ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018

Artigo Original Marino et al Adiponectina e VH-IVUS com as características da placa aterosclerótica Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):345-353 Tabela 4 – Associação de adiponectina com eventos cardíacos adversos importantes, desfechos secundários e óbito Univariável p Ajustado para idade e sexo† p RR* (IC 95%) RR* (IC 95%) Total (n = 570) MACE (n = 56) 1,28 (0,81 – 2,02) 0,29 1,19 (0,71 – 1,99) 0,52 MACE Agudo (n = 32) 1,77 (0,96 – 3,23) 0,069 1,36 (0,68 – 2,72) 0,38 Óbito (n = 19) 3,36 (1,49 – 7,59) 0,004 2,52 (1,02 – 6,23) 0,045 ACS (n = 309) MACE (n = 26) 1,29 (0,66 – 2,50) 0,46 1,02 (0,48 – 2,19) 0,95 MACE agudo (n = 20) 1,75 (0,81 – 3,72) 0,14 1,40 (0,59 – 3,29) 0,44 Óbito (n = 14) 2,44 (0,98 – 6,06) 0,055 1,87 (0,67 – 5,19) 0,23 SAP (n = 261) MACE (n = 30) 1,30 (0,69 – 2,46) 0,42 1,43 (0,69 – 2,98) 0,34 MACE agudo (n = 12) 1,75 (0,61 – 4,94) 0,29 1,33 (0,41 – 4,28) 0,64 Óbito (n = 5) 8,15 (1,49 – 44,68) 0,016 8,48 (0,92 – 78,03) 0,058 RR: razão de risco; IC: intervalo de confiança de 95%; MACE: eventos cardíacos adversos importantes; SCA: síndrome coronariana aguda; APE: angina pectoris estável; MACE agudo: composto de óbito ou síndrome coronariana aguda (desfechos secundários). †Adicionalmente ajustado para indicação de angiografia coronariana na coorte total. * Razão de risco por aumento de unidade na concentração de biomarcadores transformados em ln [IIQ] 1,16[0,82-1,62] μg/mL, vs. 1,02[0,64‑1,38] μg/mL; RR [IC 95%]: 1,77[0,96–3,23], p = 0,069), mas essa tendência desapareceu após novo ajuste. Os níveis de adiponectina foram independentemente associados à ocorrência de morte (mediana[IIQ]1,48(1,03-1,79) μg/mL vs. 1,02(0,64-1,36) μg/mL, RR[IC 95%]: 2,52[1,02–6,23], p = 0,045). Sinais de interações entre adiponectina e indicação para angiografia estavam presentes para associações entre FCF (p por interação 0,050 (univariável) e 0,029 (multivariável)), com lesões com ALM ≤ 4,0 (p por interação 0,058 (univariável) e 0,10 (multivariável)), e com fração de tecido fibrogorduroso (p por interação 0,042 (univariável) e 0,082 (multivariável)). Os demais termos de interação não foram significativos (dados indisponíveis). Em pacientes com APE, os níveis de adiponectina foram associados à presença de lesões de FCF derivadas de VH-IVUS (mediana[IIQ] 1,16[0,72-1,48]μg/mL vs . 0,95[0,62-1,30] μg/mL; OR[IC 95%] por aumento de 1 unidade na adiponectina transformada em ln: 1,78[1,06-3,00], p = 0,030) (Tabela 3). Além disso, os níveis de adiponectina foram inversamente associados à presença de lesões comALM≤4,0mm 2 (mediana [IIQ] 0,95[0,49-1,30] μg/mL vs. 1,06[0,69-1,41] μg/mL; OR [IC 95%]: 0,55[0,32-0,93], p = 0,025) (Tabela 3). Finalmente, os níveis de adiponectina foram associados à morte (mediana[IIQ] 1,62[1,32-1,84]μg/mL vs. 1,02[0,64‑1,36] μg/mL; RR [IC 95%]: 8,15[1,49-44,68]). Após ajuste por idade e sexo, o RR manteve-se semelhante quanto à magnitude, embora a significância estatística tenha sido perdida (RR [IC 95%: 8,48[0,92 – 78,03], p = 0,058). Não houve associação entre a adiponectina e a composição ou carga de aterosclerose em pacientes com SCA. Embora nenhuma associação comMACE ouMACE agudo tenha sido observada, havia uma tendência a uma associação univariável com a morte (mediana[IIQ] 1,39[0,90-1,86] μg/mL vs. 1,01[0,60-1,38] μg/mL; RR [IC 95%]: 2,44[0,98-6,06], p = 0,055). Após ajuste para idade e sexo, a significância estatística foi perdida (RR [IC 95%]: 1,87[0,67-5,19], p = 0,23). Dadas as associações positivas observadas entre a adiponectina e a morte, realizamos uma análise post-hoc para explorar se havia efeito sinérgico de adiponectina e FCF em caso de óbito. Para tanto, inserimos termos de interação nos modelos formados por adiponectina multiplicada pela presença de lesões de FCF. No entanto, nenhuma modificação de efeito pôde ser observada (os termos de interação não foram significativos). Discussão Até onde sabemos, este é o maior estudo correlacionando adiponectina circulante a medidas in vivo da aterosclerose coronariana através de VH-IVUS em pacientes com doença coronariana conhecida. Observou-se que na coorte completa, os níveis de adiponectina estavam associados à morte durante o acompanhamento de 1 ano, mas não à medidas de ateroscleroses por VH-IVUS. Entre pacientes com APE, os níveis de adiponectina foram positivamente associados à presença de lesões de FCF derivadas de VH‑IVUS e inversamente associados à presença de lesões com ALM ≤ 4,0 mm 2 ; enquanto a associação com a morte foi significativamente limítrofe. Observou-se apenas uma tendência a associação à morte durante o acompanhamento de pacientes com SCA. Experimentos fundamentais, modelos animais e estudos em humanos sobre função vascular em indivíduos livre de doenças cardiovasculares têm mostrado associações de adiponectina com mecanismos vasoprotetores, incluindo características de sensibilização à insulina e propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. 4-6,8,10 Seguindo essa linha, níveis mais elevados de adiponectina têm sido associados à diminuição da prevalência de DAC em indivíduos saudáveis e demonstraram associação inversa com risco de infarto do miocárdio. 20,21 No entanto, entre pacientes com DAC manifestada, a adiponectina parece desempenhar um papel diferente. Quando elevada em pacientes com DAC sintomática, essa adipocitocina se associa a 350

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