ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 para análise do ritmo, que não deve exceder 10 segundos, os socorristas responsáveis pelas compressões devem se rodiziar, a fim de manter a boa qualidade da RCP. Durante a desfibrilação, as fontes de oxigênio devem ser desconectadas do paciente. 258 Após a desfibirlação as compressões devem ser retomadas por mais um ciclo de 2 minutos. Durante a reanimação, devem se consideradas drogas vasopressoras e antiarrítmicas, bem como identificar e tratar causas potencialmente reversíveis (Figura 5.8; Quadro 5.3). 5.5.2. Estratégias de Desfibrilação No desfibrilador bifásico, a energia do choque deve ser entre 120 e 200 J, conforme as orientações do fabricante (Classe de Recomendação I; Nível de Evidência B). Se o socorrista desconhece as orientações do fabricante, o choque deve ser administrado com a energia máxima disponível no aparelho (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência C). Choques subsequentes devem ocorrer com energia equivalente ou superior (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência B). 200 Há duas possibilidades de posicionamento para as pás: anterolateral, em que as pás devem ser posicionadas na projeção do ápice cardíaco e abaixo da clavícula direita, ou anteroposterior. 259 Não existe tamanho ideal, mas uma superfície maior gera menor resistência e maior corrente, associando-se à menor lesão miocárdica. 260 Alguns estudos demonstram equivalência ou superioridade dos dispositivos de onda bifásica. 260-264 Recomendam-se manter as compressões torácicas enquanto se prepara o desfibrilador para o choque (Classe de Recomendação I; Nível de Evidência B). 265,266 Não há evidência suficiente para recomendar atrasar o primeiro choque para realização de RCP por 1,5 a 3 minutos (Classe de Recomendação IIb; Nível de Evidência B), devendo-se realizar a desfibrilação, assim que possível (Quadro 5.5). 266-268 Quadro 5.2 – Orientação para a monitorização de manobras de ressuscitação cardiopulmonar no Suporte Avançado de Vida em adultos Recomendações Classe de Recomendação Nível de Evidência A utilização de dispositivos de feedback de RCP favorece a realização da RCP de alta qualidade e aumenta a sobrevida dos pacientes IIa B Valores de PETCO 2 < 10 mmHg, indicam necessidade de melhora na qualidade da RCP IIa B Se houver aumento abrupto do PETCO 2 (para 35 a 40 mmHg), é razoável considerar que houve RCE IIa B Valores de PETCO 2 abaixo de 10 mmHg após 20 minutos de RCP referem-se a mau prognóstico e uma baixa probabilidade de RCE IIb B Quando disponíveis, os parâmetros fisiológicos devem ser considerados para monitorar e otimizar a RCP e detectar o RCE IIb C Se valores de pressão arterial diastólica < 20 mmHg, é razoável considerar melhorar a qualidade da RCP IIb C Checagem da pressão arterial invasiva pode reduzir o tempo de interrupção da RCP na checagem de pulso, em pacientes com atividade elétrica organizada IIb C A aferição contínua de saturação venosa central < 30% tem sido relacionada à impossibilidade de RCE IIb C A saturação venosa central pode auxiliar na detecção de retorno à RCE e na qualidade das compressões torácicas IIb C Coletar gasometria arterial durante a RCP tem valor incerto até o momento IIb C A ecocardiografia transtorácica ou transesofágica pode ser considerada para o diagnóstico e a tomada de decisão em situações como tamponamento cardíaco, dissecção de aorta e embolia pulmonar IIb C RCP: ressuscitação cardiopulmonar; PETCO 2 : dióxido de carbono exalado no final da expiração; RCE: retorno da circulação espontânea. Quadro 5.3 – Possíveis causas em todas as modalidades de parada cardiorrespiratória Hipóxia Tóxicos Hipovolemia Tamponamento cardíaco Hidrogênio (acidose) Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo) Hiper/hipocalemia Trombose coronária (infarto agudo do miocárdio) Hipotermia Tromboembolismo pulmonar Quadro 5.4 – Principais objetivos iniciais e subsequentes dos cuidados pós-parada cardiorrespiratória Otimizar a função cardiopulmonar e a perfusão de órgãos vitais após o RCE Transportar/transferir para um hospital apropriado ou UTI com completo sistema de tratamento pós-PCR Identificar e tratar síndromes coronárias agudas e outras causas reversíveis Controlar a temperatura para otimizar a recuperação neurológica Prever, tratar e prevenir a disfunção múltipla de órgãos. Isto inclui evitar ventilação excessiva e hiperóxia RCE: retorno da circulação espontânea; UTI: unidade de terapia intensiva; PCR: parada cardiorrespiratória. 480

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