ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019
Artigo Original Gomes et al Termorregulação em ratos hipertensos Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):534-542 Figura 3 – Trabalho (W, A) e eficiência mecânica (EM, B) durante protocolo de exercício físico agudo. Dados expressos como média ± DP. * p < 0,05: SHR-C vs. WIS-C. + p < 0,05: SHR-T vs. WIS-T. Wistar controle); WIS-T: Wistar treinado; SHR-C: SHR controle; SHR-T: SHR treinado. WIS-C WIS-T SHR-T SHR-C WIS-C WIS-T SHR-T SHR-C 8000 6000 4000 2000 0 0 10 20 30 40 50 W (J) EM (%) A B + * Embora estudos recentes de nosso grupo tenham mostrado que animais SHR não treinados apresentaram desequilíbrios no balanço térmico para regular a temperatura corporal durante o exercício físico agudo, o presente trabalho não confirmou a hipótese de que estes desequilíbrios poderiam ser revertidos pelo treinamento físico aeróbico de baixa intensidade. Estes estudos anteriores demonstram que animais SHRs não treinados apresentarammaiores valores de T int durante o exercício físico agudo de intensidade constante (60% VMC), associados à maior produção e à menor dissipação de calor. 7,8 Vale ressaltar que a idade dos animais e a velocidade absoluta de corrida durante o protocolo de exercício agudo foram diferentes entres estes estudos, o que poderia explicar o presente resultado. Estudos futuros deverão testar também outras intensidades e durações de exercício, pois sabe-se que os efeitos do treinamento são dependentes destas variáveis. 21 No presente estudo a intensidade do exercício físico agudo (60% VMC) foi determinada de acordo com as recomendações propostas pelo American College of Sports Medicine para hipertensos. 22 É interessante ressaltar que durante o exercício físico agudo, os animais exercitaram-se em uma mesma intensidade relativa, no entanto, com velocidades absolutas maiores nos grupos treinados. Gant et al., 23 analisaram a relação entre a T int e intensidade relativa de exercício. Durante 1h de exercício a 60% do VO 2max não encontraram diferenças na T int entre grupos com diferentes VO 2max . Porém, diferenças na T int foram encontradas quando as intensidades absolutas de exercício foram semelhantes entre os grupos. Estes dados sugerem que a magnitude da hipertermia pode estar associada à carga absoluta de exercício, independente do estado de treinamento. No presente trabalho, o grupo WIS-T, quando comparado ao WIS-C, apresentou maior produção de calor. Isso pode ter ocorrido devido à maior intensidade de exercício, que foi contrabalanceada por uma maior dissipação de calor e consequente manutenção da T int em valores semelhantes aos do grupo WIS-C. O treinamento físico de baixa intensidade aumentou a capacidade física dos SHRs e foi eficiente na redução da pressão arterial, porém não promoveu bradicardia de repouso. Os mecanismos responsáveis pela redução dos níveis pressóricos em hipertensos após o treinamento físico aeróbio incluem adaptações estruturais, vasculares e neuro‑humorais, tais como: redução da atividade vasomotora simpática, 24,25 menor reatividade vascular, 26 redução da resistência vascular periférica, 27,28 redução do estresse oxidativo 29 e alteração do balanço entre fatores relaxantes e contráteis derivados do endotélio. 30 539
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