ABC | Volume 112, Nº4, Abril 2019
Correlação Anatomoclínica Pereira et al Arritmia e insuficiência cardíaca Arq Bras Cardiol. 2019; 112(4):466-472 Figura 4 – Fotomicrografia de miocárdio do ventrículo esquerdo: Fibrose miocárdica difusa (em azul). Tricrômico de Masson, 50x). geral, 14 sendo mais frequente em indivíduos do sexo masculino, com relação homem/mulher variando de 1,8 a 5,6. 15 As alterações anatômicas em artérias coronárias podem representar variações da anatomia normal ou anomalias congênitas, dependendo da sua incidência na população geral. 16 As alterações cuja incidência é maior que 1%, na população geral são denominadas variantes ou variações anatômicas do normal, enquanto que as que ocorrem em menos de 1% são definidas como anomalias congênitas. A incidência das anomalias coronárias varia de 0,2% a 1,2% nas diferentes séries apresentadas na literatura, dependendo da população analisada e dos métodos utilizados. 17 Estudos anatomopatológicos 18 e de cineangiografia, 19 realizados em corações de indivíduos sem outras malformações cardíacas congênitas, dividem as anomalias coronárias em dois grupos: as de origem e trajeto das artérias e as anomalias da anatomia intrínseca das artérias. No caso deste paciente, foram observadas anomalias de origem das artérias coronárias, representadas pela ausência da artéria coronária esquerda e pela origem independente, em óstios separados e no mesmo seio de Valsalva, da ADA e da circunflexa. O trajeto intramiocárdico da ADA é classificado como variação anatômica, uma vez que sua ocorrência no segmento médio da ADA varia de 5% a 80% dos pacientes, em diferentes estudos. 20 Nas demais artérias coronárias tal alteração é considerada uma anomalia, uma vez que sua ocorrência é menor que 1%. Já o entrecruzamento de ramos epicárdicos é uma anomalia da anatomia intrínseca das artérias coronárias e é bastante raro, com poucos casos descritos na literatura. 20,21 Pode-se questionar se havia compressão dos segmentos arteriais envolvidos no entrecruzamento, mas na ausência de alterações coronárias obstrutivas e de lesões miocárdicas isquêmicas localizadas, o exame anatomopatológico é limitado para tal avaliação. A hipertrofia e dilatação do ventrículo esquerdo, bem como a fibrose miocárdica intersticial difusa podem ser explicados pela disfunção da valva aórtica bivalvulada. (Dra. Lea Maria Macruz Ferreira Demarchi) 1. McKennaWJ, Maron BJ, Thiene G. Classification, epidemiology, and global burden of cardiomyopathies. Circ Res. 2017;121(7):722-30 2. Trachtenberg BH, HareM. Inflammatory cardiomyopathic syndromes. Circ Res. 2017;121(7):3-18. 3. Muchtar E, Blauwet LA, Gertz MA. Restrictive cardiomyopathy. Genetic, pathogenesis, clinical manifestations, diagnosis, and therapy. Cir Res. 2017;121(7):819-37 4. Seward J.B., Casaclang-Verzosa G. Infiltrative cardiovascular diseases: cardiomyopathies that look alike. J AmColl Cardiol. 2010;55(17):1769–79. 5. Dickstein K, Cohen-Solal A, Filippatos G, McMurray JJ, Ponikowski P, Poole- Wilson PA, et al. ESCGuidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2008: the Task Force for theDiagnosis and Treatment of AcuteandChronicHeartFailure2008oftheEuropeanSocietyofCardiology. Developed in collaboration with the Heart Failure Association of the ESC (HFA) and endorsed by the European Society of Intensive Care Medicine (ESICM). Eur Heart J. 2008;29(19):2388-442. 6. Dias JCD, Ramos Jr AN, Gontijo ED, Luquetti A, Shikanai-YasudaMA, Coura JR, et al. II Consenso Brasileiro emDoença de Chagas,2015. Epidemiol Serv Saude.2016;25(num esp):7-86. 7. MaischB,RisticAD,SeferovicP.M.Newdirections indiagnosisandtreatment of pericardial disease: a project of the Taskforce on Pericardial Disease of the World Heart Federation. Herz. 2000;25(8):769-80. 8. Babonian C, Treasure T. Meta-analysis of the association of enteroviroses with human heart disease. Heart. 1997;78(6):539-43. Referências 471
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