ABC | Volume 111, Nº2, Agosto 2018
Artigo de Revisão Leite et al Aspirina e terapia hormonal no câncer de mama Arq Bras Cardiol. 2018; 111(2):205-212 Harris et al., 53 encontraram 393 casos de câncer de mama em 32.505 pacientes após 5 anos de seguimento. Este estudo relatou redução de 50% na incidência de câncer de mama com uso de ibuprofeno (p < 0,01) e de 40% com uso regular de aspirina (p < 0,05), sugerindo que outros AINEs também podem ser efetivos na profilaxia do câncer de mama. A aspirina emergiu como o AINE mais provável para uso em quimioprevenção pelos benefícios também na prevenção de eventos cardiovasculares. Outros AINEs são também estudados como adjuvantes na quimioprevenção de diversos tipos de câncer, especialmente o colorretal, de mama e de estômago, embora estes medicamentos não ofereçam cardioproteção. 54 A redução na mortalidade é mais evidenciada no câncer de colón, provavelmente no de próstata e, possivelmente, também no de mama. 55,56 Discussão Os ensaios clínicos citados nesta revisão relataram aumento de TEV com o uso de MSRE e, em relação aos eventos cerebrovasculares e coronarianos, os resultados foram discordantes. A terapêutica atualmente empregada com quimioterapia e terapia hormonal tem reduzido a mortalidade por câncer de mama, porém a morbimortalidade ainda é alta, com efeitos colaterais consideráveis e elevados custos financeiros. Existe grande expectativa por novos tratamentos com baixa toxicidade e redução de custos. A aspirina está incorporada à prática clínica há mais de 100 anos, com baixo custo, tornando-a atraente como um potencial tratamento adjuvante. Os estudos observacionais incluídos nesta revisão sugerem redução de risco de câncer de mama nas pacientes em uso regular de aspirina. Ensaios clínicos randomizados são necessários para avaliar o impacto do uso de aspirina na prevenção do câncer de mama, seja na associação com a terapia endócrina, ou na sobrevida sem doença, em pacientes com câncer de mama. O uso da aspirina é consensual para a prevenção secundária de infarto do miocárdio e do AVC isquêmico em pacientes com doença cardiovascular preexistente e para prevenção primária em grupos de alto risco. As indicações atuais para o uso profilático da aspirina são baseadas no risco cardiovascular diante dos efeitos colaterais, especialmente sangramento gastrintestinal, cuja incidência aumenta com a idade. Outros benefícios potenciais do uso da aspirina precisam ser comprovados no contexto do câncer. Conclusão O câncer de mama é o tumor mais frequentemente diagnosticado em mulheres de todo o mundo, com impacto importante na morbimortalidade. Embora existam controvérsias entre os estudos analisados, considerando os possíveis benefícios na prevenção do câncer de mama e na redução de eventos cardiovasculares, esta revisão sistemática sugere que a terapêutica com moduladores seletivos de receptores de estrogênio e aspirina deve ser melhor investigada, e ressalta a necessidade da realização de estudos randomizados. Estudos futuros devem abordar questões como dose, idade para início, duração, eficácia e segurança de um regime de tratamento claramente definido. Contribuição dos autores Concepção e desenho da pesquisa e Obtenção de dados: Leite AM, Martins WA; Análise e interpretação dos dados: Leite AM, Macedo AVS, Jorge AJL, Martins WA; Redação do manuscrito: Leite AM; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Macedo AVS, Jorge AJL, Martins WA. Potencial conflito de interesses Declaro não haver conflito de interesses pertinentes. Fontes de financiamento Opresente estudo não teve fontes de financiamento externas. Vinculação acadêmica Este artigo é produto de pesquisa em Cardio-oncologia do Mestrado de Andréa de Melo Leite pela Universidade Federal Fluminense. Aprovação ética e consentimento informado Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores. 1. Ch Yiannakopoulou E. Interaction of salicylates and the other nonsteroidal anti-inflammatoryagentswithbreastcancerendocrinetreatment:systematic review. Am J Clin Oncol. 2015;38(6):641-4. 2. Harris RE, Chlebowski RT, Jackson RD, Frid DJ, Ascenseo JL, Anderson G, et al; Women’s Health Initiative. Breast cancer and nonsteroidal anti- inflammatory drugs: prospective results from theWomen’s Health Initiative. Cancer Res. 2003;63(18):6096-101. 3. Takkouche B, Regueira-Mendez C, Etminan M. Breast cancer and use of nonsteroidal anti-inflammatory drugs: a meta-analysis. J Natl Cancer Inst. 2008;100(20):1439-47. 4. Moher D, Liberati A, Tetzlaff J, Altman DG; PRISMA Group. Preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: the PRISMA statement. Ann Intern Med. 2009;151(4):264-9. 5. Cosman F, Lindsay R. Selective estrogen receptor modulators: clinical spectrum. Endocr Rev. 1999;20(3):418-34. 6. Davies C, Godwin J, Gray R, Clarke M, Cutter D, Darby S, et al; Early Breast Cancer Trialists Collaborative Group (EBCTCG). Relevance of breast cancer hormone receptors and other factors to the efficacy of adjuvant tamoxifen: patient-level meta-analysis of randomized trials. Lancet. 2011;378(9793):771-84. Referências 210
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