ABC | Volume 111, Nº5, Novembro 2018

Artigo Original Mortalidade para Cardiopatias Congênitas e Fatores de Risco Associados em Recém-Nascidos. Um Estudo de Coorte Mortality for Critical Congenital Heart Diseases and Associated Risk Factors in Newborns. A Cohort Study Selma Alves Valente do Amaral Lopes, 1,2 Isabel Cristina Britto Guimarães, 1 Sofia Fontes de Oliva Costa, 4 Angelina Xavier Acosta, 1 Kyoko Abe Sandes, 3 Carlos Maurício Cardeal Mendes, 2,3 Departamento de Pediatria, Faculdade de Medicina da Bahia, Universidade Federal da Bahia (UFBA), 1 Salvador, BA – Brasil Programa de Pós Graduação em Processos Interativos dos Órgãos e Sistemas, Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Bahia (UFBA), 2 Salvador, BA - Brasil Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Bahia (UFBA), 3 Salvador, BA – Brasil Faculdade de Medicina da Bahia, Universidade Federal da Bahia (UFBA), 4 Salvador, BA – Brasil Correspondência: Selma Alves Valente do Amaral Lopes • Largo do Terreiro de Jesus S/N, Centro Histórico, Salvador, BA – Brasil E-mail: selma.lopes@ufba.br Artigo recebido em 05/03/2018, revisado em 23/05/2018, aceito em 06/06/2018 DOI: 10.5935/abc.20180175 Resumo Fundamento: As cardiopatias congênitas configuram o tipo mais comum de defeitos congênitos, sendo responsáveis por mais mortes no primeiro ano de vida do que em qualquer outra condição, quando etiologias infecciosas são excluídas. Objetivo: Avaliar a sobrevida e identificar os fatores de risco nos óbitos em recém-nascidos com cardiopatia congênita crítica e/ou complexa no período neonatal. Métodos: Realizou-se umestudo de coorte, aninhado a umcaso-controle aleatorizado, considerando Intervalo de Confiança de 95% (IC95%) e nível de significância de 5%, pareado por sexo do recém-nascido e idade materna. Foram feitas buscas ativas de casos, entrevistas, análise de prontuário, avaliação clínica da oximetria de pulso (teste do coraçãozinho) e do ecoDopplercardiograma, bem como análise de sobrevida e identificação dos fatores de risco relacionados ao óbito. Resultados: Os fatores de risco encontrados foram recém-nascidos com menos de 37 semanas (Risco Relativo − RR: 2,89; IC95% 1,49-5,56; p = 0,0015), peso inferior a 2.500 g (RR: 2,33; IC95% 1,26-4,29; p = 0,0068), ocorrência de gemelaridade (RR: 11,96; IC95% 1,43-99,85; p = 0,022) e presença de comorbidade (RR: 2,27; IC95% 1,58-3,26; p < 0,0001). A taxa de incidência de mortalidade por cardiopatias congênitas foi de 81 casos por 100 mil nascidos vivos. A letalidade atribuída às cardiopatias congênitas críticas foi de 64,7%, com mortalidade proporcional de 12,0%. A taxa de sobrevida aos 28 dias de vida diminuiu em quase 70% nos recém-nascidos com cardiopatias congênitas. A principal causa de óbito foi o choque cardiogênico. Conclusão: Recém-nascidos prematuros, combaixo peso e presença de comorbidades apresentarammaior risco demortalidade relacionada às cardiopatias congênitas. Esta coorte se extinguiu muito rapidamente, sinalizando para a necessidade de maior investimento em tecnologia assistencial em populações com este perfil. (Arq Bras Cardiol. 2018; 111(5):666-673) Palavras-chave: Cardiopatias Congênitas/mortalidade; RecémNascido/mortalidade; Fatores de Risco; Análise de Sobrevida. Abstract Background: Congenital heart diseases are the most common type of congenital defects, and account for more deaths in the first year of life than any other condition, when infectious etiologies are ruled out. Objectives: To evaluate survival, and to identify risk factors in deaths in newborns with critical and/or complex congenital heart disease in the neonatal period. Methods: A cohort study, nested to a randomized case-control, was performed, considering the Confidence Interval of 95% (95% CI) and significance level of 5%, paired by gender of the newborn and maternal age. Case-finding, interviews, medical record analysis, clinical evaluation of pulse oximetry (heart test) and Doppler echocardiogram were performed, as well as survival analysis, and identification of death-related risk factors. Results: The risk factors found were newborns younger than 37 weeks (Relative Risk - RR: 2.89; 95% CI [1.49-5.56]; p = 0.0015), weight of less than 2,500 grams (RR: 2.33 [; 95% CI 1.26-4.29]; p = 0.0068), occurrence of twinning (RR: 11.96 [95% CI 1.43-99.85]; p = 0.022) and presence of comorbidity (RR: 2.27 [95% CI 1.58-3.26]; p < 0.0001). The incidence rate of mortality from congenital heart disease was 81 cases per 100,000 live births. The lethality attributed to critical congenital heart diseases was 64.7%, with proportional mortality of 12.0%. The survival rate at 28 days of life decreased by almost 70% in newborns with congenital heart disease. The main cause of death was cardiogenic shock. Conclusion: Preterm infants with low birth weight and comorbidities presented a higher risk of mortality related to congenital heart diseases. This cohort was extinguished very quickly, signaling the need for greater investment in assistance technology in populations with this profile. (Arq Bras Cardiol. 2018; 111(5):666-673) Keywords: Heart Defects Congenital/mortality; Infant Newborn/mortality; Risk Factors; Survival Analysis. Full texts in English - http://www.arquivosonline.com.br 666

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