ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019
Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 exposição à radiação. A indicação mais frequente para ablação foi palpitação recorrente, apesar de terapia antiarrítmica. 10.18. Cuidados Gerais e Uso de Agentes Farmacológicos na Gestação e no Puerpério Esta seção apresenta um sumário dos cuidados gerais (Quadro 10.9) e o uso de diversas medicações de ação cardiovasculares emmulheres durante a gestação e o puerpério. As principais fontes utilizadas para confecção dos quadros a seguir foram: Micromedex® 2.0, (electronic version); 900 Drugs and Lactation Database (LactMed); 901 E-lactancia (versão eletrônica). 902 Para a prescrição de medicações a gestantes, utilizamos a classificação tradicional do FDA, apresentada no quadro 10.10. Desde o final de 2014, o uso desta classificação não está mais Quadro 10.10 – Classificação geral de risco para o feto imposto por medicações, segundo o Food and Drug Administration Classe Descrição A Estudos controlados em mulheres não demonstram risco para o feto no primeiro trimestre, sem evidência de risco nos demais trimestres, e a possibilidade de perigo ao feto parece remota B Estudos em animais não demonstraram risco fetal, e não existem estudos controlados em mulheres OU estudos em animais demonstraram efeitos adversos, que não foram confirmados em estudos controlados em mulheres no primeiro trimestre, sem evidência de risco nos demais trimestres. C Estudos em animais revelaram risco fetal (teratogênese e morte embrionária), e não há estudos adequados em mulheres OU não há estudos controlados em mulheres nem em animais. A droga deve ser administrada quando o risco potencial justifica o benefício potencial D Há evidências positivas de risco em fetos humanos, mas os benefícios de uso em mulheres grávidas podem superar os riscos (por exemplo, em situações ameaçadoras à vida, sem outras alternativas terapêuticas eficazes mais seguras) X Estudos em animais e humanos demonstraram anormalidades fetais, sendo a droga contraindicada em mulheres que estão ou querem se tornar gestantes Fonte: Adaptado de Micromedex, 2016 900 e Tedoldi CL, 2009. 810 sendo estimulado pelo próprio FDA, que agora sugere o uso de uma classificação descritiva dos riscos de cada medicação. 900,904 Até o momento da publicação dessas diretrizes, entretanto, a classificação tradicional ainda é a mais usada, sobretudo em nosso meio. Em relação às drogas cardiovasculares, nenhuma é considerada da classe A; cerca de 25% são da classe B; 50% são da classe C e as demais são das categorias D e X. 905 Dentre as medicações cardiovasculares de uso mais corriqueiro, as principais contraindicações na gestação são IECAS, bloqueador do receptor da angiotensina, espironolactona, amiodarona, atenolol e, possivelmente, as estatinas. A varfarina também apresenta efeitos teratogênicos no primeiro trimestre e deve ser evitada nesse período. Demais informações no quadro 10.11. 905 Quadro 10.9 – Recomendações gerais para manejo da gestante cardiopata Recomendação 804,900, 901,902,903 Classe de Recomendação Nível de Evidência Pacientes cardiopatas de alto risco, apresentando-se com doença cardíaca aguda, devem ser preferencialmente conduzidas em centro terciário por equipe multidisciplinar com experiência no manejo dessas pacientes I C Ecocardiograma deve ser realizado em toda gestante que apresente sintoma cardiovascular novo ou sem explicação conhecida I C Parto vaginal é a via de parto preferencial para a maioria das gestantes cardiopatas I C Ressonância magnética cardíaca, sem gadolíneo, pode ser considerada durante a gravidez se o ecocardiograma for insuficiente para fornecer o diagnóstico da condição cardiológica IIa C Parto cesárea deve ser considerado quando houver indicação obstétrica ou para pacientes com dilatação da aorta ascendente > 45 mm, estenose aórtica grave, parto prematuro em vigência de terapia anticoagulante, síndrome de Eisenmenger ou insuficiência cardíaca grave IIa C Radiografia de tórax, com proteção fetal, deve ser considerada quando outros métodos não são suficientes para elucidação diagnóstica IIb C Intervenção coronariana percutânea na gestação pode ser considerada em casos muito específicos, sempre com proteção fetal IIb C Em pacientes selecionados, com doenças ameaçadoras à vida, a realização de tomografia computadorizada e de estudo eletrofisiológico (ambos com proteção fetal) podem ser considerados IIb C Cirurgia de revascularização miocárdica ou cirurgia valvar cardíaca podem ser consideradas em situação de risco materno extremo (pela cardiopatia) ou quando o tratamento médico otimizado não for capaz de oferecer bom controle sintomático, desde que procedimentos percutâneos não sejam adequados IIb C 546
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