ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019
Atualização Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019 Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663 Na CVE, pode-se realizar o choque sequencial com um nível crescente de energia, lembrando sempre de sincronizar o cardioversor antes de cada procedimento. 105 3.2.4. Etapas do Procedimento Na desfibrilação, não há necessidade de sedação, visto que o paciente está em PCR. Na CVE, deve-se administrar um sedativo antes da administração do choque para minimizar o desconforto e a dor do procedimento (por exemplos: midazolam, fentanil, etomidato e propofol). Para a CVE eletiva, é necessário pelomenos 6 horas de jejum. Não há necessidade de IntubaçãoOrotraqueal (IOT) preventiva, porém cuidado adicional deve ser dado na abertura das vias aéreas e na ventilação, geralmente utilizando-se BVM (Ambu). Durante a CVE, deve-se: • Acionar o botão de sincronização antes da administração de cada choque. • Selecionar o nível adequado de energia de acordo com a arritmia. • Aplicar gel nas pás, posicioná-las sobre o tórax do paciente aplicando uma pressão correspondente a 13 kg. Carregar o desfibrilador/ cardioversor. • Solicitar e verificar o afastamento do operador e socorristas, pois existe o risco de condução da corrente elétrica, podendo causar graves complicações. • Verificar a ausência de oxigênio em alto fluxo próximo ao desfibrilador, devido ao risco de formação de faíscas. • Aplicar o choque elétrico, mantendo as pás sobre o tórax por alguns segundos, principalmente durante a CVE, pois pode haver um pequeno atraso na administração do choque, devido à necessidade de adequada sincronização. 86,105 3.3. Marca-Passo Transcutâneo A estimulação cardíaca temporária, por meio do Marca-Passo Transcutâneo (MPTC), é um procedimento de emergência e tem a vantagem de ser uma técnica não invasiva e de instalação praticamente imediata, fornecendo corrente elétrica por eletrodos colados na pele, cuja despolarização leva à contração cardíaca. A principal indicação é em pacientes com bradicardia sintomática (Quadro 3.4). A desvantagem do MPTC é a necessidade de alta energia em razão da impedância transtorácica, que tem de ser vencida para chegar ao miocárdio. Quadro 3.3 – Recomendações para seleção da energia do desfibrilador/ cardioversor Recomendações Classe de Recomendação Nivel de Evidência Realizar desfibrilação com a dose máxima recomendada pelo fabricante (120 a 200 J bifásica ou 360 J monofásica) I B Sempre realizar um ciclo de RCP (2 minutos) após cada procedimento de desfibrilação I B Sempre utilizar sedativos antes da CVE I C Sempre acionar o sincronismo antes da realização da CVE I B Utilizar energia máxima (200 J no desfibrilador bifásico se a dose inicial recomendada pelo fabricante for desconhecida e 360 J no desfibrilador monofásico) durante o procedimento de desfibrilação IIa C Utilizar a sequência de energia de 100 J, 200 J, 300 J e 360 J durante a CVE, utilizando-se do cardioversor monofásico IIa B O nível de energia não esta padronizado para os cardioversores bifásicos, devendo-se utilizar níveis de energia inferiores (geralmente a metade) daqueles padronizados para o desfibrilador monofásico IIa C Realizar choques sucessivos se o paciente mantém o mesmo ritmo após a tentativa de CVE inicial IIb C A intubação orotraqueal e obrigatória antes da realização da desfibrilação ou CVE III C RCP: ressuscitação cardiopulmonar; CVE: cardioversão elétrica. Figura 3.1 – Exemplo esquemático da liberação de energia nos desfibriladores/cardioversores monofásicos (A) e bifásicos (B). Quadro 3.4 – Situações de indicação de marca-passo transcutâneo Indicações Não indicado Bradicardia de alto grau (incluem bloqueios atrioventriculares de segundo grau Mobitz II e o de terceiro grau ou total) sintomática, com pulso Falência do tratamento da bradicardia sintomática com atropina Assistolia 472
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=