ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018

Artigo Original Andrade et al Anticoagulação e procedimento odontológico Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):394-399 Tabela 1 – Características clínicas dos pacientes estudados de acordo com o grupo de intervenção Variável Varfarina (n = 25) Dabigatrana (n = 12) Valor de p Idade (mediana, IIQ) – anos 67 (54,5-75,5) 71 (65,5-80) 0,360 Sexo Feminino - n (%) 12 (48) 7 (58,3) 0, 556 PAS (mediana, IIQ) – mmHg 120 (110-140) 130 (102,5-137,5) 0,810 PAD (mediana, IIQ) – mmHg 80 (70-85) 80 (62,5-80) 0,432 FC (mediana, IIQ) – bpm 76 (62,5-88) 76,5 (67,5-90,3) 0,554 Peso (mediana, IIQ) – Kg 68 (56,5-78,5) 67,5 (60-75,3) 0,810 Altura (mediana, IIQ) – m 1,61 (1,49-1,69) 1,605 (1,52-1,70) 0,810 RNI (mediana, IIQ) 2,5 (2,2-2,97) - - Unidades (exodontia) (mediana, IIQ) 1 (1-1,5) 1 (1-1,75) 0,962 Cor Negra (%) 10 (40) 06 (50) 0,565 Renda Familiar (até 1 salário mínimo) – n (%) 20 (80) 10 (83,3) 0,594 Escolaridade (1º grau incompleto) – n (%) 16 (64) 7 (58,3) 0,507 Hipertensão Arterial – n (%) 18 (72) 11 (91,7) 0,177 Diabetes mellitus 2 - n (%) 10 (40) 04 (33,3) 0,493 Insuficiência Cardíaca – n (%) 07 (28) 03 (25) 0,588 Exodontia traumática - n (%) 05 (20) 03 (33,3) 0,311 IIQ: intervalo interquartil; bpm: batimentos/minuto; mmHg: milímetros de mercúrio; PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica; FC: frequência cardíaca; RNI: Razão Normalizada Internacional. Variáveis contínuas (expressas em mediana e percentis 25 e 75) foram comparadas por teste U de Mann-Whitney. As variáveis categóricas “sexo” e “cor negra” foram comparadas através do teste do Qui-Quadrado (X²). As demais foram comparadas pelo teste exato de Fisher (frequências esperadas ≤ 5). na remoção da sutura e pós remoção da sutura. A Tabela 2 ilustra os desfechos clínicos de sangramentos de ambos os grupos antes e após o período de intervenção. Desfechos contínuos (expressos em mediana e percentis 25 e 75) foram comparados por teste U de Mann-Whitney. Os desfechos categóricos foram comparados pelo teste exato de Fisher (frequências esperadas ≤ 5). Discussão Os resultados deste estudo indicam que, em indivíduos submetidos a procedimento odontológico de exodontia, não há diferença estatisticamente significativa na intensidade de sangramento em uso de dabigatrana em comparação ao uso de varfarina, e sugere também uma menor frequência de sangramento 24 horas após o procedimento nos indivíduos em uso de dabigatrana. O registro InterFib avaliou 15.174 pacientes portadores de FA em 47 países, incluindo América do Sul e Brasil. Quando analisados os dados da nossa região, a taxa de utilização de anticoagulante oral foi de 45%, e desses, apenas 44% apresentavam RNI na faixa terapêutica 2-3. Portanto, dos pacientes com FA com indicação para uso de anticoagulante oral, apenas 20% se apresentavam adequadamente anticoagulados. 11 Durante anos tem havido grande controvérsia em relação à utilização de anticoagulantes no planejamento de tratamentos dentários que implicam em sangramento. As principais preocupações sobre a utilização dos NOACs emprocedimentos odontológicos invasivos que cursam com sangramentos eram a falta de um antídoto específico para reversão da açãomedicamentosa e o risco da doença trombótica para a qual foi indicada a anticoagulação. 12 Em abril de 2017, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o uso do idarucizumabe no Brasil para reversão da anticoagulação em pacientes em uso de dabigatrana. Idarucizumabe é um fragmento de anticorpo monoclonal que, ao ser injetado na circulação, neutraliza a dabigatrana através de uma ligação direta, impedindo a sua ação anticoagulante e tem sido amplamente utilizado em emergências. Os resultados do estudo RE-VERSE AD confirmaram de vez a eficácia e segurança do agente. Diretrizes mais recentes sobre a reversão dos NOACs inclusive já recomendam seu uso. 13-15 Pacientes odontológicos que fazem uso de anticoagulante oral por diversos motivos, inclusive por FA, necessitam ser avaliados quanto ao risco de sangramento e complicações durante o procedimento a ser realizado. O tratamento de indivíduos recebendo varfarina que requerem procedimentos dentários invasivos que envolvam sangramentos e/ou cirurgia oral e maxilo-facial está bem documentado na literatura e segue a recomendação da III Diretriz de Avaliação Peroperatória Brasileira. 16 Em contraste, não há nenhum ensaio clínico na literatura que ofereça recomendações específicas para os pacientes em uso dos NOACs e que necessitem se submeter a procedimentos odontológicos. 17 Recente estudo envolvendo o uso de dabigatrana e o manejo peroperatório recomenda a não suspensão da medicação em pacientes submetidos a procedimentos menores, como limpeza dental, exodontia, biópsia de pele ou cirurgia de catarata, e que sejam realizados preferencialmente após 10 horas da ingestão da última dose para minimizar o 397

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