ABC | Volume 113, Nº3, Setembro 2019

Artigo de Revisão Calderaro et al. Hipertensão pulmonar na prática do cardiologista Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):419-428 pulmonar ou relacionada a processo vascular pulmonar paralelo. 55 Até o momento, não há evidência de que as medicações específicas utilizadas na HAP sejam benéficas no tratamento de HP Grupo 3, e pacientes com suspeita de doença vascular associada devem ser encaminhados para centros de referência. Hipertensão Pulmonar por Tromboembolismo Pulmonar Crônico e outras Obstruções da Artéria Pulmonar (Grupo 4) A HPTEC é a principal doença do grupo 4, sendo caracterizada por obstrução crônica da artéria pulmonar e remodelamento vascular decorrente de tromboembolismo pulmonar. É a única causa potencialmente curável de HP, desde que realizada a tromboendarterectomia pulmonar efetiva. Por esse motivo, sempre deve-se pesquisar tromboembolismo pulmonar crônico em pacientes com HP, e encaminhar os casos diagnosticados para centro de referência. 56 Em casos de contraindicação à cirurgia ou HP persistente após a mesma, há evidências favoráveis ao uso do riociguate. 57 A macitentana também confere benefício clínico e hemodinâmico para pacientes com HPTEC sem indicação cirúrgica. 58 A anticoagulação plena é recomendada sempre, mesmo após a cirurgia; diuréticos e oxigênio estão indicados em caso de IC e hipoxemia, respectivamente. 11 A abordagem com a angioplastia de artérias pulmonares vem se difundindo nos últimos anos nos grandes centros de HP e deve ser considerada para pacientes que não são candidatos ao tratamento cirúrgico. 59 Hipertensão Pulmonar por Mecanismos Multifatoriais Desconhecidos (Grupo 5) O grupo 5 engloba várias doenças que podem se comportar de maneira semelhante a outros grupos, mas cujos mecanismos relacionados ao desenvolvimento da HP ainda não são claros. Dessa forma, o tratamento é heterogêneo e essencialmente voltado para doença de base. 60 Conclusão A HP é uma condição complexa e heterogênea, cuja confirmação depende do cateterismo cardíaco direito. Para pacientes comHP Grupo 1, o uso da terapêutica específica é recomendado. Infelizmente, nas formas mais comuns de HP: grupo 2 (causa cardíaca) ou grupo 3 (causas respiratórias) não está indicado o uso rotineiro de terapêutica específica. A complexidade da avaliação dos pacientes com HP reforça a necessidade desses pacientes serem seguidos em centros de referência em circulação pulmonar, onde a abordagem multidisciplinar permite a otimização de recursos existentes e a adequação do tratamento às recomendações atuais. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa, Análise e interpretação dos dados, Redação do manuscrito e Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Calderaro D, Alves Junior JL, Fernandes CJCS, Souza R. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento Opresente estudo não teve fontes de financiamento externas. Vinculação acadêmica Não há vinculação deste estudo a programas de pós‑graduação. Aprovação ética e consentimento informado Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores. 1. Moreira EM, Gall H, Leening MJ, Lahousse L, Loth DW, Krijthe BP, et al. Prevalence of Pulmonary Hypertension in the General Population: The Rotterdam Study. PLoS One. 2015;10(6):e0130072. 2. Vachiery JL, Adir Y, Barbera JA, Champion H, Coghlan JG, Cottin V, et al. Pulmonary hypertension due to left heart diseases. J Am Coll Cardiol. 2013;62(25 Suppl):D100-8. 3. Bermejo J, Yotti R, Garcia-Orta R, Sanchez-Fernandez PL, Castano M, Segovia-Cubero J, et al. Sildenafil for improving outcomes in patients with corrected valvular heart disease and persistent pulmonary hypertension: a multicenter, double-blind, randomized clinical trial. Eur Heart J. 2018;39(15):1255-64. 4. Bursi F, McNallan SM, Redfield MM, Nkomo VT, Lam CS, Weston SA, et al. Pulmonary pressures and death in heart failure: a community study. J Am Coll Cardiol. 2012;59(3):222-31. 5. Hurdman J, Condliffe R, Elliot CA, Swift A, Rajaram S, Davies C, et al. Pulmonary hypertension in COPD: results from the ASPIRE registry. Eur Respir J. 2013;41(6):1292-301. 6. Leary PJ, Maron BA, Tedford RJ, Lahm T. Pulmonary Hypertension: Good Intentions, But a Questionable Approach. Ann Am Thorac Soc. 2018;15(6):664-6. 7. SimonneauG, GatzoulisMA, Adatia I, Celermajer D, Denton C, Ghofrani A, et al. Updated clinical classification of pulmonary hypertension. J Am Coll Cardiol. 2013;62(25 Suppl):D34-41. 8. Maron BA, Hess E, Maddox TM, Opotowsky AR, Tedford RJ, Lahm T et al. Association of Borderline Pulmonary Hypertension With Mortality and Hospitalization in a Large Patient Cohort: Insights From the Veterans Affairs Clinical Assessment, Reporting, and Tracking Program. Circulation. 2016; 133(13):1240-8. 9. Simonneau G, Montani D, Celermajer DS, Denton CP, Gatzoulis MA, Krowkaet M, al. Haemodynamic definitions and updated clinical classification of pulmonary hypertension. Eur Respir J. 2019;53(1). 10. Naeije R, Vachiery JL, Yerly P, Vanderpool R. The transpulmonary pressure gradient for the diagnosis of pulmonary vascular disease. Eur Respir J. 2013;41(1):217-23. Referências 426

RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=