ABC | Volume 111, Nº3, Setembro 2018

Diretrizes Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda Arq Bras Cardiol. 2018; 111(3):436-539 4.2.2. Radiografia do tórax A radiografia simples do tórax, por sua simplicidade, rapidez de obtenção e ampla disponibilidade, é recomendada na avaliação inicial dos pacientes com sinais e sintomas de IC, para avaliação de cardiomegalia e congestão pulmonar. Porém, vale ressaltar que a sensibilidade do método é bastante limitada e, ainda, que a disfunção sistólica cardíaca significativa pode ocorrer semcardiomegalia na radiografia de tórax. 66 Ométodo temmaior valor no contexto da IC aguda, emque as alterações de congestão pulmonar sãomais intensas. A radiografia de tórax tambémé útil por sua capacidade de identificar causas pulmonares de dispneia, como doença pulmonar intersticial, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), neoplasia pulmonar e pneumonia. 4.2.3. Ecocardiograma O Ecocardiograma Transtorácio Bidimensional com análise dos fluxos pelo método doppler (Eco-2D-Doppler) é o teste diagnóstico por imagem preferencial para avaliação inicial dos pacientes com suspeita de IC, não só por sua ampla disponibilidade, como também por prescindir do uso de radiação ionizante. Como método amplamente abrangente, o ecocardiograma pode identificar acuradamente a presença de alterações estruturais cardíacas, incluindo anormalidade do miocárdio, das válvulas cardíacas e do pericárdio, além de avaliar aspectos hemodinâmicos. 67 O ecocardiograma permite a avaliação simultânea de múltiplas variáveis relevantes, do ponto de vista clínico, úteis para a compreensão das manifestações clínicas, auxiliando no planejamento terapêutico e na estratificação prognóstica dos pacientes com IC. 68 A avaliação deve incluir análise da FEVE (idealmente pelo método de Simpson), dimensões das cavidades cardíacas, espessura das paredes ventriculares, geometria das cavidades ventriculares, mobilidade parietal segmentar ventricular, anormalidades anatômicas ou funcionais das válvulas, avaliação do pericárdico, estimativa da pressão sistólica na artéria pulmonar, função sistólica do ventrículo direito e análise da função diastólica e estimativa das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo (VE). 69 A avaliação tridimensional apresenta melhor acurácia na quantificação dos volumes ventriculares e FEVE, porém, pela pouca disponibilidade, o método de eleição permanece o Simpson. 70 Tendo-se em vista que volemia é o principal determinante para a presença de sinais e sintomas relacionados à IC, Figura 3.1 – Marcadores prognósticos na insuficiência cardíaca. BNP: peptídeo natriurético do tipo B; BRE: bloqueio de ramo esquerdo; DC: débito cardíaca; DPOC: doença pulmonar obstrutiva crônica; ECG: eletrocardiograma; FEVE: fração de ejeção ventricular esquerda; IC: índice cardíaco; NT-proBNP: fração N-terminal do peptídeo natriurético do tipo B; NYHA: New York Heart Association; POAP: pressão de oclusão artéria pulmonar; RC: realce tardio; RVP: resistência vascular pulmonar; VD: ventrículo direito; VFC: variabilidade da frequência cardíaca. Exame Físico Hipotensão Taquicardia Presença de B3 Congestão persistente Perfusão inadequada ECG Fibrilação atrail/BRE Arritmias ventriculares complexas Redução da VFC Onda T alternante QT longo Imagem FEVE < 30% Disfunção de VD Disfunção diastólica Hipertensão pulmonar Insuficiência mitral Insuficiência tricúspide Realce tardio na RC Hemodinâmica DC/IC reduzido POAP elevada Pressões pulmonares elevadas Gradiente transpulmonar elevado RVP elevada Laboratório Hiponatremia Creatinina elevada Ureia elevada Disfunção hepática Anemia Hiperuricemia BNP/NT-proBNP elevados Citocinas elevadas Catecolaminas elevadas Avaliação Funcional Teste de Caminhada de 6 minutos Teste Cardiopulamonar com cxb Escores Prognósticos Heart Failure Survival Score Seattle Heart Failure Model Metabolic Exercise Cardiac Kidney Index Meta-analysis Global Group in Chronic Heart Failure História Idade Classe funcional III-IV NYHA Etiologia da insuficiência cardíaca Múltiplas admissões Caquexia e sarcopenia Pouca adesão Depressão Diabetes DPOC Intolerância ao tratamento Uso de inotrópico Recomendações Classe Nível de Evidência Referência Realização de hemograma, eletrólitos séricos, função renal, glicemia de jejum, hemoglobina glicosilada, perfil lipídico, função tireoidiana e função hepática I C - Monitoração laboratorial seriada de função renal e eletrólitos ao longo do tratamento da IC I C - ECG de 12 derivações em repouso I C - Radiografia simples do tórax I C - Avaliação da cinética de ferro (ferritina, ferro sérico e saturação da transferrina) IIA B 1 448

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