ABC | Volume 111, Nº5, Novembro 2018

Artigo Original Soeiro et al SCA em homens vs. mulheres Arq Bras Cardiol. 2018; 111(5):648-653 Tabela 1 – Características clínicas basais de pacientes do sexo masculino vs. feminino Característica Masculino (n = 2.437) Feminino (n = 1.308) Valor de p Idade 60,3 ± 11,6 64,7 ± 10,4 < 0,0001* IMC 26,1 ± 6,5 24,3 ± 6,1 < 0,0001 † Diabetes melito 1.041 (42,7) 627 (47,9) 0,011 ‡ HAS 1.652 (67,8) 968 (72,9) 0,001 ‡ Tabagismo 819 (33,6) 332 (25,4) < 0,0001 ‡ HF positiva para DAC 361 (14,8) 171 (12,9) 0,113 ‡ Dislipidemia 1.136 (46,6) 666 (50,9) 0,011 ‡ Insuficiência cardíaca 214 (8,8) 133 (10) 0,778 ‡ AVCi prévio 124 (5,1) 67 (5,1) 0,925 ‡ IAM prévio 819 (33,6) 378 (28,9) 0,004 ‡ CRM prévia 356 (14,6) 140 (10,7) 0,001 ‡ ATC prévia 522 (21,4) 234 (17,9) 0,011 ‡ Hemoglobina, mg/dL 14,6 ± 1,9 13,2 ± 1,7 < 0,001* Pico de troponina, ng/dL 11,8 ± 5,9 8,0 ± 7,2 < 0,001* Creatinina, mg/dL 1,3 ± 0,5 1,5 ± 0,4 < 0,0001* PAS, mmHg 134,2 ± 29,4 133,0 ± 27,2 0,104 † FEVE, % 52,3 ± 19,9 51,8 ± 18,7 0,09 † Killip ≥ 2 212 (8,7) 99 (7,6) 0,259 ‡ AAS 2.383 (97,8) 1.267 (96,9) 0,081 ‡ Betabloqueador 2.149 (88,2) 1.105 (84,5) 0,002 ‡ IGP IIb/IIIa 202 (8,3) 114 (8,7) 0,292 ‡ Enoxaparina 1.859 (76,3) 981 (75) 0,405 ‡ Fondaparinux 258 (10,6) 128 (9,8) 0,46 ‡ Clopidogrel 1.772 (72,7) 920 (70,3) 0,132 ‡ Estatinas 1.228 (50,4) 647 (49,5) 0,768 ‡ IECA 1.694 (69,5) 870 (66,5) 0,065 ‡ Resultados expressos por média ± desvio padrão, mediana ± desvio padrão ou n (%). * Teste t não pareado; † teste Mann-Whitney U; ‡ teste qui-quadrado. IMC: índice de massa corporal; HAS: hipertensão arterial sistêmica; HF: história familiar; DAC: doença arterial coronária; AVCi: acidente vascular cerebral isquêmico; IAM: infarto agudo do miocárdio; CRM: cirurgia de revascularização miocárdica; ATC: angioplastia coronária; PAS: pressão arterial sistólica; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; AAS: ácido acetilsalicílico; IGP: inibidor de glicoproteína; IECA: inibidor da enzima conversora de angiotensina. Em relação ao tratamento, foi realizada intervenção coronária percutânea em 44,9% no sexo masculino e 35,4% no feminino (p < 0,0001). Cirurgia de revascularização miocárdica foi realizada em 17,0% dos homens vs. 11,8% das mulheres (p < 0,0001). Quanto ao padrão arterial coronário e à apresentação clínica, observaram‑se diferenças significativas entre os grupos masculino e feminino, sendo 27,3% vs. 16,2% triarteriais (p < 0,0001), 18,9% vs. 19,9% biarteriais (p = 0,381), 28,5% vs. 20,1% de SCA com supradesnivelamento de ST (p = 0,01) e 71,5% vs. 79,9% de SCA sem supradesnivelamento de ST (p < 0,0001), respectivamente. Na comparação entre os grupos quanto aos desfechos intra-hospitalares, não se observaram diferenças significativas em relação à mortalidade (3,1% vs. 3,7%; p = 0,293) e aos eventos combinados (12,2% vs. 12,0%; p = 0,885), respectivamente, entre homens e mulheres (Tabela 2). O seguimento em médio prazo não mostrou diferença significativa em eventos combinados nos grupos masculino e feminino (31,3% vs. 27,7%; p = 0,769), e nemem relação à mortalidade, respectivamente (Figura 1 e Tabela 3). Discussão O estudo mostrou dados importantes reproduzidos na população brasileira, que condizem com os resultados de publicações recentes na literatura. Observaram-se diferenças significativas quanto à presença de maior número de fatores de risco e maior idade no grupo feminino. Também foram relatadas maiores taxas de reperfusão (percutânea ou cirúrgica) e de SCA com supradesnivelamento de ST nos homens em relação às mulheres, de maneira significativa. Em relação à mortalidade e eventos combinados, não se demonstraram diferenças significativas entre pacientes do sexo masculino e feminino em curto e médio prazo. 650

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