ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018
Artigo Original Medeiros et al Apneia obstrutiva do sono na doença de chagas Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):364-372 grave em pacientes comDC (21%). Nenhum dos participantes tinha um diagnóstico prévio de AOS, o que sugere uma baixa conscientização sobre AOS nessa população. Os pacientes com AOS moderada a grave apresentaram maior incidência de hipertensão, utilizavam mais drogas anti-hipertensivas e tinham aumento da pressão arterial noturna. Além disso, a AOS moderada a grave foi independentemente associada a parâmetros de remodelação cardíaca, incluindo maior dimensão do átrio esquerdo e uma maior prevalência de disfunção ventricular, especialmente no subgrupo de pacientes com cardiomiopatia chagásica. Em conjunto, nosso estudo enfatiza o conceito de que a AOS pode contribuir para um prognóstico ruim em pacientes com DC. A AOS é uma condição prevalente empacientes comdoença cardiovascular, 20 e nosso estudo confirma sua alta frequência em pacientes com DC. Características particulares dos pacientes comAOS estudados merecemalguns comentários: emprimeiro lugar, a presença de maior IMC e circunferência do pescoço em pacientes com AOS moderada a grave, em comparação com pacientes com AOS leve ou ausente, denota um fenótipo típico da doença (Tabela 1). No entanto, a falta de sonolência diurna excessiva, uma característica dos pacientes com AOS provenientes da população geral e encaminhados para laboratórios do sono, pode explicar a baixa conscientização sobre a AOS em pacientes com doença cardiovascular. 21 Esse achado está de acordo com outras populações com doenças cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca 22 e cardiomiopatia hipertrófica. 23 A baixa prevalência de apneia central do sono em nossa amostra contrasta com um estudo prévio que avaliou distúrbios do sono em pacientes com insuficiência cardíaca (FEVE<45%), incluindo Silva et al., 24 incluíram 24 pacientes comDC, dos quais apenas 12% tinham AOS embora 44% dos pacientes apresentassem respiração de Cheyne-Stokes. A mediana da FEVE da nossa amostra está dentro do intervalo normal (60%) e a maior parte da nossa amostra não apresentou insuficiência cardíaca. Além disso, excluímos pacientes com insuficiência cardíaca descompensada emnosso estudo, o que pode explicar as diferentes frequências. A AOS é reconhecida como causa de hipertensão. 25 Em nossa amostra, a hipertensão foi mais frequente no grupo com AOS moderada a grave, e esse grupo usava mais anti‑hipertensivos. No entanto, durante o sono, apenas a PA Figura 1 – Diagrama de fluxo do paciente. Pacientes examinados (n = 287) Exclusão: 149 Marca-passo cardíaco: 91 Recusou-se a participar: 25 Doença coronária: 17 Insuficiência cardíaca descompensada: 06 Doença renal crônica: 05 AVC: 03 Doença hepática: 02 Incluído em estudos do sono (n = 138) 3 perdas Qualidade de estudo do sono ruim = 2 Predominância de apneia central do sono = 1 Analisados (n = 135) 367
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjM4Mjg=