ABC | Volume 113, Nº1, Julho 2019
Artigo Original Faganello et al O perfil do cardiologista brasileiro Arq Bras Cardiol. 2019; 113(1):62-68 Figura 4 – Nível de estresse. Estresse Homens Mulheres Sim, em grande proporção Sim, em nível adequado Não 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 10,6% 64,3% 64,3% 22,6% 25,1% 13,1% privado. A proporção de mulheres foi maior no setor público e no meio acadêmico, nos quais foi identificada mais baixa remuneração em relação ao setor privado. Quase a metade dos cardiologistas atua em três ou mais locais de trabalho. É interessante observar que o consultório privado é apontado como principal local de trabalho por apenas 21,1% dos respondedores, e esse número é ainda menor quando se consideram apenas aqueles com menos de 50 anos. A redução da prática cardiológica privada pode estar ocorrendo em função do predomínio cada vez maior de atendimentos por planos de saúde, cuja menor remuneração Figura 5 – Qualidade de vida. Tempo Dedicado à Família e Lazer por Semana 45% 35% 25% 15% 5% 0% 40% 30% 20% 10% 41,3% 42,7% 32,3% 23,5% 17,1% 19,9% 9,1% 13,5% ≤ 10h 11-20h 21-30h > 31h Autocuidado 10,0% 7,0% 50,3% 53,7% 28,3% 39,3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Muito cuidadoso Cuidadoso Descuidado Homens Mulheres parece coibir a montagem e a manutenção de consultórios próprios. Essa mudança de cenário na prática profissional também pode estar relacionada ao fato de que, entre os cardiologistas mais jovens, há maior preocupação em buscar fontes de renda mais imediatas, mas também de investir em planos de aposentadoria complementar. Apesar da elevada carga de trabalho, somente 11,3% dos cardiologistas consideram que apresentam estresse em grande proporção. Uma pesquisa publicada pelo Medscape em 2018 10 concluiu que 46% dos cardiologistas norte-americanos apresentavam sintomas de burnout , taxa semelhante à 66
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