ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019

Artigo Original Gomes et al Termorregulação em ratos hipertensos Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):534-542 (Figura 3A). Os animais hipertensos apresentarammenor EMem comparação aos animais normotensos, tanto no grupo controle quanto no treinado (Figura 3B). Alémdisso, não houve efeito do treinamento físico sobre a EM nas duas linhagens (Figura 3B). Os valores referentes ao AC e a relação AC/W são mostrados na Figura 4. O grupo WIS-T apresentou um maior AC em relação ao grupo WIS-C (Figura 4A). Além disso, o grupo SHR-T apresentou menor AC em comparação ao grupo WIS-T (Figura 4A). Porém, quando o AC foi corrigido pelo W realizado não foram observados os efeitos da hipertensão arterial e do treinamento físico (Figura 4B). Discussão O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos do treinamento físico de baixa intensidade sobre o balanço térmico de ratos hipertensos submetidos a um protocolo de exercício físico agudo. Foi testada a hipótese de que o treinamento de baixa intensidade poderia promover adaptações positivas, de forma a reverter os desequilíbrios previamente observados no balanço térmico de SHRs. Para tal, foram avaliadas as respostas da T int , da produção de calor e da dissipação de calor. Os principais resultados encontrados, quando analisados em conjunto, mostraram que o treinamento físico de baixa intensidade não foi capaz Figura 2 – Limiar para dissipação de calor (ºC) (A) e sensibilidade (B) durante protocolo de exercício físico agudo. Dados expressos como média ± DP. WIS-C: Wistar controle); WIS-T: Wistar treinado; SHR-C: SHR controle; SHR-T: SHR treinado. 40 39 38 37 36 12 10 8 6 4 2 0 WIS-C WIS-T SHR-T SHR-C WIS-C WIS-T SHR-T SHR-C Liminar para dissipação de calor (°C) Sensibilidade A B de gerar adaptações significativas nas variáveis associadas ao balanço térmico. Assim, nossa hipótese de que o treinamento de baixa intensidade poderia promover adaptações positivas, de forma a reverter os desequilíbrios previamente observados no balanço térmico de SHRs não foi confirmada. O balanço térmico ocorre por meio da relação entre a produção e a dissipação de calor, 18 resultando na regulação da T int em limites adequados. Durante o exercício físico agudo em ratos, a produção de calor tem uma cinética temporal de aumento adiantada em relação à dissipação, fazendo com que a T int aumente mais rapidamente no início do exercício. 19 Esta dinâmica foi observada no presente trabalho (Figura 1) em todos os grupos experimentais para as variáveis do balanço térmico, ou seja, para a produção de calor (VO 2 ), para a dissipação de calor (T pele ) e para a variável resultante (T int ). Com o passar do tempo de exercício o limiar de T int para a dissipação de calor é atingido e a resposta termoefetora de dissipação se inicia, medida por meio da vasodilatação da pele da cauda. Tais ajustes atuam para que o equilíbrio térmico seja alcançado e haja a regulação da T int em limites adequados, 20 o que também ocorreu no presente trabalho. Um ajuste importante, comumente observado na literatura, que confirma este padrão de resposta é a ausência de vasodilatação, ocorrendo até mesmo vasoconstrição, na cauda dos animais no início do exercício 19 (Figura 1C). 538

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