ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Artigo Original Gerage et al. Atividade física em pacientes com DAP Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):410-416 físicas moderadas e/ou vigorosas. De fato, como as atividades físicas de maior intensidade podem precipitar a ocorrência de sintomas de claudicação intermitente, os pacientes com DAP geralmente realizam atividades físicas de menor intensidade para evitar os sintomas. No presente estudo, também analisamos a frequência de pacientes que atingiram as recomendações atuais de atividade física de acordo com a faixa etária. Observamos que nenhum paciente acima de 70 anos atendeu as recomendações atuais de atividade física para a população em geral. Este resultado foi confirmado pela análise multivariada, que revelou que os pacientes mais jovens são mais propensos a alcançar as recomendações atuais de atividade física. Esses resultados estão de acordo com estudos anteriores realizados com uma amostra representativa de adultos dos Estados Unidos 21 e com idosos em uma amostra de base populacional do Brasil, 19 que demonstrou uma relação inversa entre a idade e a quantidade de tempo gasto em AFMV. A diminuição da atividade física com o aumento da idade pode ser devido a uma piora nas funções físicas associadas à presença das comorbidades, levando ao aumento do comportamento sedentário e ao comprometimento da capacidade funcional. O ITB, considerado um dos melhores índices prognósticos na DAP 22 e capacidade de caminhada, um importante marcador clínico de DAP associado à função endotelial 23 inflamação 24 e vários indicadores clínicos, 2,25 não se associaram ao atendimento das recomendações de atividade física. Esses resultados não são surpreendentes, uma vez que o ITB 26 e a capacidade de caminhada têm sido pouco associados à atividade física em pacientes com DAP. 27 Estudos anteriores mostraram que baixos níveis de atividade física e altos níveis de comportamento sedentário estavam associados a vários fatores de risco, como pressão arterial elevada, 28 rigidez arterial aumentada, 29 circunferência abdominal aumentada e níveis de HDL-colesterol reduzido, 30,31 em populações saudáveis e clínicas. Em pacientes com DAP sintomática, um estudo realizado por Garg et al., 32 relatou que a atividade física reduzida estava associada ao aumento damortalidade e eventos cardiovasculares. Em outras palavras, pacientes que tentaram controlar ou eliminar seus sintomas de claudicação intermitente ao reduzir sua atividade física, pioraram o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte. Assim, o achado de nosso estudo de que a maioria dos pacientes com DAP não atingiu as recomendações atuais de atividade física destaca a necessidade de intervenções para aumentar a atividade física nesses pacientes. Estudos futuros são necessários para verificar se as diferentes formas de exercício, programas domiciliares ou monitores pessoais de atividade física são mais eficazes para ajudar os pacientes a atingir as recomendações atuais de atividade física. O presente estudo tem várias limitações. Embora o acelerômetro tenha sido considerado um método padrão‑ouro para medir atividades físicas em condições de vida livre, não foi possível medir o tipo e o contexto em que a atividade física foi realizada, o que dificulta a análise de que tipos de atividades foram mais frequentemente realizadas por esses pacientes. Além disso, o acelerômetro não avalia atividades físicas como a hidroginástica e treinamento de resistência, que são comumente realizadas por pacientes idosos, e pode ter subestimado os níveis reais de atividade física de nossa amostra. Como não há recomendação específica de atividade física para pacientes com DAP, utilizamos as recomendações atuais de atividade física para a população em geral. No entanto, ainda não se sabe se esta abordagem é a ideal para pacientes com DAP. O estudo foi realizado em São Paulo, Brasil, e nossos resultados não podem ser extrapolados para outros pacientes com diferentes culturas e estilos de vida. Não incluímos um grupo populacional global pareado para comparar a prevalência de atividade física entre os pacientes não-PAD e PAD. Por fim, não analisamos o tipo de atividade física realizada por esses pacientes ou a diferença de atividades físicas ao longo do ano. Alguns pacientes avaliados em meses mais frios/chuvosos podem ter sido menos ativos do que aqueles avaliados nos meses de verão. Conclusão Este estudo demonstrou que o padrão de atividade física de pacientes brasileiros com DAP e sintomas de claudicação intermitente é caracterizado pelo alto tempo gasto em comportamento sedentário e baixo envolvimento em AFMV, sendo que apenas 3,4% desses pacientes atendem às recomendações atuais de atividade física para a população em geral. Alémdisso, os pacientes mais jovens, independentemente de fatores clínicos e funcionais, são mais propensos a atender às recomendações atuais de atividade física. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa: Zeratti AE, Puech-Leão P, Wolosker N, Ritti-Dias RM, Cucato GG; Obtenção de dados: Correia MA, Oliveira PML, Palmeira AC, Domingues WJR; Análise e interpretação dos dados: Gerage AM; Análise estatística: Gerage AM, Correia MA, Ritti-Dias RM, Cucato GG; Redação domanuscrito: Gerage AM, CorreiaMA, Oliveira PML, Palmeira AC, Domingues WJR, Ritti-Dias RM; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Zeratti AE, Puech-Leão P, Wolosker N, Cucato GG. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento Opresente estudo foi financiado peloCNPq-409707/2016-3. Coordenação de aperfeiçoamento do ensino superior - CAPES Vinculação acadêmica Nãohávinculaçãodesteestudoaprogramasdepós‑graduação. Aprovação ética e consentimento informado Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Israelita Albert Einstein sob o número de protocolo CAAE: 42379015.3.0000.0071. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo. 415

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