ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019
Artigo Original Gerage et al. Atividade física em pacientes com DAP Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):410-416 Atividade física mensurada objetivamente A atividade física foi avaliada utilizando-se um acelerômetro triaxial GT3X+ (Actigraph, Pensacola, FL, EUA). Cada participante foi instruído a utilizar o acelerômetro por sete dias consecutivos, removendo-o apenas para dormir, tomar banho ou realizar atividades na água. Odispositivo ficava preso a umcinto elástico, fixado no lado direito do quadril. A redução de dados foi realizada utilizando-se o software Actilife, versão 6.02 (Actigraph, Pensacola, FL, EUA), com frequência de amostragem de 60Hz e épocas de 60s. Períodos com valores consecutivos de zero por 60 minutos ou mais foram interpretados como “acelerômetro não usado” e excluídos da análise. Os dados de atividade física foram incluídos somente se o participante tivesse acumulado um mínimo de 10 horas/dia de gravação por pelo menos quatro dias, incluindo um dia de final de semana. A média do tempo total despendido em cada intensidade de atividade física foi calculada utilizando os pontos de corte específicos para idosos, 14 adaptados por Buman et al., 15 considerando-se o tempo sedentário (SED) como 0-99 counts/min; atividade física leve de baixa intensidade como 100–1040 counts/min, atividadefísicalevedealtaintensidadecomo1041-1951counts/min e AFMV como ≥1952 contagens/min utilizando o eixo vertical, e analisadas em min/dia, ajustando para o tempo e número de dias em que o dispositivo foi usado. O tempo total gasto em sessões SED e o tempo gasto em sessões de pelo menos atividades leves de alta intensidade e AFMV foram analisados pela soma dos minutos gastos em SED, atividades físicas de alta intensidade e AFMV, respectivamente, emperíodos comduração ≥10minutos. Alémdisso, calculou-se o percentual de pacientes que atenderam as recomendações atuais de atividade física (≥ 150 min/semana) considerando as sessões de AFMV. Análise estatística O tamanho da amostra foi calculado estimando-se um tamanho de efeito de 0,3 na análise qui-quadrada, considerando um erro alfa de 5% e um poder de 80%. O tamanho da amostra necessário para o estudo foi de 143 participantes. Os dados foram armazenados e analisados utilizando-se o software estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, versão 17.0, SPSS Inc, Chicago, IL). A análise descritiva foi realizada para resumir os dados dos pacientes utilizando média, desvio padrão (DP) ou distribuição de frequência (absoluta e relativa), conforme apropriado. A regressão logística binária foi utilizada para testar a associação bruta e ajustada (idade, tempo de diagnóstico da doença, ITB e distância caminhada em seis minutos) entre a adesão à recomendação de atividade física e os dados sociodemográficos e fatores clínicos. Os resultados são expressos como odds ratios (OR) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Para todas as análises estatísticas, a significância foi estabelecida em p < 0,05. Resultados As características gerais dos pacientes são mostradas na Tabela 1. A média de idade de todos os pacientes foi de 66,7 ± 9,0 anos e, em média, os pacientes tinham doença moderada (ITB: 0,61 ± 0,18). A maioria dos pacientes tinha hipertensão (88,9%), dislipidemia (85,2%) e diabetes (52,4%) e utilizavam anti-hipertensivos (78%) (diuréticos tiazídicos, bloqueadores dos canais de cálcio, inibidores da enzima conversora de angiotensina, antagonistas dos receptores da angiotensina II, beta- bloqueadores), hipolipemiantes (89%) (por ex., estatinas) e agentes antiplaquetários (85%) (por ex., inibidores irreversíveis da ciclooxigenase, inibidores do receptor da adenosina difosfato). Quarenta e três por cento dos pacientes usavam medicamentos hipoglicemiantes (sulfonilureias, metformina, tiazolidinedionas, inibidores de alfa-glicosidase, meglitinidas), 29% utilizavam vasodilatadores (hidralazina e Minoxidil) e 20% utilizavam antidepressivos (por exemplo, sertralina, fluoxetina, citalopram, escitalopram, paroxetina). Tabela 1 – Características dos pacientes com doença arterial periférica de acordo com o sexo (n = 174). Valores Idade (anos) 66,7 (9,0) Sexo (% homens) 61,5 Ainda trabalhando (%) 20,5 Tempo de diagnóstico de doença (anos) 7,9 (5,8) Índice tornozelo-braquial 0,61 (0,18) Claudicação distância (m) † 135,9 (82,4) Distância no teste de caminhada de seis minutos (m) 326,6 (92,7) Distancia no WIQ (escore) 22,7 (22,2) Velocidade no WIQ (escore) 23,2 (15,6) Escadas no WIQ (escore) 30,7 (25,3) Teste WELCH (escore) 27,3 (19,1) Comorbidades e fatores de risco Índice de Charlson (escore) 3,0 (1,7) Fumantes atuais (%) 18,1 Hipertensão (%) 88,9 Dislipidemia (%) 85,2 Diabetes (%) 52,4 Obesidade (%) 28,6 Doença arterial coronária (%) 34,5 Insuficiência cardíaca (%) 13,6 Câncer (%) 14,9 Medicamentos Anti-hipertensivos (%) 78 Antidiabéticos (%) 43 Vasodilatadores (%) 29 Hipolipemiantes (%) 89 Agentes antiplaquetários (%) 85 Antidepressivos (%) 20 Medicamentos Cardíacos (%) 24 Vasculares (%) 12 WIQ: Walking Impairment Questionnaire; WELCH: Walking Estimated- Limitation Calculated by History. 412
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