ABC | Volume 113, Nº1, Julho 2019

Artigo Original Mutação do Gene GLA na Cardiomiopatia Hipertrófica com Descrição de Nova Variante: É Doença de Fabry? GLA Gene Mutation in Hypertrophic Cardiomyopathy with a New Variant Description: Is it Fabry's Disease? Ândrea Virgínia Chaves-Markman, 1,2,3,4, 5 Manuel Markman, 2 Eveline Barros Calado, 1 Ricardo Flores Pires, 6 Marcelo Antônio Oliveira Santos-Veloso, 3,4, 5 C atarina Maria Fonseca Pereira, 7 Andréa Bezerra de Melo da Silveira Lordsleem, 1,3,5 Sandro Gonçalves de Lima, 1,3,5 Brivaldo Markman Filho, 1 Dinaldo Cavalcanti de Oliveira 1,4,5 Universidade Federal de Pernambuco - Hospital das Clínicas - Área Acadêmica de Medicina Clínica – Centro de Medicina Clínica – CCM, 1 Recife, PE – Brasil Hospital Agamenon Magalhães, 2 Recife, PE – Brasil Universidade Federal de Pernambuco - Grupo de pesquisa em Epidemiologia e Cardiologia (EPICARDIO), 3 Recife, PE – Brasil Pós Graduação em Inovação Terapêutica (PPGIT) - Universidade Federal de Pernambuco, 4 Recife, PE – Brasil Centro Universitário Mauricio de Nassau - Curso de Medicina, 5 Recife, PE – Brasil Clínica de Doenças Metabólicas, 6 Porto Alegre, RS – Brasil Cetogene AG, 7 Rostock – Alemanha Correspondência: Ândrea Virgínia Chaves-Markman • Rua Doutor Pedro de melo Cahú, 51/2102. CEP 51020-080, Boa Viagem, Recife, PE – Brasil E-mail: andreachaves.cardio@gmail.com Artigo recebido em 14/06/2018, revisado em 31/10/2018, aceito em 01/11/2018 DOI: 10.5935/abc.20190112 Resumo Fundamento: A doença de Fabry (DF) é uma doença de armazenamento lisossômico ligada ao cromossomo X, devido a mutações no gene da alfa galactosidase A ( GLA ), levando a deficiência enzimática de alfa-galactosidase ( α -Gal A) e acúmulo de globotriaosilceramida (Gb3) e globotriaosilsulfingosina (liso-Gb3), causando disfunção de múltiplos órgãos. Objetivo: Realizar a triagem do gene GLA em um grupo de pacientes com diagnóstico ecocardiográfico de cardiomiopatia hipertrófica (CMH). Métodos: Estudo transversal realizado com pacientes com CMH em um hospital universitário. Pacientes com doença arterial coronariana e valvopatias foram excluídos. Foi realizada análise de mutação do gene GLA . Em indivíduos do sexo masculino, a análise foi realizada após evidência de baixa atividade de α -Gal A. Resultados: Foram incluídos 60 pacientes com diagnostico ecocardiográfico de CMH. A idade variou de 12 a 85 anos e 60% eram mulheres. O percentual médio de fibrose miocárdica na RM foi 10,7 ± 13,1% e a espessura ventricular média foi 18,7 ± 6,7 mm. Quatro pacientes tinham as seguintes mutações do GLA : c.967C>A (p.Pro323Thr), ainda não descrita na literatura; c.937G>T (p.Asp313Tyr); e c.352C>T (p.Arg118Cys). Todos os pacientes apresentavam níveis normais de liso-Gb3 e fibrose miocárdica não isquêmica na ressonância magnética; um paciente apresentou proteinúria; um paciente apresentou taquicardia ventricular. Conclusão: Neste estudo, a frequência de mutação no gene GLA em pacientes com CMH foi 6,7%. Uma nova mutação no exon 6 do gene GLA , c.967C>A (p.Pro323Thr), foi identificada. Pacientes com CMH podem ter mutações do GLA e a DF deve ser excluída. Os níveis plasmáticos de (liso-Gb3) não parecem ser suficientes para fazer um diagnóstico e biópsia de órgãos deve ser considerada. (Arq Bras Cardiol. 2019; 113(1):77-84) Palavras-chave: Doença de Fabry/genética; Cardiomiopatia Hipertrófica; Hipertrofia Ventricular Esquerda; Glicoesfingolipídeos. Abstract Background: Fabry disease (FD) is an X-linked lysosomal storage disorder caused by mutations in the alpha galactosidase A gene (GLA) that lead to the enzymatic deficiency of alpha galactosidase ( α -Gal A) , resulting in the accumulation of globotriaosylceramide (Gb3) and globotriaosylsphingosine (lyso-Gb3), causing multiple organ dysfunctions. Objective: To perform GLA gene screening in a group of patients with echocardiographic diagnosis of hypertrophic cardiomyopathy (HCM). Methods: A cross-sectional study was conducted with HCM patients from a university hospital. Patients with coronary artery disease and valvulopathies were excluded. Mutation analysis of the GLA gene was performed. In male subjects, the analysis was performed after evidence of low α -Gal A activity. Results: 60 patients with echocardiographic diagnosis of HCM were included. Age ranged from 12 to 85 years and 60% were women. Mean myocardial fibrosis percentage on MRI was 10.7 ± 13.1% and mean ventricular thickness was18.7 ± 6.7 mm. Four patients had the following GLA gene mutations: c.967C>A (p.Pro323Thr), not yet described in the literature; c.937G>T (p.Asp313Tyr); and c.352C>T (p.Arg118Cys). All patients had normal levels of lyso-Gb3 and non-ischemic myocardial fibrosis on magnetic resonance imaging; one patient had proteinuria and one patient had ventricular tachycardia. Conclusion: In this study, the frequency of mutation in the GLA gene in patients with HCM was 6.7%. A novel mutation in exon 6 of the GLA gene, c.967C>A (p.Pro323Thr), was identified. Patients with HCM may have GLA mutations and FD should be ruled out. Plasma (lyso-Gb3) levels do not seem to be sufficient to attain a diagnosis and organ biopsy should be considered. (Arq Bras Cardiol. 2019; 113(1):77-84) Keywords: Fabry Disease/genetic ; Cardiomyopathy, Hypertrophic; Hypertrophy, Left Ventricular; Glycosphingolipids. Full texts in English - http://www.arquivosonline.com.br 77

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