ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019
Artigo Original Luciano et al Análise das coronariografias no Sul do Brasil Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):526-531 Tabela 1 – Distribuição dos pacientes entre as duas instituições de acordo com sexo, apresentação clínica, classificação de uso apropriado, resultado da coronariografia e tratamento Origem Hospital A Hospital B Contagem n = 171 % Contagem n = 566 % Sexo Feminino 70 40,9% 196 34,6% p = 0,132 Masculino 101 59,1% 370 65,4% Clínica SCA 46 26,9% 375 66,3% p < 0,001 Estável 125 73,1% 191 33,7% Avaliação da Apropriação Raramente Apropriado 10 5,8% 22 3,9% p = 0,084 Ocasionalmente Apropriado 61 35,7% 50 8,8% p < 0,001 Apropriado 100 58,5% 494 87,3% p < 0,001 Resultado Normal 90 52,6% 214 37,8% p = 0,008 Uniarterial 38 22,2% 164 29,0% p = 0,078 Biarterial 27 15,8% 100 17,7% p = 0,568 Triarterial 12 7,0% 71 12,5% p = 0,045 TCE 4 2,3% 17 3,0% p = 0,647 Tratamento Clínico 122 71,3% 340 60,1% p < 0,001 Angioplastia 31 18,1% 150 26,5% p = 0,025 Cirúrgico 18 10,5% 76 13,4% p = 0,318 SCA: síndrome coronariana aguda; TCE: tronco da artéria coronária esquerda. * Análises de significância estatística realizadas com aplicação do teste qui-quadrado. Os resultados foram expressos em números e proporção (absoluta e relativa), para as variáveis categóricas, e emmedidas de tendência central (média) e de dispersão (desvio‑padrão), para variáveis contínuas. O teste do qui‑quadrado foi utilizado para estudar possíveis associações entre variáveis categóricas. Para comparação entre variáveis contínuas, foi utilizado o teste t de Student não pareado. Foi aplicado o teste Kolmogorov-Smirnov para avaliar o pressuposto de normalidade amostral. O nível de significância estatística adotado foi de 5%, considerando um intervalo de confiança de 95%. Resultados Do total de 737 coronariografias analisadas, 76,8% foram realizadas no Hospital B, 63,9% em pacientes do sexo masculino. A média geral de idade foi 61,6 anos. A indicação da coronariografia foi SCA em 57,1% e investigação de DAC em 42,9% dos casos. Em relação à apropriação, 80,6% das coronariografias foram classificadas como apropriadas, 15,1% ocasionalmente apropriadas e 4,3% raramente apropriadas. Observamos que 41,2% das coronariografias não evidenciaram DAC grave, 27,4% DAC grave uniarterial, 17,2% biarterial, 11,3% triarterial e 2,8% lesão grave de TCE. O tratamento proposto foi clínico para 62,7% dos pacientes, intervenção coronária percutânea para 24,6% e cirurgia de revascularização miocárdica para 12,7%. Não houve diferença estatisticamente significativa na prevalência de pacientes dos sexos masculino ou feminino entre as duas instituições (Tabela 1). A média de idade foi 59,1 anos no Hospital A e 62,3 anos no Hospital B (p < 0,05). Todos os pacientes com SCA têm indicação apropriada para coronariografia. Nesse grupo de pacientes não houve diferença estatisticamente significativa em relação à distribuição por sexo, resultado da coronariografia e tratamento (Tabela 2). Já entre os pacientes estáveis houve menor proporção de pacientes com indicações apropriadas no Hospital A em relação ao Hospital B e maior proporção de ocasionalmente apropriados. Entre os estáveis também não foi observada diferença em relação à distribuição por sexo, resultado e tratamento. Observou-se uma maior incidência de indicação de exames pré-operatórios de cirurgia cardíaca no Hospital B quando comparado ao Hospital A, e um predomínio de investigação de DAC no Hospital A (Tabela 3). Dos 737 pacientes, 32 (4,3%) tiveram sua coronariografia classificada como raramente apropriada. Desses, 18 casos (56,2%) foram relacionados a não realização de provas funcionais prévias, seis (18,8%) se tratavam de pacientes submetidos a revascularização prévia assintomáticos ou com sintomas estáveis, seis (18,8%) pacientes estáveis em pré-operatório de cirurgia não cardíaca assintomáticos com capacidade funcional ≥ 4 METS, um (3,1%) com DAC conhecida em tratamento clínico e achados de baixo risco em testes não invasivos ou sintomas estáveis e um (3,1%) com estenose valvar aórtica leve ou moderada de valva nativa ou protética e assintomático no que diz respeito à doença valvar. Dentre os classificados como raramente apropriados, sete casos (21,9%) apresentaram lesões coronarianas graves, porém, independentemente do resultado da coronariografia, todos os pacientes nesse grupo foram indicados para tratamento 528
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