ABC | Volume 112, Nº5, Maio 2019

Artigo Original Correia et al Rigidez do AE e recorrência de FA: uma metanálise Arq Bras Cardiol. 2019; 112(5):501-508 Figura 3 – Gráfico de funil apresentando viés de publicação bias. 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,02 0,1 1 10 50 Hazard Ratio SE (log[Hazard Ratio]) Discussão Conforme mencionado anteriormente, a ablação por cateter tem sido cada vez mais considerada como tratamento de primeira linha e, portanto, a importância de fatores de rastreamento também tem aumentado. Esta revisão sistemática mostrou que, em dois dos quatro estudos incluídos, a rigidez do AE foi o preditor mais importante de recorrência de FA pós-ablação em uma análise multivariada, entre outros fatores, tais como volume do AE e FA persistente. Além disso, a metanálise, incluindo três estudos, mostrou que a rigidez do AE foi um forte preditor de recorrência de FA após ACRF (HR = 3,55; IC95% 1,75–4,73, p = 0,0002). Assim, o uso rotineiro da rigidez do AE no pré-operatório pode ser útil para um acompanhamento de perto de pacientes com risco elevado de desenvolverem SAER e recorrência de FA. FA e rigidez do AE Estudos prévios mostraram, apesar de algumas limitações, que pacientes com FA paroxística apresentam rigidez do AE aumentada. 14,15 Alémdisso, o remodelamento estrutural causado pela FA leva à fibrose do AE, 16 o que pode ser um mecanismo no processo de rigidez do AE. Portanto, um aumento na rigidez do AE poderia ser um mecanismo importante da gênese e propagação da FA ou consequência de seus episódios. Ablação extensiva por cateter Estudos prévios mostraram que a ablação circunferencial completa da veia pulmonar promovida pela ACRF associou‑se com menor recorrência de FA. 17,18 Ainda, quanto mais a cicatrização sobrepõe-se à fibrose, diminuindo a quantidade de tecido fibrótico sem ablação, melhor a taxa de sobrevida livre de episódios de arritmia. 19 Assim, uma ablação extensa parece ser a melhor escolha para reduzir a recorrência de FA. No entanto, em um estudo prévio, a presença de cicatrizes no AE esteve associada com o desenvolvimento da SAER 5 e, consequentemente, a piores desfechos clínicos após a ACRF. Rigidez do AE como fator de rastreamento para ablação por cateter Em 1988, Pilote et al., 20 descreveram uma condição em pacientes submetidos à cirurgia da valva mitral por cicatrização do AE, caracterizada por perda da complacência do AE, hipertensão pulmonar, disfunção do AE, e dispneia de causa recente, a chamada SAER. 5 Em seguida, essa síndrome foi relatada por Gibson et al., 3 em pacientes submetidos à ACRF, com ocorrência relativamente rara (1,4%). Pacientes com baixa complacência do AE antes da ablação podem ser mais susceptíveis a desenvolverem a SAER, uma vez que a ACRF está relacionada ao aumento da rigidez do AE, 21 provavelmente devido à formação de múltiplas cicatrizes na parede do AE induzidas pelo procedimento. 22 Assim, pacientes com baixa complacência do AE poderiam beneficiar-se de uma medida da rigidez do AE por meio de uma avaliação não invasiva antes da ablação do AE, como parte do procedimento de rastreamento pré-operatório, ou mesmo avaliação de rotina. Isso contribuiria na prevenção de recorrência da FA e do desenvolvimento da SAER, e na promoção de um acompanhamento mais próximo desses pacientes. Marino et al., 9 apesar das limitações do estudo, observaram uma relação linear entre o strain longitudinal do ventrículo esquerdo, e mediram a rigidez do AE (calculada durante o enchimento atrial, definida como a razão Δ pressão do AE/ Δ volume do AE). Uma vez que existe uma associação entre a deformação longitudinal do AE e o movimento do anel mitral e ventrículo adjacente, o strain longitudinal do ventrículo direito poderia ser usado para estimar a rigidez doAE. 9 Comessemétodo de medida não invasivo, utilizando um simples ECG, a rigidez do AE poderia ser um novo fator potencial de rastreamento na avaliação de rotina no pré-operatório. 506

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