Infância e Adolescência ...............................................................858 11.1. Introdução ......................................................................................858 11.2. Nutrição na Infância e Adolescência ...............................................858 11.3. Atividade Física na Infância e na Adolescência ...............................858 11.4. Tabagismo na Infância e na Adolescência ......................................859 11.5. Obesidade na Infância e na Adolescência .......................................860 11.5.1. Diagnóstico .................................................................................860 11.5.2. Consequências ............................................................................860 11.5.3. Etiologia ......................................................................................860 11.5.4. Tratamento ..................................................................................860 11.6. Hipertensão Arterial Sistêmica na Infância e na Adolescência .......860 11.7. Dislipidemia na Infância e na Adolescência ....................................861 11.7.1. Causas .........................................................................................862 11.7.2. Valores de Normalidade .............................................................862 11.7.3. Tratamento ..................................................................................862 12. Abordagem Populacional dos Fatores de Risco para Doenças Cardiovasculares ..................................................................................864 12.1. Introdução ......................................................................................864 12.2. Aspecto populacional do Tabagismo ...............................................865 12.3. Dia 31 de Maio – Dia Mundial Sem Tabaco ....................................865 12.4. Aspectos Populacionais da Obesidade e Sobrepeso .......................866 12.5. Aspectos Populacionais da Hipertensão Arterial .............................867 12.6. Aspectos Populacionais das Dislipidemias .....................................867 12.6.1. Medidas Práticas Gerais .............................................................868 12.7. Aspectos Populacionais da Atividade Física ....................................868 12.8. Abordagem Populacional para o Aumento da Atividade Física .......868 12.9. Fatores Socioeconômicos e Ambientais e Doenças Associadas na Prevenção Cardiovascular ........................................................................869 12.10. Saúde e Desenvolvimento Sustentável .........................................870 12.11. Prevenção Cardiovascular, Ambiente, Sustentabilidade e Doenças Associadas ..............................................................................................871 12.12. Conclusão .....................................................................................872 Referências ...........................................................................................873 Introdução A doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte no Brasil e no mundo, determinando aumento da morbidade e incapacidade ajustadas pelos anos de vida. Embora as taxas de mortalidade e disability-adjusted life year (DALY) padronizadas por idade estejam diminuindo no Brasil, possivelmente como resultado de políticas de saúde bem-sucedidas, o número total destas está aumentando principalmente devido ao envelhecimento e adoecimento da população. 1 A presença dos fatores de risco clássicos (hipertensão, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, tabagismo, diabetes e histórico familiar) aumenta a probabilidade pré-teste de DCV – com ênfase para a doença arterial coronariana (DAC) – e norteia a prevenção primária e secundária. Vários outros fatores, incluindo questões sociodemográficas, étnicas, culturais, dietéticas e comportamentais, podem também explicar as diferenças na carga de DCV entre as populações e suas tendências ao longo das décadas. A implementação de políticas de saúde, entre elas, o estímulo aos hábitos de vida saudáveis, o acesso a medidas para prevenção primária e secundária de DCV, associados ao tratamento de eventos cardiovasculares (CV), é essencial para o controle das DCV em todos os países, incluindo o Brasil. A I Diretriz Brasileira de Prevenção da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicada em 2013, 2 procurou auxiliar a redução da mortalidade CV estabelecida pela Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2012; a SBC corroborou o compromisso de reduzir a taxa de mortalidade prematura por DCV em 25%. 3 Entretanto, a redução da mortalidade por DCV atingiu um patamar nos últimos cinco anos no Brasil com importante variação regional, sugerindo a necessidade de renovar as estratégias de combate dessas doenças. 4 Com esse intuito, a SBC revisitou sua Diretriz de prevenção CV, 2 propondo-se a atualizar os temas da prevenção primária para DCV e sugerindo estratégias que poderiam auxiliar o cardiologista brasileiro a reduzir a morbimortalidade por esses grupos de causas. A Diretriz Brasileira de Prevenção da Sociedade Brasileira de Cardiologia_ 2019, atualiza as estratégias de abordagem dos fatores de risco clássicos, e discute novos conceitos como a necessidade de agregar o conhecimento de fatores de risco emergentes – por exemplo, espiritualidade –, fatores socioeconômicos e ambientais, bem como estratégias adicionais como o uso de vacinas. Esperamos contribuir para renovar o compromisso da SBC com a sociedade brasileira, e com o Plano Estratégico de Ação para nfrentar as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). 5 das quais a DCV é o principal componente, com um instrumento que permitirá o acesso sistematizado à literatura vigente, permitindo a difusão do conhecimento necessário para retomar a tendência de redução da mortalidade CV no Brasil. 1. Estratificação de Risco 1.1. Estratificação de Risco Cardiovascular para Prevenção e Tratamento da Aterosclerose Um evento coronariano agudo é a primeira manifestação da doença aterosclerótica em aproximadamente metade das pessoas que apresentam essa complicação. Dessa forma, a identificação dos indivíduos assintomáticos com maior predisposição é crucial para a prevenção efetiva com a correta definição das metas terapêuticas. Para estimar a gravidade da DCV, foram criados os chamados escores de risco e algoritmos baseados em análises de regressão de estudos populacionais, por meio dos quais a identificação do risco global é aprimorada substancialmente. O escore de risco global (ERG) de Framingham 6 inclui a estimativa em 10 anos de eventos coronarianos, cerebrovasculares, doença arterial periférica ou insuficiência cardíaca (IC) e foi o escore adotado pelo Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC-DA). 7 Além disso, indivíduos que apresentam múltiplos fatores de risco CV, aterosclerose subclínica ou já tenham tido manifestações da DCV possuem risco elevado para eventos e podem ser classificados de forma diferenciada. Assim, a nova estratificação de risco CV proposta pelo SBC-DA, considera quatro níveis de risco CV: • Risco muito alto; • Risco alto; • Risco intermediário; e • Risco baixo. 795
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