ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018
Ponto de Vista Santos et al Por um modelo de governança de autocitação nos ABC Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):423-426 Figura 1 – Valores de Razão da Taxa de Incidência (IRR) para o número de autocitações nos anos 2000 a 2016. Nota: resultados a partir de 2001, pois o ano de 2000 foi utilizado para deflagrar o algoritmo de regressão em janela rolante. 1.04 1.02 1 .98 2001m7 2004m7 2007m7 2010m7 2013m7 2016m7 Janela rolante com tamanho de 6 meses Razão de taxa de incidência Taxas de IRR em torno de 1 indicam ausência de volatilidade, ou seja, considerando o número total de referências, a taxa de referências “válidas” não se alterou significativamente durante toda a extensão do período de análise. Portanto, o padrão de referenciamento bibliográfico se manteve inalterado ao longo dos últimos 17 anos. No gráfico 1, é possível observar que a extensão do IRR manteve-se à margem de 5%, variando aproximadamente de 0,98 a 1,04 entre os anos de 2000 a 2016. A avaliação de séries temporais ao longo de 17 anos permitiu detalhar os parâmetros de distribuição de referenciamento e mapear o padrão de autocitação, dados que podem servir de base para comparações entre periódicos diferentes ou com o mesmo periódico, em edições futuras. O principal achado foi a demonstração de um padrão “estacionário” de autocitação no referenciamento de artigos originais publicados nos ABC e válidos para o cômputo do fator de impacto, entre os anos 2000 a 2016. Esse fato sugere que os ABC não aderiram à tentação de aumentar levianamente o fator de impacto estimulando a prática da autocitação de seus artigos científicos. No Brasil, existe um conjunto de procedimentos utilizados nos Programas de Pós-Graduação pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação, para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas Stricto Sensu (mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado), a classificação Qualis. Essa classificação para uma mesma revista, difere de acordo com a área temática. O critério para a classificação Qualis é o valor do fator de impacto, mais precisamente, um valor de corte, que define as diferentes categorias. 5 Essa classificação está disponível na Plataforma Sucupira. 6 Os ABC são indexados de acordo com parâmetros formais de avaliação do periódico científico, tais como formato, existência de número de registro no International Standard Serial Number (ISSN), periodicidade, conteúdo científico representativo, corpo editorial qualificado, revisão feitas por pares (“peer review”), além de conformidade com as normas da Organização Mundial dos Editores Científicos (WAME), outrora denominada de grupo de Vancouver. É também levado em consideração a inserção do periódico nas bases de dados da National Library of Medicine, Pub Med/Medline, ISI e SciELO, Lilacs e dentre outras. 5,7 O primeiro cálculo do Fator de Impacto dos ABC, realizado pelo Journal of Citation Report da Thomson Reuters, ocorreu em 2010, e foi igual a 1,315. Desde então, os valores deste índice bibliométrico, documentado pela base de dados da Web of Science (ISI), confirmaram o grau de relevância científica e o escopo dos estudos realizados no Brasil, bem como daqueles realizados internacionalmente e publicados na revista. As classificações colocam os Arquivos no mesmo nível de aproximadamente 30% de revistas internacionais indexadas na base de dados ISI no campo de Cardiologia. 2 Entre as estratégias para elevar esse indicador, mencionam-se o incremento de critérios para publicação e a internacionalização da revista, algo que tem sido feito em países não anglófonos, por exemplo, mediante o emprego de edições bilíngues. Semelhantes estratégias têm sido utilizadas nos Estados Unidos, México e Coreia do Sul. 8 Com a inserção da instituição Thomson Reuters no meio científico, passou-se a realizar índices de citações, relatórios estatísticos compilados por computadores, não apenas na produção de periódicos, mas também em termos de frequência de citação. Antes, a compilação dos dados estatísticos ocorria via Science Citation Index (SCI) e, depois, esse processo foi dado continuidade pela Thomson Reuters, que passou a publicar no JCR em 1975 como parte do SCI e do Social Sciences Citation Index (SSCI). 5 O JCR fornece ferramentas quantitativas para classificação, avaliação, categorização e comparação de revistas. 9 O fator de impacto é uma dessas formas, permitindo comparações entre revistas diferentes, ano após ano. 10 425
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