ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 A prevalência de PCR varia de 1/20.000 a 1/50.000 gestações. As causas mais comuns encontradas nos Estados Unidos e no Reino Unido são TEP (29%), hemorragia (17%), sepse (13%), CMP (8%), AVC (5%), pré-eclâmpsia e eclâmpsia (2,8%), além de complicações relacionadas a anestesia, embolia de líquido amniótico, IAM, doença cardíaca preexistente e trauma (Quadro 10.8). 887 As compressões torácicas, as ventilações e a desfibrilação, se indicadas, devem ser realizadas da mesma forma que em não gestantes, com a atenção de se deslocar o útero para a esquerda de forma manual durante todo o período de RCP com a intenção de descomprimir a veia cava e a aorta, e melhorar o fluxo sanguíneo. Toda gestante deve ser considerada como tendo via aérea difícil, e o tubo orotraqueal deve ser de tamanho menor, devido ao edema de glote encontrado nessas pacientes. Se a intubação não for possível, deve-se tentar via aérea com dispositivos supraglóticos. Se não houver RCE em 4 minutos e o útero estiver na altura da cicatriz umbilical (pelo menos 20 semanas de gestação), deve-se considerar realização de cesárea de emergência. Quadro 10.8 – Recomendações para o manejo de gestantes com parada cardiorrespiratória (PCR) Recomendação Classe de Recomendação Nível de Evidência Se houver instabilidade, a gestante deve ser colocada em decúbito lateral esquerdo, para aliviar a compressão aortocaval I C Se houver instabilidade, administração de oxigênio a 100% por máscara facial é recomendada para prevenir hipoxemia I C O acesso intravenoso deve ser obtido acima da linha do diafragma, para garantir que a medicação administrada não seja impedida de circular pelo útero gravídico I C Fatores predisponentes devem ser investigados e tratados rapidamente I C Durante o atendimento da PCR, se o útero estiver na linha da cicatriz umbilical ou mais alto, deve ser deslocado manualmente para a esquerda, continuamente, durante todo o atendimento I C As mesmas recomendações em relação aos protocolos de desfibrilação são feitas para gestantes ou não gestantes. Não há mudança na indicação ou na carga do choque I C A ventilação deve ser feita com máscara com reservatório, para oferta de oxigênio a 100%, e é preferível a ventilação com dois socorristas I C Hipoxemia deve sempre ser considerada como causa da PCR, pois as reservas de oxigênio são menores e as demandas metabólicas maiores nas gestantes, comparadas às não gestantes. Logo, suporte ventilatório precoce é necessário I C Intubação orotraqueal deve ser tentada por médico experiente, com tubo de 6 a 7 mm de diâmetro, não mais que duas vezes I C Se a intubação não for possível, devem-se seguir os protocolos de via aérea invasiva (chamar ajuda, providenciar materiais, dispositivos supraglóticos e cricotireoidostomia) I C Todas as medicações devem ser feitas conforme indicação, independente do risco de teratogenicidade IIb C Cesárea de emergência deve ser considerada para todas as gestantes que não recuperam a circulação espontânea em até 4 minutos de ressuscitação IIa C Se a sobrevida materna não for possível (lesão fatal ou PCR prolongada), a cesárea deve se iniciar imediatamente I C A cesárea deve ser realizada no local do atendimento, ou seja, a gestante não deve ser transportada durante o atendimento da PCR IIa B Se houver retorno se circulação espontânea, a paciente deve ser colocada em decúbito lateral esquerdo. Se não for possível, o deslocamento manual do útero para a esquerda deve ser mantido continuamente I C Após retorno da circulação espontânea, os batimentos cardíacos fetais devem ser monitorizados de forma contínua I C Essa medida deve ser tomada para diminuir a compressão aortocaval e oferecer maior chance do RCE. A retirada do feto não deve demorar mais que 5 minutos, procedimento que deve ser realizado no local do atendimento, sem interromper as manobras de RCP e a lateralização do útero para a esquerda. Se o prognóstico materno for grave e os esforços de RCP parecerem fúteis, a realização da cesárea parece apropriada, se o feto for viável. Se a PCR não for presenciada com período prolongado suspeito, deve-se priorizar a retirada do feto. 10.15. Considerações sobre Exposição à Radiação Durante a Gestação Os potenciais efeitos deletérios da radiação ionizante são: perdas gestacionais, malformações, distúrbios de crescimento e desenvolvimento e estímulo à mutagênese e carcinogênese. 888 A ocorrência desses efeitos depende da idade no momento da exposição e da dose de radiação (Tabela 10.2). 804,889 Nota-se que os valores estão consideravelmente abaixo desse limiar de segurança de dose 544

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