ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 da PAD, causando menos taquicardia. A administração de noradrenalina não tem demonstrado benefícios adicionais durante a RCP, não sendo recomendada. 288 Recomendações atuais Apesar da ausência de dados conclusivos, parece ser razoável o emprego rotineiro de adrenalina na RCP na dose de 1 mg IV/IO a cada 3 a 5 minutos (a cada dois ciclos), durante a continuidade das manobras de RCP. 200 Em AESP/ assistolia, a adrenalina deve ser administrada precocemente após obtenção de acesso venoso. O uso de vasopressina não é mais indicado em pacientes em PCR. Não há dados suficientes para recomendar o uso de corticosteroides de rotina em PCR intra-hospitalar, sendo necessários novos estudos (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência C) (Quadro 5.8). 5.7.2. Antiarrítmicos Os agentes antiarrítmicos têm sido empregados em PCR, em FV/TVSP, como medicações coadjuvantes, ou para prevenir suas recorrências. Não há evidências de que seu uso, durante as manobras de RCP, aumente as taxas de sobrevida na alta hospitalar. A) Amiodarona Em um ensaio clínico em adultos com FV/TVSP, observou- se que a administração de amiodarona 300 mg ou 5 mg/ kg melhorou a sobrevida à admissão hospitalar, quando comparada com placebo ou administração de lidocaína. No entanto, não houve melhora do prognóstico neurológico. 272,296 A amiodarona pode ser considerada para FV/TVSP que não responde à RCP, desfibrilação e terapêutica vasopressora (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência B). A dose inicial deve ser de 300 mg por via intravenosa ou intraóssea e pode ser administrada uma dose adicional de 150 mg, intercalada com vasopressor. 272,296-298 B) Lidocaína Evidências recentes mostraram que a lidocaína apresentou mesma taxa de sobrevida quando comparada à amiodarona em PCR extra-hospitalar. A dose inicial recomendada é de 1,0 a 1,5 mg/kg por via intravenosa. Se a FV/TVSP persistir, uma segunda dose de 0,5 a 0,75 mg/kg pode ser administrada. Seu uso pode ser considerado após a PCR em FV/TVSP em infusão continua (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência C). 272,299-302 C) Sulfato de magnésio Dois estudos observacionais mostraram que a administração de sulfato de magnésio por via intravenosa pode finalizar TV polimórfica do tipo TdP, porém não é efetiva para TV polimórfica em pacientes com intervalo QT normal. Em três estudos clínicos randomizados, o magnésio não foi associado à maiores taxas de RCE, e nem à melhora no índice de alta hospitalar e no prognóstico neurológico, independente do ritmo inicial da PCR. 303 A dose deve ser 1 a 2 g, diluída em 10 mL de soro glicosado 5% (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência C). Suas indicações são: suspeita de hipomagnesemia; TV com padrão eletrocardiográfico de TdP. Não se recomenda seu uso rotineiro na RCP (Classe de Recomendação III; Nível de Evidência B). 250,275,303 Quadro 5.8 – Orientação uso de drogas e manobras no Suporte Avançado de Vida em adultos Recomendações Classe de Recomendação Nível de Evidência É razoável que a adrenalina seja administrada assim que possível após o início da PCR em AESP/assistolia IIb C É razoável que a adrenalina seja administrada após o primeiro ciclo de RCP em FV/TVSP IIb C Em PCR, o uso de corticosteroides não mostrou benefício IIb C Amiodarona ou lidocaína devem ser considerada como antiarrítmico de primeira escolha para FV/TVSP que não responde a RCP, desfibrilação e vasopressor IIb B O uso de lidocaína pode ser considerado alternativa na PCR em FV/TVSP IIb B O soco precordial pode ser considerado na TV instável em pacientes monitorizados, quando um desfibrilador não está imediatamente pronto para uso IIb B O uso precoce de betabloqueadores pode ser considerado em pacientes pós-RCE por ritmos de FV/TVSP IIb B Atropina não é recomendada no tratamento da PCR IIb C Não existem benefícios com a administração rotineira de bicarbonato de sódio durante a PCR III B Não se recomenda o uso rotineiro de sulfato de magnésio na RCP III B A administração rotineira de cálcio, durante a PCR, não é recomendada III B Fibrinolíticos não devem ser administrados rotineiramente na PCR III B A colocação de marca-passo, durante a PCR, não é recomendada III B PCR: parada cardiorrespiratória; AESP: atividade elétrica sem pulso ou assistolia; RCP: ressuscitação cardiopulmonar; FV: fibrilação ventricular; TVSP: taquicardia ventricular sem pulso; TV: taquicardia ventricular; RCE: retorno da circulação espontânea. 484

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