ABC | Volume 113, Nº1, Julho 2019
Artigo Original Sincer et al Volume médio plaquetário, fístula da artéria coronária Arq Bras Cardiol. 2019; 113(1):71-76 Tabela 1 – Características gerais dos grupos de estudo Características basais Fístula (n = 50) Controle (n = 70) p Idade (média ± DP) (anos)) 58 ± 12 55 ± 8 0,123 a Masculino/feminino 32/18 24/46 0,001 b Hipertensão (%) 14 (28%) 13 (19%) 0,223 b Tabagismo 24 (48%) 35 (50%) 0,829 b Histórico familiar 10 (20%) 12 (17%) 0,115 b Diabetes Mellitus 12 (24%) 9 (13%) 0,113 b Ácido Acetilsalicílico 17 (34%) 21(30%) 0,119 b Estatina 15 (30%) 18 (26%) 0,143 b Inibidor da ECA 2 (4%) 3 (4%) 0,938 b Betabloqueador 17 (34%) 20 (29%) 0,26 b ECA: enzima conversora de angiotensina, DP: desvio padrão, os dados foram comparados com o teste t de Student ( a ) e o teste qui-quadrado ( b ). grupos, exceto que o número demulheres foi significativamente menor no grupo com fístula. Medicamentos administrados anteriormente também foram comparáveis entre dois grupos (Tabela 1). Comparado ao grupo controle, o HDL-colesterol foi significativamente maior no grupo FAC. No entanto, a glicose sérica, a creatinina e outros níveis lipídicos não foram significativamente diferentes (Tabela 2). Embora os níveis de plaquetas, linfócitos, monócitos e leucócitos não tenham sido significativamente diferentes entre os dois grupos, os níveis médios de VPM foram significantemente menores no grupo FAC (8,84 ± 1,71fL vs . 10,43 ± 1,34, p < 0,001) (Tabela 2). Na análise logística multivariada, o modelo Forward- Stepwise , incluindo o VPM, contagem de plaquetas, linfócitos, monócitos e WBC, revelou que apenas o VPM era um preditor significativo de FAC (p < 0,001, IC 95% para OR: 0,438 (0,306–0,629). Uma correlação negativa significativa foi encontrada entre o VPM e fístulas no teste de correlação de Pearson (r: –0,454, p < 0,001). Um nível de VPM < 9,6 fL apresentou sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo negativo de 80%, 68% 71% e 78%, respectivamente (AUC = 0,766, IC 95%, 0,678–0,854) para a predição da FAC. A precisão geral do VPM na determinação da FAC foi de 75% (Figura 1). O diâmetro ventricular direito estava discretamente aumentado no grupo FAC. Outras medidas ecocardiográficas foram semelhantes (Tabela 3). As características angiográficas do grupo com fístula estão resumidas na Tabela 4. Discussão Neste estudo, mostramos que os níveis de VPM estavam significativamente reduzidos no grupo comFAC emcomparação com as artérias coronárias normais. Fístulas arteriais coronárias são geralmente assintomáticas. Os sintomas usuais incluem dispnéia, angina ou fadiga durante o esforço e, eventualmente, arritmias. Ocasionalmente, a insuficiência cardíaca congestiva pode acontecer na infância. 8-11 Em adultos, a isquemia miocárdica pode ocorrer devido a roubo do fluxo coronariano. 12 Em nosso estudo, os diâmetros diastólicos finais do ventrículo direito do grupo com fístula foram estatisticamente maiores do que os do grupo controle nos achados ecocardiográficos. As alterações fisiopatológicas na FAC dependem da diferença de pressão entre a origem da fístula e a sua localização e tamanho. 1 Essa diferença de pressão determina o comprimento, a largura e a tortuosidade da fístula. 1 Um shunt esquerdo-direito ocorre em mais de 90% dos casos. 1 Quando a fístula drena para o lado direito do coração, ocorre um fluxo contínuo a partir da fístula devido à presença de baixas pressões nas câmaras direitas, a carga volumétrica é aumentada para o lado direito do coração e, consequentemente, para o leito vascular pulmonar e para as câmaras cardíacas esquerdas. Entretanto, quando a fístula drena para as câmaras cardíacas esquerdas, o fluxo sanguíneo pulmonar não aumenta. Portanto, similar aos nossos achados, a dilatação da câmara cardíaca direita é mais frequente do que a dilatação das câmaras esquerdas. Especialmente no caso de uma FAC de grande calibre, o desvio do sangue para longe da circulação coronária normal, pode resultar na ocorrência do fenômeno de roubo do fluxo coronário e, consequentemente, em isquemia. 1 Os analisadores hematológicos automáticos calculamo VPM em testes de rotina. OVPMé afetado pela inflamação e é aceito como marcador de ativação plaquetária. 13 Várias doenças, como a síndrome metabólica, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral isquêmico agudo e diabetes mellitus têm sido relacionadas com o aumento do VPM. 13,14 Por outro lado, níveis reduzidos de VPM foram relatados em indivíduos com artrite reumatoide, pólipos nasais e espondilite anquilosante. 15,16 Da mesma forma, vários estudos na literatura relataram níveis reduzidos de VPM na síndrome do intestino irritável. 17,18 Tem sido proposto que valores menores e maiores de VPM em diferentes condições estão relacionados a estados inflamatórios de alto e baixo graus. Gasparyan et al., 19 relataram que doenças caracterizadas por inflamação acentuada (por exemplo, artrite reumatoide) estão associadas a valores mais baixos de VPM, enquanto a inflamação de baixo grau (por exemplo, pólipos nasais, doença de Behçet) está relacionada com níveis aumentados de VPM. 19 73
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