ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019

Artigo Original Philbois et al Obesidade e sensibilidade barorreflexa Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):424-429 Tabela 3 – Parâmetros da análise do barorreflexo pela série sequencial calculada de intervalos RR obtidas em mulheres com e sem síndrome dos ovários policísticos (SOP), divididas de acordo com o índice de massa corporal: normal < 25 kg/m 2 e obeso > 30 kg/m 2 Repouso Controle SOP peso normal SOP obeso p Ι p ΙΙ Sensibilidade barorreflexa Números de rampas 85 ± 40,7 84,3 ± 39,8 93,7 ± 42,4 0,853 0,379 BEI 0,74 ± 0,13 0,63 ± 0,12* 0,58 ± 0,15* 0,005 0,225 Ascendente, ms/mmHg 15,1 ± 6 18 ± 11 11,7 ± 6,7 *† 0,738 0,008 Descendente, ms/mmHg 16,5 ± 5,6 18,3 ± 8,8 12,7 ± 7,5 *† 0,738 0,004 GANHO, ms/mmHg 16,1 ± 5,5 18,3 ± 9,3 12,3 ± 7,2 *† 0,687 0,003 Valores expressos em média ± DP: desvio padrão; BEI: índice de efetividade do barorreflexo; GANHO: ganho total; Descendente: respostas hipotensivas associadas a respostas taquicárdicas;Ascendente: respostas hipertensivas associadas a respostas bradicárdicas; diferença significativa p < 0,05; (*) vs. grupo controle em repouso, (†) vs. grupo SOP com peso normal em descanso; P Ι : grupo controle com peso normal vs. grupo SOP com peso normal; P ΙΙ : grupo SOP com peso normal vs. grupo SOP obeso. na literatura sobre o comportamento da VPA em mulheres com SOP, e aqueles encontrados estão associados a doenças cardiovasculares não relacionadas à SOP. 29-31 Embora as mulheres com SOP tenham uma maior predisposição para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, a população do presente estudo era saudável e não utilizava medicação, sugerindo que a SOP não altera a VPA. Além disso, o grupo SOP obeso também não apresentou diferenças em relação aos grupos com peso normal. Os estudos encontrados sobre a VPA e a obesidade são contraditórios, alguns sugerindo um aumento 24,32 enquanto outros apontam uma redução da VPA. 33 No entanto, ambos sugerem que o barorreflexo poderia justificar essas alterações. Enquanto isso, em nosso estudo, embora o grupo obeso com SOP apresentasse uma diminuição na SBR, a VPA, aparentemente, não foi afetada. Desta forma, precisamos de mais estudos para elucidar esses achados. Limitações do estudo O presente estudo apresentou algumas limitações, como a ausência da dosagem de insulina, glicose e marcadores inflamatórios, o que poderia contribuir para a discussão dos resultados; outra limitação foi que as medidas da VFC e da VPA foram realizadas apenas na posição supina. É possível que durante uma manobra de provocação autonômica, como no teste de inclinação, pudéssemos encontrar respostas diferentes na modulação autonômica entre os grupos estudados. No entanto, é importante notar que as limitações do estudo não invalidamos principais achados na posição supina e suas implicações clínicas. Conclusão Embora a SOP seja uma doença endócrino-metabólica que causa diversas alterações corporais, ela não altera o controle autonômico cardiovascular. No entanto, a associação com a obesidade resultou em diminuição dos valores da SBR e atenuou os valores da VFC, sugerindo que a obesidade pode desempenhar um papel na alteração dos parâmetros hemodinâmicos e controle autonômico cardiovascular. Entretanto, novos estudos devem ser realizados para investigar os efeitos das alterações metabólicas e hormonais nessas mulheres e a associação dessas alterações com o controle autonômico cardiovascular. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa: Philbois SV, Souza HCD; obtenção de dados: Philbois SV, Facioli TP, Felix ACS; análise e interpretação dos dados e revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Philbois SV, Gastaldi AC, Souza HCD; análise estatística: Philbois SV, Facioli TP; obtenção de financiamento: Souza HCD; redação do manuscrito: Gastaldi AC, Souza HCD. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento Opresente estudo foi financiado pelo CNPq 457216/2014-0. Vinculação acadêmica Este artigo é parte de dissertação de Mestrado de Stella Vieira Philbois pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Aprovação ética e consentimento informado Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto sob o número de protocolo 11487/2014. Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo. 428

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