ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019

Artigo Original Effting et al Efeitos do ER: coração e obesidade Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):545-552 Introdução AOrganizaçãoMundial de Saúde 1 define a obesidade como um acúmulo anormal ou excessivo de gordura que apresenta riscos à saúde. Amesma traz dados doObservatórioMundial da Saúde demonstrando uma prevalência mundial de obesidade de 39% em homens e mulheres acima de 18 anos (dados atualizados 2016). Nesse cenário, a obesidade também se apresenta como um fator de risco para doenças relacionadas ao estilo de vida, como doenças cardiovasculares e diabetes melitus tipo II. 2 Pode ser caracterizada por uma inflamação crônica de baixo grau e está associada a níveis aumentados de citocinas pró-inflamatórias bem como a produção excessiva de espécies reativas de oxigênio. 3,4 Estudos demonstram que a hiperglicemia e alterações da captação de glicose presentes no diabetes podem levar a um quadro de estresse oxidativo com consequente disfunção mitocondrial, bem como a um processo inflamatório com presença elevada de citocinas pró-inflamatórias, como o TNF- α . Ambos os casos podem ser fatores desencadeantes para doenças coronarianas e outras cardiomiopatias 5 (ver revisão de Adeghate e Singh).%Gamez-Mendez et al., 6 também demonstraram que 8 semanas de dieta hiperlipídica (DIO) levaram a um aumento do quadro de estresse oxidativo, o que gerou um desequilíbrio de substância vasoativas e consequente disfunção endotelial das artérias coronárias de ratos obesos. Estudos apontam o exercício físico como importante aliado em diminuir os riscos relacionados à obesidade devido sua capacidade em reestabelecer o equilíbrio entre citocinas pró-anti-inflamatórias e regular o estado redox da célula. 7,8 Segundo Boardman et al., 9 na obesidade, o exercício físico não é apenas uma importante abordagem terapêutica, mas é também crucial para melhorar a função cardíaca e prevenir a lesão isquêmica em animais obesos e/ou diabéticos. Apesar da literatura apontar que a prática do exercício é importante para prevenir ou complementar o tratamento da obesidade, 10 deve-se levar em conta às características do exercício praticado, como: intensidade, duração, frequência e tipo. Com base no exposto, esse estudo teve por objetivo identificar se o exercício resistido (ER) altera parâmetros de estresse oxidativo e de inflamação ocasionado pela ingestão de uma DIO em um modelo experimental de obesidade. Métodos Animais Foram utilizados camundongos Swiss machos (40 dias), pesando emmédia 35,45 g (±1,29) fornecidos pelo Biotério da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC (Criciúma/ SC – Brasil). Os animais foram mantidos em um ciclo claro/ escuro 12/12h, a 22°C, em caixas coletivas (6 animais/caixa) e divididos randomicamente em quatro grupos (n = 6): dieta padrão (DP); obesidade induzida por DIO; DP + ER; DIO + ER. O procedimento de escolha aleatória se deu por alocar os animais nos respectivos grupos de forma arbitrária ou aleatória, semhaver avaliação de desempenho prévio ou utilizar qualquer outro indicador que permitisse a divisão dos grupos. Dieta Os animais foram alimentados ad libitium por 26 semanas com DP com baixo teor lipídico (DP: 27%, 23% e 50% das calorias provenientes de proteínas, gorduras e carboidratos, respectivamente – 3,3 kcal/g) ou com DIO (DIO: 15%, 59% e 26% das calorias provenientes de proteínas, gorduras e carboidratos, respectivamente – 5,3 kcal/g). A DP foi adquirida da Puro Trato Nutrição Animal (Puro Lab 22PB) Santo Augusto/RS – Brasil, e a DIO da PragSoluções Biociência, Jaú/SP – Brasil. Exercício O protocolo de adaptação ao exercício foi iniciado na 17ª semana de dieta e o protocolo de ER na 18ª. O treinamento resistido foi realizado em um aparato de escada de 1m com degraus de 2cm de distância e inclinação de 85º. 11 Os animais foram familiarizados com o exercício de subida nos degraus por 5 dias consecutivos, sem carga. O protocolo de treinamento, adaptado de Scheffer et al., 12,13 teve início 3 dias após o último treino de adaptação e foi realizado com intervalo de 48h entre as sessões, por 8 semanas, totalizando 28 treinos. O exercício foi realizado com progressão de intensidade acoplando um peso à cauda do animal (incremento de carga de 20% a 75% do peso corporal), e progressão de volume (5-10 séries por sessão) (Tabela 1), com intervalo de 2 min entre as séries na área de descanso (caixa fechada no topo dos degraus medindo 20x20x20 cm). Cada série foi realizada até que os animais completassem 5 repetições/escaladas (sem intervalo), ou não conseguissem mais subir as escadas mesmo após incentivo (estímulo manual na base da cauda). Peso corporal e teste de tolerância à insulina (TTI) Opeso corporal individual foi mensurado no início do estudo e nas semanas 3, 6, 10, 14, 18, 22 e 26. Após 17 semanas de dieta foi realizado um TTI para confirmar um quadro de resistência à insulina. Após 6 horas de jejum, 14 todos os animais receberam uma dose de 2 U/kg de insulina. A glicose sanguínea foi mensurada com um glicosímetro utilizando uma gota de sangue coletada de uma pequena incisão na ponta da cauda do animal. O mesmo protocolo foi realizado ao final do experimento, 48 horas após a última sessão de exercício. Tabela 1 – protocolo de treinamento resistido Semanas Carga Séries Intervalo entre séries 1ª 20% 5 1 (2min) 2ª 20% 7 1 (2min) 3ª 50% 5 1 (2min) 4ª 50% 7 1 (2min) 5ª 50% 10 1 (2min) 6ª 50% 10 1 (2min) 7ª 75% 7 1 (2min) 8ª 75% 10 1 (2min) Fonte: dados da pesquisa. Adaptado de Scheffer et al. 12 546

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