ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019

Comunicação Breve Hastenteufel et al Inotrópicos intravenosos contínuos nas unidades da enfermaria Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):573-576 Resultados Revisamos 28 pacientes com IC que receberam alta da UTI para a enfermaria com inotrópicos intravenosos após a criação do protocolo. A Tabela 2 descreve os dados dos pacientes e de cuidados clínicos durante o período de suporte inotrópico. A Figura 1A mostra os desfechos intrahospitalares dos pacientes de acordo com a intenção para suporte inotrópico. A coorte foi acompanhada por uma mediana de 154 dias. Entre os pacientes em quem os inotrópicos foram descontinuados e que tiveram alta hospitalar livre de transplante cardíaco ou implante de LVAD (n = 8), dois foram readmitidos por IC em 30 dias. Desfechos competitivos para mortalidade durante o período de seguimento são mostrados na Figura 1B. Durante o período de suporte inotrópico na enfermaria, nove pacientes retornaram à UTI devido à piora da IC - dois deles por agravamento da fibrilação atrial pré‑existente ou flutter atrial. Não foram observados episódios de nova fibrilação atrial ou flutter atrial. Seis pacientes desenvolveram arritmia ventricular não-sustentada recorrente e a dose inotrópica foi reduzida; destes, quatro estavam hipocalêmicos (≤ 3,5 mmol/L) quando as arritmias foram observadas. Um paciente teve uma infecção no local de saída do cateter venoso central, e um teve uma infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter central de inserção periférica. Sete eventos de violação de protocolo foram identificados: uso de acesso venoso periférico para infusão do medicamento (n = 2); e incrementos na dose inotrópica na enfermaria (n = 5). Nenhum deles incorreu em eventos clínicos adversos. Discussão No presente relato, descrevemos nossa experiência inicial com um protocolo focado na segurança para o uso de inotrópicos intravenosos contínuos empacientes hospitalizados Tabela 1 – Procedimentos operacionais padrão para administração de infusão inotrópica contínua em unidades de enfermaria Elegibilidade Pacientes clinicamente estáveis por mais de 24 horas com uma dose estável de um inotrópico intravenoso contínuo em condições de receber alta da UTI. Cateter venoso central (preferencialmente CCIP). Procedimentos de segurança Alta para uma enfermaria de telemetria cardíaca contínua (exceto se destinado a paliação). Prescrição médica, incluindo dose de inotrópico (mcg/kg/min) e taxa de infusão (mL/min). Doses máximas recomendadas para inotrópicos na enfermaria: dobutamina = 5 mcg/kg/min; milrinona = 0,5 mcg/kg/min. Dose de inotrópico fixa ou em redução gradual, conforme clinicamente apropriado. Nenhum incremento de dose na enfermaria (paciente preferencialmente transferido de volta para a UTI para aumento de dose). Alvos eletrolíticos rigorosos (potássio 4,0-4,5 mmol/L; magnésio ≥ 2,0 mmol/L) e monitoramento de bicarbonato. Avaliação sistemática pela enfermagem do paciente e do medicamento administrado de acordo com as rotinas da enfermaria. Avaliação diária do paciente pela equipe médica. Considerações Linha exclusiva de acesso intravenoso para infusão inotrópica. UTI: unidade de terapia intensiva; CCIP: cateter central de inserção periférica. Tabela 2 – Características dos pacientes do estudo e dados referentes ao suporte inotrópico Característica n = 28 Características basais Idade, anos 54 ± 16 Sexo masculino 20 (71,5) Etiologia isquêmica da IC 16 (57) Fração de ejeção do ventrículo esquerdo,% 23 ± 7,5 Histórico de fibrilação atrial 13 (46) Cardiodesfibrilador implantável 13 (46) Doença renal crônica (TFG < 30 mL/min/1 , 73 m 2 ) 7 (25) Infusão de agente inotrópico Agente inotrópico intravenoso Milrinona 24 (86) Dobutamina 4 (14) Dose de agente inotrópico Milrinona, mcg/Kg/min 0,25 (0,2 - 0,34) Dobutamina, mcg/Kg/min 5,7 (4,37 - 6,55) Duração total da terapia inotrópica, dias 23,5 (13,75 - 45,5) Duração de terapia inotrópica na enfermaria, dias 10,5 (6,75 - 25) Acesso venoso para infusão de fármacos Cateter Venoso Central 4 (14) Cateter central de inserção periférica 22 (79) Acesso venoso periférico 2 (7) Pressão Arterial Sistólica, mmHg* 93 ± 14 Pressão Arterial Diastólica, mmHg* 59 ± 10 Dados expressos em número (porcentagem), média ± desvio padrão ou mediana (intervalo interquartil). *Valores de pressão arterial no início de terapia inotrópica. Dados de um paciente não disponível. IC: insuficiência cardíaca; TFG: taxa de filtração glomerular. 574

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