ABC | Volume 111, Nº2, Agosto 2018
Correlação Anatomoclínica Favarato e Aiello Mulher de 59 anos com dupla lesão mitral com dispneia intensa, choque e condensação pulmonar Arq Bras Cardiol. 2018; 111(2):215-222 Figura 7 – Base do coração, de onde foram retirados os átrios. Nota-se que a valva aórtica (Ao) se encontra preservada, e a valva tricúspide (Tr) mostra insuficiência secundária à dilatação do anel. Figura 8 – Superfície de corte de pulmão com trombo-êmbolo em artéria hilar (seta) e áreas vinhosas na base. Comentários O comprometimento da valva mitral neste caso é típico de seqüela de doença reumática, e o coração mostrava sinais de descompensação, como dilatação acentuada dos átrios. Nos diversos órgãos foram encontrados sinais do choque terminal. O comprometimento valvar mitral isolado é comum na doença reumática, estando presente em mais de 50% dos casos de doenças reumática crônica, sob a forma de dupla disfunção (estenose e insuficiência) ou de insuficiência pura. 21 Não encontramos lesões em vasos torácicos arteriais ou venosos que pudessem explicar o quadro de hemotórax. O quadro pulmonar juntava aspectos recentes, como tromboembolismo de vasos hilares e infartos pulmonares, com outros crônicos, caracterizados por congestão passiva crônica de longa evolução. A congestão passiva acaba por ocasionar hipertensão pulmonar passiva, que se origina no território venoso. O caso em discussão exibia lesões em vênulas que são características deste tipo de comprometimento. Na última classificação de hipertensão pulmonar, este grupo (de hipertensão secundária a lesões do coração esquerdo) é conhecido como hipertensão pulmonar do grupo 2. 22 Além das lesões de valvas cardíacas da esquerda, também as doenças miocárdicas podem evoluir cronicamente com comprometimento pulmonar hipertensivo secundário. Os indivíduos acometidos podem ter evolução conturbada no pós-operatório da cirurgia valvar, ou então do transplante cardíaco, quando este é uma opção terapêutica. Estudo recente do nosso laboratório revelou que as lesões venosas da hipertensão pulmonar do grupo 2 são frequentes, e que a expressão de fosfodiesterase 5 nos vasos pulmonares desses pacientes é maior do que nos normais. 23 (Profa. Dra. Vera Demarchi Aiello) 220
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