ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019
Artigo Original Philbois et al Estimulação isolada do VE em bradiarritmias Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):410-421 Durante o período de seguimento do estudo, não houve hospitalizações por insuficiência cardíaca. Por outro lado, foi observada a ocorrência de remodelamento ventricular esquerdo e redução da fração de ejeção quando se comparou o ecocardiograma realizado no momento basal com o obtido aos 24 meses de seguimento. Embora a taxa de pacientes com piora da fração de ejeção do VE tenha sido maior dentre os pacientes do Grupo VD (23,5% vs 20,6%), o número de indivíduos incluídos no estudo não permitiu que a amostra tivesse poder para analisar esse desfecho. A taxa de remodelamento ventricular foi discretamente maior entre pacientes do Grupo VE (29,4% vs 27,3%). A análise da sincronia cardíaca mostrou que havia diferença importante entre o tempo de ativação das paredes do VE mais frequentemente em pacientes do Grupo VD (55,9% vs 43,8%). No mesmo sentido, pacientes do Grupo VD apresentaram, mais frequentemente, retardo da ativação entre os VD e VE (91,2% vs 68,8%). A despeito do pequeno número de pacientes avaliados, a diferença na taxa de ocorrência de dissincronia interventricular entre os grupos apresentou significância estatística (p = 0,022). Limitações do estudo Embora o estudo tenha atingido seus objetivos primários, existem algumas limitações inevitáveis. A principal limitação se refere à interrupção precoce do estudo que não permitiu que o número amostral necessário para os desfechos clínicos e ecocardiográficos fosse alcançado. Além disso, foi incluído um número pequeno de indivíduos com fração de ejeção do VE entre 0,40 e 0,50 que, possivelmente, teriam maiores chances de sofrer os efeitos deletérios da estimulação do VD. Não obstante, os resultados de segurança e eficácia referem-se exclusivamente ao uso de cabos-eletrodos unipolares, os quais não representam mais o estado da arte da estimulação do VE pelo seio coronário, visto que, nos últimos três anos, foram desenvolvidos cabos-eletrodos quadripolares que facilitam o posicionamento em um local de estimulação ideal, distante do nervo frênico. 36,37 Independentemente dos problemas metodológicos que ocorreram, foi possível observar que a sincronia interventricular se mostrou significativamente melhor nos pacientes estimulados pelo VE, abrindo perspectivas para que novos estudos, com cabos-eletrodos quadripolares, sejam conduzidos com vistas a prevenir os efeitos deletérios da estimulação ventricular convencional. Conclusões A utilização rotineira da estimulação ventricular esquerda exclusiva, em indivíduos dependentes de MP com o uso do cabo-eletrodo Medtronic Attain StarFix® Modelo 4195 OTW pelo seio coronário, mostrou-se impraticável pelas baixas taxas de sucesso, segurança e eficácia do procedimento. A comparação dos efeitos clínicos e ecocardiográficos da estimulação ventricular esquerda, aos da ventricular direita, não foi possível pelo pequeno número de casos estudados, embora a sincronia interventricular tenha se mostrado significativamente melhor nos pacientes estimulados pelo VE. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa, análise e interpretação dos dados e redação do manuscrito: Crevelari ES, da Silva KR, Costa R; obtenção de dados: Crevelari ES, Albertini CMM, Vieira MLC; obtenção de financiamento: Costa R; revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Crevelari ES, da Silva KR, Albertini CMM, Vieira MLC, Martinelli Filho M, Costa R. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento O presente estudo foi financiado pela Empresa Medtronic. Vinculação acadêmica Este artigo é parte de tese de Doutorado de Elizabeth Sartori Crevelari pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Aprovação ética e consentimento informado Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Comissão para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo sob protocolo 00610412.2.0000 .0068 (Plataforma Brasil CAAE). Todos os procedimentos envolvidos nesse estudo estão de acordo com a Declaração de Helsinki de 1975, atualizada em 2013. O consentimento informado foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo. 419
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